AGRONEGÓCIO
Preço do cacau segue elevado e mantém pressão sobre o chocolate, apesar da queda nas cotações internacionais
Publicado em
6 de julho de 2026por
Da Redação
O mercado internacional do cacau apresenta sinais de acomodação após meses de intensa volatilidade, mas os preços continuam em um patamar elevado que mantém a pressão sobre toda a cadeia produtiva do chocolate. Mesmo com a recente correção nas bolsas internacionais, a commodity permanece acima de US$ 5 mil por tonelada, cenário que dificulta uma redução significativa dos custos para a indústria e, consequentemente, para o consumidor.
Dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) mostram que o preço diário da commodity foi de US$ 5.169,23 por tonelada em 1º de julho de 2026, recuando para US$ 5.116,52 por tonelada no dia seguinte. Nos contratos futuros negociados em Nova York, as cotações ficaram em US$ 5.178,33 e US$ 5.141,67 por tonelada, respectivamente. Já em Londres, os contratos encerraram os dias em £ 3.883,00 e £ 3.811,33 por tonelada.
Novo patamar de preços preocupa a indústria
Embora os valores estejam abaixo dos picos registrados recentemente, o mercado avalia que o cacau entrou em um novo nível de preços, significativamente superior ao observado em anos anteriores.
Para a indústria de chocolates e derivados, o principal desafio deixou de ser apenas a volatilidade diária e passou a ser o elevado custo estrutural da matéria-prima. Esse cenário reduz a margem das empresas, limita promoções e mantém pressionados os preços de produtos como chocolates em barra, bombons, coberturas, achocolatados e itens utilizados pela confeitaria.
Mercado brasileiro acompanha cenário externo
No Brasil, as cotações também permanecem firmes, refletindo tanto o comportamento das bolsas internacionais quanto fatores internos, como logística, disponibilidade de produto, qualidade das amêndoas e variações cambiais.
Em 3 de julho de 2026, o cacau era comercializado a:
- R$ 305,00 por arroba na Bahia;
- R$ 1.220,00 por saca de 60 kg no Espírito Santo;
- R$ 19,00 por quilo no Pará.
Na equivalência por peso, tanto a arroba negociada na Bahia quanto a saca comercializada no Espírito Santo correspondem a aproximadamente R$ 20,33 por quilo, enquanto no Pará a referência permaneceu em R$ 19,00/kg.
Apesar da estabilidade recente, os preços ainda refletem um mercado sensível às oscilações internacionais e ao comportamento do câmbio.
Correção recente não altera cenário de custos elevados
Na comparação com o final de junho, houve uma leve retração nas cotações nacionais.
No dia 26 de junho, as referências eram de R$ 320,00 por arroba na Bahia, R$ 1.280,00 por saca no Espírito Santo e R$ 21,00 por quilo no Pará.
Com isso, a redução foi de aproximadamente 4,7% na Bahia e no Espírito Santo e de cerca de 9,5% no Pará.
Apesar desse movimento, especialistas avaliam que a correção ainda é insuficiente para provocar mudanças relevantes na estrutura de custos da indústria.
Consumidor ainda não sente redução nos preços
Mesmo quando ocorre uma queda nas cotações do cacau, o impacto sobre o preço do chocolate costuma demorar a chegar ao varejo.
Isso acontece porque as indústrias trabalham com contratos antecipados, estoques já adquiridos e estratégias graduais de repasse de custos. Em muitos casos, o ajuste ocorre não apenas por meio do aumento do preço final, mas também pela redução do peso das embalagens, alterações nas formulações ou diminuição das margens de lucro.
Dessa forma, oscilações pontuais da commodity dificilmente resultam em redução imediata dos preços encontrados pelo consumidor nos supermercados.
Cadeia produtiva vive desafios distintos
Enquanto os preços elevados favorecem a rentabilidade dos produtores, estimulando investimentos em renovação de lavouras, manejo e controle fitossanitário, o cenário representa um desafio para a indústria, que precisa ampliar o capital destinado à compra da matéria-prima.
Para o consumidor, os reflexos aparecem em uma categoria que deixou de ser predominantemente sazonal e passou a fazer parte do consumo cotidiano, aumentando o peso dos produtos derivados do cacau no orçamento das famílias.
Perspectivas para os próximos meses
O comportamento do mercado dependerá da evolução da oferta global e das condições climáticas nas principais regiões produtoras, além do câmbio e da demanda internacional.
Caso as cotações permaneçam acima de US$ 5 mil por tonelada, o espaço para uma queda significativa no preço do chocolate continuará limitado. Para que o consumidor perceba um alívio consistente, será necessária uma combinação de maior oferta mundial, recomposição dos estoques, estabilidade cambial e redução dos custos industriais.
