Ministério Público MT
Atuação do MPMT assegura casa à idosa em Cuiabá
Publicado em
24 de junho de 2026por
Da Redação
Uma história de perseverança, dignidade e justiça social ganhou um novo capítulo em Cuiabá com a atuação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que contribuiu para que fosse reconhecido o direito de uma idosa em situação de extrema vulnerabilidade a receber moradia digna após anos de espera e descaso administrativo.A decisão, proferida no âmbito do Juizado Especial da Fazenda Pública, julgou totalmente procedentes os pedidos formulados pela assistida da Defensoria Pública do Estado, garantindo não apenas a entrega de uma unidade habitacional, mas também a manutenção do aluguel social e o pagamento de indenização por danos morais.A ação foi proposta por uma mulher idosa, não alfabetizada e responsável pelo cuidado de familiares em situação de fragilidade, incluindo um filho com deficiência mental e um esposo gravemente enfermo. Desde 2015, ela aguardava a concretização de um direito que lhe havia sido oficialmente assegurado, que era a contemplação no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, no Residencial Nico Baracat – 2ª Etapa, em grupo prioritário destinado a famílias com pessoa com deficiência.Apesar de ter cumprido todas as etapas exigidas, como apresentação de documentação, entrevistas sociais e cadastramento junto à Caixa Econômica Federal, a moradora nunca recebeu o imóvel prometido, enquanto outros beneficiários foram contemplados a partir de 2020.Diante da omissão do poder público e da agravante condição de vulnerabilidade social, vivendo de favor, sob risco de despejo e em meio a dificuldades financeiras e de saúde, a cidadã buscou apoio na Defensoria Pública, que assumiu sua representação judicial. Paralelamente, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) acompanhou o caso como custos legis, exercendo seu papel constitucional de defesa da ordem jurídica e dos direitos fundamentais.No curso do processo, pelo promotor de Justiça Renee do Ó Souza, foram solicitadas diligências junto à Secretaria Municipal de Habitação e RegularizaçãoFundiária, Secretaria Municipal de Assistência Social e Caixa Econômica Federal, a fim de se amealhar elementos suficientes para melhor compreensão dos entraves existentes em desfavor da autora, visando o efetivo julgamento da causa. Ao fim, em manifestação nos autos quanto ao mérito da demanda, opinou pela procedência integral dos pedidos, destacando a verossimilhança das alegações e evidenciando a grave falha administrativa do Município de Cuiabá, marcada por sucessivos encaminhamentos entre órgãos públicos e ausência de uma resposta efetiva à cidadã.O parecer ministerial ressaltou que a autora foi regularmente contemplada no programa habitacional e que não poderia ser penalizada por entraves burocráticos ou pela desorganização interna da administração pública, caracterizada por sucessivos encaminhamentos entre Secretarias Municipais (Secretaria Municipal de Assistência Social e Desenvolvimento Humano – SMASDH e a Secretária Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência – SADHPD) e ausência de solução efetiva ao caso concreto, em verdadeiro “jogo de empurra”, conforme pontuado também na sentença. Também foi enfatizado que a proteção constitucional conferida às pessoas com deficiência impõe prioridade no acesso a políticas públicas, o que torna ainda mais grave a omissão estatal verificada no caso concreto.Ponderou-se que, diante dos interesses em lide “é indubitável que a resolução efetiva do problema enfrentado pela reclamante, sobreleva-se aos eventuais obstáculos administrativos que possam existir no caso, porquanto as normas burocráticas não podem ser erguidas como entraves à obtenção de moradia adequada e digno por parte do cidadão hipossuficiente, sob pena de esvaziamento das próprias normas constitucionais que garantem o referido direito social”. (sic)Além disso, foi asseverado que “o direito à moradia, assegurado constitucionalmente e infraconstitucionalmente, transcende a mera disponibilização de um imóvel para abrigo, englobando a efetiva integração do indivíduo à sociedade, com acesso a serviços públicos essenciais, infraestrutura e equipamentos urbanos, tendo como finalidade primordial apoiar a criação e a manutenção de moradia para a vida independente da pessoa com deficiência. Do contrário, realmente há que se fazer uma reflexão mais profunda acerca da utilidade do Estado e a vigência/eficácia/equilíbrio do famigerado contrato social a que estamos submetidos”. (sic)Ao proferir a sentença, a juíza Glenda Moreira Borges, em consonância com o parecer ministerial, reconheceu a falha grave do Município, que não comprovou ter adotado medidas efetivas para resolver a situação ao longo de quase uma década. A decisão afastou argumentos como a chamada “reserva do possível” e a alegação de cadastro incompleto, consolidando o entendimento de que a desorganização administrativa não pode ser transferida ao cidadão, sobretudo quando se trata de pessoa em condição de hipervulnerabilidade.No caso, ficou comprovado que a autora sofreu não apenas prejuízos materiais, mas também danos morais relevantes, em razão da insegurança habitacional, da angústia e das situações de humilhação enfrentadas durante anos de tentativas frustradas de acesso ao seu direito.Com a decisão, o Município de Cuiabá foi condenado a entregar, no prazo de 60 dias, uma unidade habitacional adequada às necessidades da família, preferencialmente no Residencial Nico Baracat ou em programa equivalente. Também deverá manter o pagamento do aluguel social no valor de R$ 1.700 mensais até a efetiva entrega do imóvel, além de indenizar a autora em R$ 8 mil por danos morais.
