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Fertilizantes fosfatados disparam em 2026: entenda por que o adubo ficou mais caro e os impactos para a safra 2026/27

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O mercado global de fertilizantes atravessa um período de forte instabilidade em 2026. A combinação entre restrições às exportações de fosfatos pela China, limitações na oferta de nitrogenados pela Rússia e as tensões geopolíticas no Oriente Médio elevou os preços das principais matérias-primas utilizadas na produção de adubos, aumentando os custos da agricultura brasileira justamente às vésperas da safra 2026/2027.

O cenário preocupa produtores rurais, que enfrentam um ambiente de commodities agrícolas com preços mais estáveis, crédito rural mais caro e margens de rentabilidade mais apertadas.

As perspectivas para o mercado foram discutidas na primeira edição do programa BRANDT Explica, que reuniu Maria Luísa Segura Bertoletti, gerente de Desenvolvimento de Mercado da BRANDT Brasil, e Vitor Marques, especialista em inteligência de mercado da Markestrat.

Comercialização de fertilizantes segue abaixo da média histórica

Dados do painel MIND, elaborado pela Markestrat com informações de mais de 50 especialistas entre cooperativas e revendas agrícolas, mostram que a comercialização de insumos ainda ocorre em ritmo inferior ao observado normalmente para esta época do ano.

Segundo Vitor Marques, aproximadamente 20% do mercado total de insumos agrícolas já foi negociado, enquanto os fertilizantes, tradicionalmente adquiridos mais cedo, apresentam comercialização próxima de 40%.

De acordo com o especialista, o atraso nas compras reflete um conjunto de fatores que pressiona simultaneamente os custos de produção e a capacidade de investimento do produtor.

“O fertilizante ficou mais caro, as commodities perderam força para compensar esse aumento e o crédito também ficou mais restritivo após as dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor nos últimos anos”, explica.

Três fatores globais impulsionam a alta dos fertilizantes

O mercado brasileiro de fertilizantes permanece altamente dependente das importações, principalmente no segmento de fosfatados. Por isso, qualquer interrupção na oferta internacional repercute rapidamente nos preços internos.

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Segundo a análise da Markestrat, três fatores concentram a maior pressão sobre o mercado.

China restringe exportações de fosfatos

A China, principal exportadora mundial de MAP (fosfato monoamônico) e DAP (fosfato diamônico), mantém uma política de restrição às exportações para priorizar o abastecimento interno.

A medida, prevista para permanecer em vigor até agosto de 2026, reduziu significativamente a oferta global desses fertilizantes.

Rússia mantém limitações na oferta de nitrogenados

Além dos impactos provocados pelo conflito com a Ucrânia, a Rússia continua impondo restrições às exportações de fertilizantes nitrogenados.

A menor disponibilidade desses produtos pressiona os preços internacionais e reduz o equilíbrio entre oferta e demanda.

Oriente Médio afeta fornecimento de enxofre

Outro fator de preocupação é a instabilidade no Estreito de Ormuz.

As interrupções logísticas elevaram os custos do enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação do ácido sulfúrico, utilizado na produção de fertilizantes fosfatados como MAP e DAP.

Segundo Vitor Marques, a combinação desses fatores reduz a oferta mundial de matérias-primas e amplia o custo de produção dos fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira.

Produtores buscam mais eficiência diante da alta dos custos

Diferentemente do cenário observado em 2022, quando os elevados preços das commodities ajudavam a compensar o aumento dos custos de produção, o produtor rural agora enfrenta um ambiente de margens mais estreitas.

Nesse contexto, a eficiência produtiva ganha protagonismo.

A estratégia passa por maximizar o aproveitamento dos recursos disponíveis na propriedade, reduzindo desperdícios e aumentando o retorno dos investimentos realizados em fertilização.

Biológicos ganham espaço como alternativa ao fósforo mineral

Entre as tecnologias que vêm despertando maior interesse estão os produtos biológicos capazes de aumentar a disponibilidade de nutrientes já presentes no solo.

Pesquisas mostram que apenas entre 15% e 30% do fósforo aplicado via fertilizantes é efetivamente absorvido pelas plantas durante cada ciclo agrícola.

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Grande parte permanece retida no solo. Estudos conduzidos pelo pesquisador Paulo Pavinato, da Universidade de São Paulo (USP), estimam que aproximadamente 66% do fósforo aplicado historicamente nos solos brasileiros, cerca de 45 milhões de toneladas entre 1960 e 2016, continua acumulado em formas pouco disponíveis para as culturas.

Nesse cenário, os chamados solubilizadores de fósforo surgem como alternativa para aumentar a eficiência da adubação.

