AGRONEGÓCIO

Procon de Cuiabá registra 2,7 mil reclamações de consumidores analisadas em 2026

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O Procon Municipal de Cuiabá registrou 2.752 reclamações formalizadas entre 1º de janeiro e 12 de maio de 2026, mantendo alta demanda pelos serviços de defesa do consumidor na capital. Vinculado à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp), o órgão também realizou 1.132 audiências de conciliação nos primeiros meses do ano. O total acumulado de audiências no período 2025/2026 já soma 3.391 procedimentos.

Os números também apontam para o fortalecimento da atuação administrativa do órgão. Até 11 de maio de 2026, foram confeccionadas 398 decisões administrativas, além de 98 Documentos de Arrecadação Municipal (DAMs). Na área de fiscalização, as equipes realizaram 152 ações até 14 de maio, abrangendo denúncias, vistorias e acompanhamento de práticas comerciais na capital.

À frente do Procon Municipal, a secretária adjunta Mariana Almeida Borges afirma que o foco da gestão tem sido garantir respostas mais rápidas e eficientes à população. “Nosso objetivo é fortalecer um Procon cada vez mais acessível, técnico e resolutivo. Quando conseguimos solucionar conflitos ainda na esfera administrativa, reduzimos desgaste para o consumidor e evitamos judicializações desnecessárias”, destacou.

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Os dados demonstram continuidade no crescimento da demanda pelo órgão, movimento já observado em 2025. Em balanço anterior, o Procon havia registrado mais de 9,4 mil atendimentos nos nove primeiros meses do ano passado, superando os índices de 2024 e consolidando a estrutura municipal como referência na mediação de conflitos de consumo.

Segundo Mariana Borges, o avanço é resultado de uma combinação entre fiscalização, orientação e diálogo com fornecedores. “A defesa do consumidor exige equilíbrio. Atuamos tanto na fiscalização das irregularidades quanto na construção de soluções que garantam direitos sem deixar de promover segurança jurídica nas relações de consumo”, afirmou.

Atualmente, o Procon realiza cerca de 400 atendimentos diários. As maiores demandas envolvem energia elétrica, abastecimento de água, bancos e telefonia, principalmente em casos de cobranças indevidas, má prestação de serviço e descumprimento de ofertas.

Entre as estratégias adotadas para agilizar a solução de conflitos está a parceria firmada com a operadora Claro, que implantou um totem de videoconferência na sede do órgão para atendimento direto aos consumidores. A medida permitiu solucionar até 90% das reclamações relacionadas à telefonia sem necessidade de mediação dos servidores. Com os resultados, o Procon também estuda ampliar o modelo para o setor de energia elétrica.

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A estrutura de conciliação segue sendo um dos principais instrumentos para reduzir demandas judiciais e agilizar soluções administrativas. Somente em abril deste ano foram realizadas 335 audiências, enquanto março registrou 341 procedimentos conciliatórios. Já em fevereiro, o órgão contabilizou 261 audiências.

Além do atendimento presencial, o Procon mantém diálogo permanente com concessionárias, empresas e órgãos do sistema de Justiça para fortalecer mecanismos preventivos de resolução de conflitos.

Para Mariana Borges, a atuação integrada tem sido fundamental para ampliar a efetividade do atendimento ao consumidor. “O consumidor precisa sentir que existe um órgão preparado para ouvi-lo e agir. Trabalhamos diariamente para garantir atendimento humanizado, orientação qualificada e fiscalização responsável”, ressaltou.

O órgão também mantém ações educativas e campanhas de conscientização voltadas à prevenção de conflitos e à disseminação de informações sobre os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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AGRONEGÓCIO

Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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