Foto: Prefeitura de Cuiabá.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Ministério Público MT
Mostra Estudantil mobiliza jovens no combate à violência contra a mulher
Published
8 minutos agoon
24 de junho de 2026By
Da Redação
A Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher de Barra do Garças e Pontal do Araguaia realizou, na terça-feira (23), a cerimônia virtual de premiação da Mostra Estudantil de Arte 2026. Com o tema “Cores que Gritam: Dignidade, Respeito e Voz”, a iniciativa mobilizou estudantes na promoção dos direitos das mulheres e na prevenção da violência de gênero por meio da expressão artística.A edição deste ano reuniu 32 escolas dos dois municípios e contabilizou 217 obras inscritas, além de registrar expressiva participação da comunidade, com 9.205 votos populares por meio da plataforma digital do projeto. A mostra estimulou estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio a expressarem, por meio da arte, reflexões sobre os direitos das mulheres e a prevenção da violência. Com mensagens voltadas ao respeito, à igualdade e ao fortalecimento feminino, as obras destacaram valores como sororidade, resiliência e valorização das trajetórias das mulheres. Durante a cerimônia, a promotora de Justiça Luciana Rocha Abrão David, integrante do júri técnico e apoiadora da iniciativa, destacou o alto nível dos trabalhos apresentados e o impacto social do projeto. “Hoje celebramos não apenas os vencedores, mas todos que participaram deste processo, que atingiu seu principal objetivo: engajar a comunidade escolar na reflexão sobre esse tema tão importante”, ressaltou.Foram premiadas as obras “Mulheres que Renascem” (Categoria Especial/Apae), “Stop Violence” (6º ano), “Memórias de uma Lei” (7º ano), “Força Ancestral, Denuncie 180” (8º ano), “Florescer” (9º ano), “Verdadeira Essência” (1º ano do Ensino Médio), “Peso do Amor” (2º ano do Ensino Médio) e “Incontáveis Dias de Luta” (3º ano do Ensino Médio).Também receberam reconhecimento pelo engajamento as instituições que alcançaram 100% de participação das turmas: CMEB Jardim Araguaia, Colégio Cathedral, Escola Interativa Coopema, Escola Estadual Eurico Gaspar Dutra, Escola Estadual Francisco Dourado, Escola Estadual Heronides Araújo e Escola Estadual Waldiza Rego Flores Lopes.A obra “Peso do Amor”, produzida pela turma do 2º Ano A do Instituto Madre Marta Cerutti, obteve a maior nota técnica da mostra e será transformada em um mural externo na unidade escolar. A pintura será executada pelo artista plástico Dupé Ferreira no mês de agosto.A programação incluiu ainda o sorteio de brindes para os estudantes participantes, entre eles um notebook e um smartphone. A comissão organizadora informou que haverá uma exposição presencial das obras, em data a ser divulgada, ampliando o alcance das mensagens construídas pelos estudantes em defesa da dignidade, do respeito e dos direitos das mulheres.Confira o resultado completo aqui.Assista abaixo à live de premiação.
(Com informações da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher de Barra do Garças e Pontal do Araguaia).Fonte: Ministério Público MT – MT
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