Esses produtos utilizam microrganismos capazes de produzir ácidos orgânicos e enzimas que liberam parte do fósforo retido no solo, tornando o nutriente novamente disponível para as plantas.

Além de favorecer o desenvolvimento radicular, a tecnologia amplia a capacidade das culturas de absorver água e nutrientes, reduzindo a dependência de novas aplicações de fertilizantes minerais.

Safra 2026/27 exige planejamento nas compras

O ambiente de incertezas geopolíticas torna difícil prever quando os preços dos fertilizantes voltarão aos níveis observados antes da escalada dos conflitos internacionais.

Segundo Vitor Marques, produtores que anteciparam as compras durante períodos de câmbio mais favorável conseguiram garantir custos mais competitivos para a próxima safra.

Para aqueles que ainda não fecharam as aquisições, o acompanhamento constante do mercado internacional e a adoção de tecnologias voltadas ao aumento da eficiência agronômica passam a ser ferramentas importantes de gestão.

Com custos elevados, crédito mais seletivo e maior volatilidade global, a safra 2026/2027 reforça a necessidade de decisões estratégicas na aquisição de fertilizantes e no manejo nutricional das lavouras, buscando preservar produtividade e rentabilidade em um ambiente de maior pressão sobre os custos de produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do feijão carioca segue firme em julho com oferta restrita e demanda aquecida da indústria

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O mercado brasileiro de feijão carioca começou o mês de julho mantendo os preços firmes para os grãos de melhor qualidade. A sustentação das cotações é resultado da oferta ainda restrita, mesmo com o início da colheita das áreas irrigadas do Cerrado, e da demanda contínua da indústria, que segue ativa diante dos baixos estoques.

De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os volumes iniciais provenientes das lavouras irrigadas ainda são insuficientes para alterar o equilíbrio entre oferta e demanda. Com isso, os melhores lotes continuam sendo negociados com boa valorização.

Oferta limitada mantém preços do feijão carioca sustentados

Apesar do avanço da colheita nas áreas irrigadas de Goiás e de outras regiões do Cerrado, a disponibilidade do feijão carioca permanece reduzida.

Os primeiros lotes colhidos apresentaram boa qualidade e encontraram forte receptividade da indústria empacotadora, que mantém o ritmo das compras para recompor estoques. Ainda assim, o setor acompanha de perto o aumento gradual da oferta esperado ao longo de julho, fator que poderá influenciar o comportamento dos preços nas próximas semanas.

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Enquanto isso, a colheita da segunda safra de feijão carioca no Paraná entra em sua fase final, marcando a transição entre importantes regiões produtoras do país.

Mercado apresenta comportamentos diferentes entre as variedades

O cenário não é uniforme para todas as categorias de feijão.

Segundo o Cepea, o feijão carioca de qualidade intermediária e o feijão preto seguem registrando oscilações distintas entre as regiões produtoras. As diferenças na disponibilidade, na qualidade dos lotes e no ritmo das negociações explicam os ajustes heterogêneos observados no mercado físico.

Essa dinâmica demonstra que a formação dos preços continua altamente dependente das condições regionais de oferta e demanda.

Feijão preto pode ganhar força nas próximas semanas

No segmento do feijão preto tipo 1, o encerramento da colheita no Paraná — principal produtor nacional — altera gradualmente a postura dos agentes de mercado.

A menor área cultivada nesta temporada, somada às perdas provocadas pelas adversidades climáticas, reduziu a disponibilidade dos lotes de melhor qualidade. Diante desse cenário, produtores e detentores de estoques mantêm posições firmes nas negociações, apostando em novas valorizações caso a oferta permaneça limitada.

Perspectivas para o mercado de feijão

A expectativa do setor é de aumento gradual da oferta ao longo de julho com o avanço da colheita irrigada no Cerrado. No entanto, enquanto esse crescimento ocorrer de forma moderada e os estoques da indústria permanecerem baixos, o mercado deverá continuar favorecendo os lotes de maior qualidade.

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Especialistas avaliam que a evolução da colheita, as condições climáticas nas principais regiões produtoras e o comportamento da demanda serão determinantes para o rumo dos preços nas próximas semanas.

Destaques do mercado
  • Oferta de feijão carioca de melhor qualidade continua restrita.
  • Indústria mantém compras para recompor estoques.
  • Colheita irrigada do Cerrado avança, mas ainda com baixo volume.
  • Paraná conclui a segunda safra de feijão carioca.
  • Feijão preto segue com perspectiva de valorização devido à menor oferta.
  • Mercado permanece atento ao aumento da disponibilidade durante julho.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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