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Vinhos de inverno avançam no Brasil e safra 2026 confirma expansão da vitivinicultura de alta qualidade

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A vitivinicultura brasileira segue ampliando sua presença em novas fronteiras agrícolas e consolidando um modelo produtivo que vem transformando o setor. A safra de vinhos de inverno de 2026 reforça a expansão da produção de vinhos finos de alta gama em regiões do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, impulsionada pela adoção da técnica da Dupla Poda.

Atualmente, 56 vinícolas associadas à Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin) utilizam o sistema, que permite concentrar a maturação e a colheita das uvas durante os meses mais secos do ano, entre junho e agosto. O resultado é a obtenção de matéria-prima de elevada qualidade, favorecendo a produção de vinhos premium e ampliando a competitividade da vitivinicultura nacional.

Dupla Poda revoluciona a produção de vinhos no Brasil

Desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas em 2000 pelo pesquisador mineiro Murilo Regina, a técnica da Dupla Poda promove a inversão do ciclo vegetativo da videira por meio de duas podas anuais.

Com isso, a colheita deixa de ocorrer no período chuvoso do verão e passa para o inverno, quando há menor incidência de chuvas e maior amplitude térmica. Essas condições favorecem a sanidade dos frutos, aumentam a concentração de compostos fenólicos e proporcionam melhor qualidade enológica.

O sistema tem sido fundamental para viabilizar a produção de vinhos finos em áreas tradicionalmente voltadas para atividades como cafeicultura, produção de grãos e pecuária leiteira.

Produção familiar impulsiona diversificação no campo

A vitivinicultura de inverno possui forte presença da agricultura familiar. Segundo a Anprovin, cerca de 90% das vinícolas associadas são propriedades familiares, o que fortalece a diversificação produtiva e cria novas oportunidades de geração de renda no meio rural.

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Além de agregar valor às propriedades, a atividade contribui para a sucessão familiar, estimula o turismo rural e amplia a sustentabilidade econômica das fazendas.

Produção cresce e setor projeta expansão acelerada

A expectativa da Anprovin é de crescimento de 15% na safra de 2026, consolidando uma trajetória de expansão observada nos últimos anos.

Na safra de 2025, a produção total das vinícolas associadas alcançou 1,49 milhão de unidades. A variedade Syrah liderou o volume produzido, representando 42% do total, seguida por Sauvignon Blanc (17%), Cabernet Franc (12%) e Cabernet Sauvignon (10%).

Outras cultivares com participação relevante incluem Malbec, Marselan, Pinot Noir, Chardonnay, Merlot, Tempranillo, Viognier, Touriga Nacional, Moscato e Chenin Blanc.

Atualmente, as vinícolas vinculadas à Anprovin somam aproximadamente 1,49 milhão de pés de videiras e uma produção anual superior a 1,1 milhão de garrafas. A meta da entidade é triplicar sua capacidade produtiva até 2029.

Qualidade certificada fortalece reconhecimento internacional

O crescimento do setor é acompanhado por investimentos em pesquisa, rastreabilidade e certificação. O Centro de Análises e Pesquisa da Anprovin/ABDI, instalado em Brasília com investimentos de R$ 3,4 milhões, atua na padronização e certificação dos vinhos produzidos pelo sistema de inverno.

Além disso, os rótulos associados contam com um selo exclusivo que identifica origem, altitude e lote de produção, ampliando a segurança para consumidores e fortalecendo a reputação do vinho brasileiro no mercado nacional e internacional.

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Regiões produtoras ampliam presença no mapa vitivinícola

A adaptabilidade da Dupla Poda tem permitido a expansão da vitivinicultura em diferentes regiões do país.

No Centro-Oeste, vinhedos localizados em Goiás e no Distrito Federal realizam colheitas entre julho e agosto, cultivando variedades como Syrah, Cabernet Franc, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Malbec, Nebbiolo, Tempranillo e Pinot Noir.

No Nordeste, a Chapada Diamantina, na Bahia, vem se destacando com a produção de Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

Já no Sudeste, estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo consolidam sua posição como importantes polos da vitivinicultura de inverno. Algumas vinícolas dessas regiões já conquistaram pontuações superiores a 90 pontos em avaliações especializadas internacionais, reforçando a qualidade dos vinhos brasileiros.

Oportunidade para diversificação no agronegócio

Com resultados consistentes, suporte técnico e crescente valorização no mercado, a vitivinicultura de inverno se consolida como uma alternativa rentável para produtores rurais que buscam diversificação produtiva.

Em áreas com altitude adequada, solos bem drenados e clima favorável durante o inverno, a tecnologia da Dupla Poda oferece um modelo produtivo capaz de agregar valor à propriedade e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro em um segmento de alto valor agregado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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