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Mercado do milho enfrenta pressão de preços com avanço da safrinha e cenário internacional desfavorável

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O mercado brasileiro de milho segue pressionado pelo avanço da colheita da segunda safra, pelo enfraquecimento da paridade de exportação e por um cenário internacional que ainda favorece o movimento de baixa das cotações. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços médios registrados em junho já figuram entre os menores do ano em diversas regiões produtoras do país.

A combinação entre aumento da oferta, compradores cautelosos e estoques confortáveis tem reduzido o ritmo das negociações no mercado físico. Ao mesmo tempo, os contratos futuros operam próximos da estabilidade nas bolsas internacionais, enquanto analistas recomendam estratégias mais defensivas para a comercialização da safra.

Preços do milho atingem os menores patamares de 2026

Levantamentos do Cepea indicam que as médias parciais de junho, apuradas até o dia 18, já representam os menores níveis nominais do ano em importantes praças produtoras.

A pressão vem principalmente da entrada da segunda safra no mercado. Consumidores internos acompanham o avanço da colheita e, diante de estoques considerados suficientes para o curto prazo, evitam aquisições mais agressivas.

Outro fator que contribui para o recuo das cotações é a queda recente dos preços internacionais, que reduz a atratividade das exportações brasileiras e enfraquece a formação dos preços internos.

Do lado da oferta, produtores que possuem capacidade de armazenagem e não necessitam de liquidez imediata seguem restringindo as vendas, aguardando melhores oportunidades de mercado.

Chicago opera próxima da estabilidade

No cenário externo, os contratos futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a semana com movimentações limitadas.

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O mercado acompanha de perto os desdobramentos das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. A expectativa de avanços diplomáticos entre os dois países tem pressionado os preços do petróleo, influenciando indiretamente o mercado de grãos.

Além da questão geopolítica, os investidores seguem monitorando as condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras norte-americanas, fator que mantém perspectivas positivas para a safra dos Estados Unidos.

B3 registra leves altas nos contratos futuros

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros do milho apresentaram leve recuperação no início da semana.

As principais posições permaneceram negociadas entre R$ 64,00 e R$ 73,00 por saca, refletindo um movimento técnico após as recentes quedas observadas no mercado doméstico.

Apesar dos ganhos pontuais, o ambiente continua marcado por cautela, já que a entrada de grandes volumes da safrinha tende a manter a oferta elevada nas próximas semanas.

Estratégia de venda ganha importância

Diante do atual cenário, consultorias de mercado recomendam que os produtores adotem estratégias mais estruturadas de comercialização.

Segundo a TF Agroeconômica, concentrar vendas durante o pico da colheita pode ampliar a pressão sobre os preços recebidos pelo produtor. A orientação é realizar vendas escalonadas, aproveitar eventuais repiques técnicos e utilizar ferramentas de proteção de preços, como contratos futuros e operações de hedge.

A armazenagem também ganha relevância como instrumento para diluir a oferta ao longo do tempo e reduzir a necessidade de comercialização em momentos de maior pressão do mercado.

Cooperativas e cerealistas, por sua vez, podem intensificar programas de comercialização gradual e ampliar o suporte aos produtores na utilização de instrumentos de gestão de risco.

Compradores encontram ambiente favorável

Para indústrias consumidoras, fábricas de ração e demais segmentos da cadeia, o momento continua favorável para aquisições programadas.

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Com a perspectiva de aumento da disponibilidade de milho no mercado interno, compradores têm conseguido atuar sem necessidade de alongar excessivamente suas posições, realizando compras graduais conforme a demanda.

O cenário também é sustentado por fatores externos, como a menor demanda para produção de etanol nos Estados Unidos, estoques globais relativamente confortáveis e a expectativa de grandes safras na América do Sul.

Clima segue no radar para a próxima temporada

Embora o foco atual esteja na comercialização da safrinha, o mercado já monitora os efeitos climáticos sobre a próxima temporada.

A atuação do fenômeno El Niño pode provocar excesso de chuvas na Região Sul e períodos de irregularidade hídrica acompanhados de temperaturas elevadas no Centro-Oeste.

Para o milho verão, existe preocupação com possíveis atrasos na semeadura em algumas áreas. Já para a segunda safra de 2027, eventuais atrasos no plantio da soja poderiam comprometer a janela ideal de cultivo do cereal.

