AGRONEGÓCIO
Balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 4,7 bilhões em junho com avanço das exportações do agronegócio
Publicado em
17 de junho de 2026por
Da Redação
O comércio exterior brasileiro segue em ritmo acelerado em junho. Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o Brasil registrou superávit de US$ 1,5 bilhão na segunda semana do mês, resultado de exportações de US$ 8,4 bilhões e importações de US$ 7 bilhões.
Com o desempenho da semana, o saldo positivo acumulado de junho alcançou US$ 4,7 bilhões. No período, as exportações somam US$ 16,4 bilhões, enquanto as importações totalizam US$ 11,7 bilhões. A corrente de comércio — soma de exportações e importações — atingiu US$ 28,1 bilhões.
Comércio exterior mantém trajetória positiva em 2026
No acumulado do ano, a balança comercial brasileira registra exportações de US$ 165 bilhões e importações de US$ 127,6 bilhões, resultando em superávit de US$ 37,3 bilhões. A corrente de comércio já alcança US$ 292,6 bilhões, evidenciando a relevância do setor externo para a economia nacional.
Os números reforçam a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional e a continuidade da demanda global por commodities agrícolas, minerais e manufaturados produzidos no país.
Exportações avançam mais de 25% em junho
A média diária das exportações brasileiras até a segunda semana de junho atingiu US$ 1,819 bilhão, representando crescimento de 25,3% em relação à média registrada em junho de 2025, quando o valor diário foi de US$ 1,451 bilhão.
As importações também apresentaram crescimento, embora em ritmo menor. A média diária importada alcançou US$ 1,301 bilhão, avanço de 12,3% frente aos US$ 1,158 bilhão observados no mesmo período do ano passado.
Como resultado, a corrente de comércio média diária chegou a US$ 3,12 bilhões, alta de 19,5% na comparação anual.
Agropecuária lidera crescimento das exportações
O setor agropecuário foi um dos principais responsáveis pelo desempenho positivo da balança comercial em junho. Na comparação com o mesmo período de 2025, a média diária das exportações do segmento aumentou US$ 93,6 milhões, o que representa crescimento de 27,1%.
O resultado reflete a forte demanda internacional por produtos do agronegócio brasileiro, especialmente soja, milho, carnes, café, açúcar e celulose, que seguem entre os principais itens exportados pelo país.
Além do agro, a Indústria Extrativa apresentou expansão de 42,7% nas exportações, com aumento médio diário de US$ 133,9 milhões. Já a Indústria de Transformação registrou crescimento de 17,4%, equivalente a US$ 137,1 milhões por dia.
Importações também crescem, puxadas pela indústria
No lado das importações, a Indústria de Transformação liderou o avanço, com aumento médio diário de US$ 134,1 milhões, crescimento de 12,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Indústria Extrativa registrou alta de 13,4%, enquanto as importações ligadas à agropecuária cresceram 3,6%.
O movimento reflete a recuperação da atividade econômica e a necessidade de aquisição de insumos, máquinas, equipamentos e matérias-primas para abastecer os diversos setores produtivos do país.
Agronegócio segue estratégico para o saldo comercial
O desempenho da agropecuária reforça o papel estratégico do agronegócio na geração de divisas para o Brasil. Em um cenário de demanda internacional aquecida e boa competitividade dos produtos brasileiros, o setor continua sendo um dos principais sustentáculos do saldo positivo da balança comercial.
A expectativa do mercado é que as exportações permaneçam robustas ao longo do segundo semestre, impulsionadas pela continuidade dos embarques de grãos, proteínas animais e produtos florestais, fortalecendo ainda mais a participação do agronegócio na economia brasileira.
Balança Comercial – 2º Semana de Junho/2026
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Published
5 minutos agoon
25 de junho de 2026By
Da Redação
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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