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Café perde força com avanço da colheita e perspectiva de safra recorde no Brasil

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O mercado global de café entrou em uma nova fase de acomodação dos preços diante do avanço da colheita brasileira e da expectativa de uma safra recorde no ciclo 2026/27. A avaliação consta no relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário de maior oferta mundial e menor sustentação para as cotações internacionais.

Após registrar fortes valorizações nos últimos anos, o café arábica passou por uma correção expressiva entre maio e junho, movimento impulsionado pela melhora das perspectivas de produção e pelo avanço dos trabalhos de colheita nas principais regiões produtoras do Brasil.

Colheita avança e pressiona mercado

Com condições climáticas mais secas no final de maio e início de junho, os produtores conseguiram acelerar a colheita, favorecendo a maturação dos grãos e aumentando a disponibilidade de café no mercado.

Apesar do ritmo ainda ligeiramente abaixo da média histórica para o período, a entrada da nova safra reforçou a percepção de oferta mais confortável, contribuindo para a queda das cotações.

O café arábica negociado na Bolsa de Nova York acumulou recuo de 18% entre o início de maio e 10 de junho, encerrando o período cotado a US$ 2,48 por libra-peso. No mercado brasileiro, a desvalorização foi ainda mais intensa, com o arábica registrando queda de 21% e fechando próximo de R$ 1.383 por saca.

As primeiras áreas colhidas apresentam relatos de grãos com peneira menor, reflexo das condições climáticas observadas durante a fase de enchimento. No entanto, os analistas ressaltam que ainda é cedo para conclusões definitivas sobre possíveis impactos na produtividade final da safra.

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Robusta apresenta comportamento mais resiliente

Enquanto o arábica registrou perdas expressivas, o café robusta apresentou desempenho mais estável no mercado internacional.

Na Bolsa de Londres, os contratos acumularam retração de aproximadamente 6% no mesmo período, movimento considerado mais moderado diante da valorização do dólar e do estreitamento dos diferenciais entre os mercados brasileiro e internacional.

No mercado doméstico, o conilon chegou a registrar leve valorização, sustentado pela demanda e pelo deságio elevado em relação ao arábica, fator que favorece sua competitividade junto à indústria.

Safra recorde amplia expectativa de superávit global

O principal fator de pressão sobre os preços continua sendo a perspectiva de ampla oferta mundial para a temporada 2026/27.

Segundo o Itaú BBA, as projeções mais recentes apontam para um superávit global próximo de 13 milhões de sacas, resultado impulsionado principalmente pelo Brasil, responsável por cerca de 80% do crescimento esperado na produção mundial.

As estimativas indicam que a safra brasileira poderá alcançar aproximadamente 72 milhões de sacas, consolidando um dos maiores volumes já registrados pelo país.

O aumento da produção brasileira deverá fortalecer as exportações e ampliar a disponibilidade global do produto, reduzindo a percepção de escassez que sustentou as cotações nos últimos ciclos.

Mercado deve seguir em trajetória de acomodação

Diante da combinação entre safra elevada, estoques mais confortáveis e expectativa de exportações robustas, os analistas avaliam que os preços tendem a permanecer sob pressão ao longo dos próximos meses.

O movimento de acomodação é observado principalmente no café arábica, que ainda negocia com prêmio em relação ao conilon e possui maior espaço para ajustes nas cotações.

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Além da ampliação da oferta, a redução das posições compradas por fundos de investimento também contribui para o enfraquecimento do mercado futuro.

El Niño surge como principal fator de risco

Embora o cenário atual seja predominantemente baixista para os preços, o clima permanece como a principal variável capaz de alterar as projeções do mercado.

A confirmação do fenômeno El Niño pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aumenta as preocupações em relação à formação da próxima safra brasileira.

Especialistas alertam que o fenômeno pode provocar irregularidade nas chuvas, antecipação da florada e períodos subsequentes de calor e estiagem, comprometendo o potencial produtivo das lavouras.

Além do Brasil, países asiáticos produtores de robusta, como Vietnã e Indonésia, também podem enfrentar riscos climáticos relevantes caso o fenômeno se intensifique nos próximos meses.

Oferta maior deve limitar recuperação dos preços

Apesar dos riscos climáticos monitorados pelo mercado, o cenário predominante para o café em 2026/27 continua sendo de oferta abundante e preços mais acomodados.

A confirmação de uma safra recorde no Brasil e o avanço da produção global reforçam a expectativa de superávit, reduzindo as chances de movimentos consistentes de alta no curto prazo.

Nesse contexto, os produtores devem manter atenção redobrada à evolução climática, às condições da colheita e às oportunidades de comercialização, em um mercado que tende a apresentar maior seletividade e volatilidade ao longo da temporada.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

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A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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