Embora o mercado tenha deixado para trás o período mais agudo de volatilidade, o cacau ainda permanece distante de um cenário considerado confortável, mantendo a pressão sobre toda a cadeia do chocolate.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Acamamento no arroz: como evitar perdas e aumentar a produtividade com manejo correto na lavoura
Published
18 minutos agoon
6 de julho de 2026By
Da Redação
O acamamento do arroz, caracterizado pelo tombamento parcial ou total das plantas, segue entre os principais fatores de perda de produtividade na cultura. Além de reduzir o rendimento por área, o problema também afeta a qualidade dos grãos e dificulta a colheita mecanizada, elevando custos operacionais.
De acordo com especialistas, a prevenção depende de um conjunto de práticas de manejo que vão desde a escolha da cultivar até o controle de irrigação, adubação e densidade de plantas ao longo do ciclo produtivo.
Acamamento no arroz ocorre com mais frequência no enchimento de grãos
O problema é mais comum durante a fase de enchimento dos grãos, quando as panículas estão mais pesadas. Nesse estágio, a combinação de fatores agrava o risco de tombamento, como:
- ventos fortes;
- chuvas intensas;
- excesso de nitrogênio;
- colmos frágeis;
- solos encharcados.
Quando ocorre, o acamamento provoca perdas diretas de produtividade e aumenta o risco de deterioração dos grãos.
Impactos do acamamento vão além da produtividade
Além da redução no rendimento, o acamamento compromete toda a operação de colheita e pós-colheita. Entre os principais impactos estão:
- aumento das perdas na colheita mecanizada;
- maior consumo de combustível das máquinas;
- elevação da umidade dos grãos colhidos;
- redução da qualidade industrial;
- maior incidência de doenças na base das plantas.
Esses fatores tornam o manejo preventivo ainda mais importante para garantir eficiência produtiva.
Escolha da cultivar é ponto de partida para evitar o problema
O planejamento da lavoura é considerado o primeiro passo no controle do acamamento. A escolha de cultivares de porte médio ou baixo, com colmos mais espessos e resistentes, reduz significativamente a suscetibilidade ao tombamento.
A recomendação técnica também inclui atenção à resposta de cada cultivar à fertilização nitrogenada e à densidade de semeadura, especialmente em áreas de alta fertilidade.
Densidade de semeadura influencia resistência das plantas
A população de plantas é outro fator determinante. Semear acima do recomendado pode aumentar a competição por luz e nutrientes, favorecendo:
- estiolamento das plantas;
- colmos mais finos e frágeis;
- maior risco de acamamento.
O uso de sementes de alto vigor é indicado para garantir estande uniforme, reduzindo a necessidade de adensamento excessivo.
Adubação nitrogenada exige equilíbrio para evitar crescimento excessivo
O manejo do nitrogênio é um dos pontos mais sensíveis no controle do acamamento. O excesso de aplicação, especialmente em cobertura tardia, estimula crescimento vegetativo exagerado, aumentando a altura das plantas e reduzindo sua resistência estrutural.
O equilíbrio entre nutrientes também é essencial, principalmente entre:
- nitrogênio (N);
- potássio (K);
- silício (Si).
Esse balanço contribui diretamente para a firmeza dos colmos e a sustentação da planta.
Manejo da irrigação influencia diretamente a estabilidade da lavoura
No arroz irrigado, o controle da lâmina de água tem papel decisivo na prevenção do acamamento. Níveis excessivos e prolongados podem:
- estimular alongamento da parte aérea;
- enfraquecer o sistema radicular;
- aumentar a vulnerabilidade ao tombamento.
O ajuste da irrigação conforme o estágio fenológico da cultura ajuda a manter o equilíbrio entre crescimento e sustentação das plantas.
Reguladores de crescimento devem ser usados com critério técnico
O uso de reguladores de crescimento pode ser uma ferramenta complementar no manejo do arroz, contribuindo para plantas mais baixas e colmos mais curtos.
No entanto, o uso deve ser criterioso e sempre baseado em recomendação técnica, já que aplicações fora do momento adequado podem:
- prejudicar o enchimento dos grãos;
- reduzir o potencial produtivo;
- gerar efeitos indesejados na lavoura.
Manejo integrado é essencial para reduzir riscos
O controle do acamamento não depende de uma única prática, mas da combinação de diferentes fatores de manejo. Entre eles:
- controle eficiente de plantas daninhas, pragas e doenças;
- conservação da estrutura física do solo;
- desenvolvimento adequado do sistema radicular;
- monitoramento constante da lavoura.
O acompanhamento técnico ao longo do ciclo permite ajustes mais precisos e reduz riscos de perdas.
Conclusão
Segundo orientações técnicas, a redução do acamamento no arroz depende de uma estratégia integrada que envolve escolha adequada da cultivar, população equilibrada de plantas, adubação bem planejada, manejo correto da irrigação e monitoramento contínuo da lavoura.
O acompanhamento de um engenheiro agrônomo é fundamental para garantir decisões mais seguras, alinhadas às recomendações técnicas e ao potencial produtivo da cultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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