Perspectiva permanece de cautela

O mercado de milho segue enfrentando um ambiente predominantemente baixista, marcado pelo avanço da colheita brasileira, condições favoráveis para a safra norte-americana e demanda internacional menos aquecida.

Analistas destacam que uma recuperação mais consistente dos preços dependeria de fatores capazes de alterar significativamente a oferta global, especialmente eventuais problemas climáticos no cinturão produtor dos Estados Unidos.

Até lá, a tendência é de manutenção da volatilidade e de atenção redobrada dos produtores na gestão comercial da safra, buscando preservar margens em um cenário de preços pressionados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Agro tem até dia 30 para escolher tributação que pode alterar competitividade em 2027

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Empresas do agronegócio enquadradas no Simples Nacional têm até 30 de outubro para decidir se manterão o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) dentro do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) ou se recolherão os dois tributos pelo regime regular a partir de janeiro de 2027. A escolha poderá afetar o valor dos créditos aproveitados pelos clientes e, consequentemente, a competitividade dos fornecedores.

Quem não fizer a opção continuará automaticamente no modelo tradicional, com IBS e CBS incluídos no DAS. A mudança interessa principalmente às empresas que vendem para cooperativas, indústrias, exportadores e outros compradores que aproveitam créditos tributários.

Essa limitação pode pesar na negociação. Uma cerealista, agroindústria ou fornecedora de insumos que gere pouco crédito poderá se tornar menos atraente para compradores empresariais, sobretudo quando concorrer com fornecedores capazes de transferir créditos maiores.

A alternativa prevista na reforma tributária é permanecer no Simples Nacional para os demais tributos, mas calcular IBS e CBS pelo regime regular. É o chamado modelo híbrido. A empresa continua recolhendo pelo DAS os tributos que permanecerem no Simples, enquanto apura IBS e CBS separadamente.

Nesse modelo, poderá aproveitar os créditos permitidos sobre máquinas, equipamentos, energia, serviços e outros bens e insumos adquiridos. Também poderá gerar créditos pelo regime regular para seus clientes. Em contrapartida, terá mais obrigações fiscais, necessidade de controlar entradas e saídas e possível aumento do custo contábil.

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Por isso, não existe uma resposta única para o agronegócio. Manter IBS e CBS dentro do Simples pode continuar sendo vantajoso para empresas que vendem principalmente ao consumidor final, possuem poucos gastos capazes de gerar créditos e valorizam uma operação tributária mais simples.

Já a apuração pelo regime regular merece ser simulada por empresas que vendem predominantemente a outras pessoas jurídicas, realizam investimentos elevados ou compram grande quantidade de insumos tributados. Nesses casos, os créditos podem compensar parte do aumento da burocracia e preservar a competitividade comercial.

A conta também precisa incluir os tratamentos diferenciados concedidos ao setor. A legislação prevê redução de 60% das alíquotas de IBS e CBS para determinados produtos agropecuários, aquícolas, pesqueiros, florestais e extrativistas in natura, além de insumos agropecuários incluídos nas listas legais. Há ainda operações sujeitas a alíquota zero, diferimento ou créditos presumidos.

Esses benefícios, entretanto, não alcançam automaticamente toda empresa ligada ao agronegócio. A aplicação depende do produto, da operação, da classificação fiscal e das condições previstas na legislação. Uma empresa pode ter receitas submetidas a tratamentos diferentes dentro da mesma atividade.

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A decisão, portanto, não deve considerar apenas o percentual atualmente pago no DAS. É necessário comparar o valor total dos tributos, os créditos aproveitáveis nas compras, os créditos transferidos aos clientes, o perfil das vendas, o efeito sobre os preços, o fluxo de caixa e o custo adicional de cumprimento das obrigações fiscais.

A Receita Federal informa que a opção pelo regime regular de IBS e CBS poderá ser feita até 30 de outubro de 2026. Quem não optar continuará recolhendo os dois tributos dentro do Simples. A escolha poderá ser cancelada entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Haverá uma nova oportunidade em março de 2027, com efeitos a partir de julho.

Para as empresas do agro, o Simples não deixou de ser uma boa opção. O que terminou foi a segurança de escolhê-lo apenas porque a alíquota parece menor. A partir de 2027, o crédito tributário concedido ao comprador pode ser tão importante quanto o imposto pago pelo fornecedor.

Fonte: Pensar Agro

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