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Balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 4,7 bilhões em junho com avanço das exportações do agronegócio

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O comércio exterior brasileiro segue em ritmo acelerado em junho. Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o Brasil registrou superávit de US$ 1,5 bilhão na segunda semana do mês, resultado de exportações de US$ 8,4 bilhões e importações de US$ 7 bilhões.

Com o desempenho da semana, o saldo positivo acumulado de junho alcançou US$ 4,7 bilhões. No período, as exportações somam US$ 16,4 bilhões, enquanto as importações totalizam US$ 11,7 bilhões. A corrente de comércio — soma de exportações e importações — atingiu US$ 28,1 bilhões.

Comércio exterior mantém trajetória positiva em 2026

No acumulado do ano, a balança comercial brasileira registra exportações de US$ 165 bilhões e importações de US$ 127,6 bilhões, resultando em superávit de US$ 37,3 bilhões. A corrente de comércio já alcança US$ 292,6 bilhões, evidenciando a relevância do setor externo para a economia nacional.

Os números reforçam a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional e a continuidade da demanda global por commodities agrícolas, minerais e manufaturados produzidos no país.

Exportações avançam mais de 25% em junho

A média diária das exportações brasileiras até a segunda semana de junho atingiu US$ 1,819 bilhão, representando crescimento de 25,3% em relação à média registrada em junho de 2025, quando o valor diário foi de US$ 1,451 bilhão.

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As importações também apresentaram crescimento, embora em ritmo menor. A média diária importada alcançou US$ 1,301 bilhão, avanço de 12,3% frente aos US$ 1,158 bilhão observados no mesmo período do ano passado.

Como resultado, a corrente de comércio média diária chegou a US$ 3,12 bilhões, alta de 19,5% na comparação anual.

Agropecuária lidera crescimento das exportações

O setor agropecuário foi um dos principais responsáveis pelo desempenho positivo da balança comercial em junho. Na comparação com o mesmo período de 2025, a média diária das exportações do segmento aumentou US$ 93,6 milhões, o que representa crescimento de 27,1%.

O resultado reflete a forte demanda internacional por produtos do agronegócio brasileiro, especialmente soja, milho, carnes, café, açúcar e celulose, que seguem entre os principais itens exportados pelo país.

Além do agro, a Indústria Extrativa apresentou expansão de 42,7% nas exportações, com aumento médio diário de US$ 133,9 milhões. Já a Indústria de Transformação registrou crescimento de 17,4%, equivalente a US$ 137,1 milhões por dia.

Importações também crescem, puxadas pela indústria

No lado das importações, a Indústria de Transformação liderou o avanço, com aumento médio diário de US$ 134,1 milhões, crescimento de 12,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

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A Indústria Extrativa registrou alta de 13,4%, enquanto as importações ligadas à agropecuária cresceram 3,6%.

O movimento reflete a recuperação da atividade econômica e a necessidade de aquisição de insumos, máquinas, equipamentos e matérias-primas para abastecer os diversos setores produtivos do país.

Agronegócio segue estratégico para o saldo comercial

O desempenho da agropecuária reforça o papel estratégico do agronegócio na geração de divisas para o Brasil. Em um cenário de demanda internacional aquecida e boa competitividade dos produtos brasileiros, o setor continua sendo um dos principais sustentáculos do saldo positivo da balança comercial.

A expectativa do mercado é que as exportações permaneçam robustas ao longo do segundo semestre, impulsionadas pela continuidade dos embarques de grãos, proteínas animais e produtos florestais, fortalecendo ainda mais a participação do agronegócio na economia brasileira.

Balança Comercial – 2º Semana de Junho/2026

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Vacilos do Trump faz Brasil se aproximar da liderança mundial no agro

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A distância que durante décadas separou Brasil e Estados Unidos no comércio mundial do agronegócio praticamente desapareceu. Em 2025, os norte-americanos exportaram o equivalente a cerca de R$ 883 bilhões em produtos agrícolas, enquanto as vendas brasileiras chegaram a aproximadamente R$ 871 bilhões. Uma diferença de apenas 1,4% entre dois países que começaram este século em posições muito distantes.

Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram mais do que uma aproximação circunstancial. Enquanto o Brasil ampliou produção, produtividade e presença em novos mercados, as exportações norte-americanas cresceram em ritmo bem menor e passaram a enfrentar dificuldades em destinos estratégicos.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou R$ 871 bilhões, considerando a conversão dos valores divulgados oficialmente. Foi o maior resultado da série histórica e representou crescimento de 3% sobre o ano anterior.

Os Estados Unidos encerraram o mesmo período com aproximadamente R$ 883 bilhões em exportações agrícolas.

A diferença de cerca de R$ 12 bilhões é pequena diante do tamanho do comércio dos dois países e mostra quanto a posição relativa mudou.

No início dos anos 2000, as exportações agrícolas americanas eram mais de duas vezes e meia superiores às brasileiras. Em apenas cinco anos, enquanto as vendas externas dos Estados Unidos cresceram aproximadamente 14%, as brasileiras avançaram 68%.

O movimento continua em 2026.

Entre janeiro e julho, o agronegócio brasileiro exportou aproximadamente R$ 533 bilhões, novo recorde para o período. Somente em julho foram cerca de R$ 84 bilhões, também a maior marca já registrada para o mês.

Parte da aproximação pode ser explicada por uma diferença estrutural entre os dois concorrentes.

Os Estados Unidos possuem uma fronteira agrícola praticamente consolidada e enfrentam limitações para aumentar significativamente sua área cultivada. Na pecuária bovina, o rebanho norte-americano está próximo dos menores níveis das últimas sete décadas, situação que reduziu a disponibilidade de animais e aumentou a necessidade de importação de carne.

O Brasil ainda possui maior capacidade de crescimento da produção, seja pela incorporação de áreas já abertas, seja principalmente pelo aumento da produtividade e pela possibilidade de realizar duas ou até três safras na mesma área durante o ano.

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Essa vantagem aparece com clareza na soja.

Brasil e Estados Unidos estão entre os grandes responsáveis pela oferta mundial da oleaginosa, mas o Brasil assumiu a liderança tanto na produção quanto nas exportações e passou a ocupar uma parcela crescente do mercado chinês.

A China é justamente onde a diferença entre os dois países se tornou mais evidente.

Em 2025, os chineses compraram aproximadamente R$ 285 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro. O país asiático respondeu sozinho por 32,7% de tudo o que o setor exportou.

No comércio agrícola norte-americano ocorreu o movimento contrário.

A China, que durante anos esteve entre os principais compradores dos Estados Unidos, caiu para a sexta posição entre os destinos do agro americano em 2025. As vendas recuaram 66% em apenas um ano, para aproximadamente R$ 43 bilhões.

O próprio USDA associa essa retração às tarifas recíprocas e à redução das compras chinesas de soja norte-americana.

A disputa comercial entre Washington e Pequim acelerou uma mudança que já vinha ocorrendo por razões produtivas. Diante das tarifas impostas aos produtos americanos, importadores chineses aumentaram a procura por fornecedores alternativos, e o Brasil estava em posição privilegiada para atender essa demanda.

O efeito ultrapassou a soja.

O Brasil ampliou participação internacional em carnes, algodão, milho e outros produtos agropecuários e passou a disputar mercados que historicamente tinham forte presença dos Estados Unidos.

Na carne bovina, a inversão é particularmente significativa. O Brasil consolidou-se como maior exportador mundial, enquanto os Estados Unidos, pressionados pela redução de seu rebanho, aumentaram as importações para abastecer o próprio mercado.

Essa situação levou recentemente o governo norte-americano a ampliar em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra que poderá entrar no país dentro da cota com tarifa reduzida até o fim deste ano, criando uma oportunidade adicional para fornecedores como o Brasil.

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A política comercial adotada pelo governo Donald Trump acrescentou uma nova variável a essa disputa.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos atingiram também produtos brasileiros e criaram dificuldades para cadeias que dependem mais diretamente daquele mercado. Café, carnes, suco de laranja e determinados produtos industrializados estão entre os segmentos mais expostos às decisões de Washington.

O efeito sobre o conjunto do agronegócio brasileiro, entretanto, é limitado pela diversificação dos destinos.

Em 2025, os Estados Unidos compraram aproximadamente R$ 59 bilhões em produtos do agro brasileiro, equivalentes a 6,7% das exportações do setor. A China comprou quase cinco vezes esse valor.

Essa diferença ajuda a explicar por que medidas comerciais americanas podem provocar impactos severos em determinadas cadeias sem necessariamente interromper o crescimento das exportações do agronegócio como um todo.

Também mostra por que a abertura de mercados passou a ter peso estratégico para o Brasil. Quanto maior o número de compradores disponíveis para carnes, grãos, fibras, café, frutas e produtos processados, menor a dependência de decisões comerciais tomadas por um único país.

Para o produtor rural, a aproximação dos Estados Unidos no ranking mundial não representa apenas uma disputa estatística. Mercados adicionais significam mais alternativas para escoar a produção e podem aumentar a concorrência entre compradores, especialmente nas cadeias em que o Brasil já possui grande excedente exportável.

Há, porém, um risco nessa trajetória. A crescente concentração das vendas brasileiras na China aumenta a exposição às decisões do país asiático. Quase um terço das receitas do agro brasileiro no exterior depende atualmente daquele mercado.

Por isso, o próximo passo da expansão brasileira passa não apenas por vender mais, mas por diversificar compradores e aumentar o valor agregado dos produtos exportados.

A distância para os Estados Unidos, de qualquer forma, nunca foi tão pequena. Depois de décadas perseguindo o maior exportador agrícola do mundo, o Brasil chega à segunda metade de 2026 em condições de disputar uma posição que, no início deste século, parecia muito distante.

Fonte: Pensar Agro

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