AGRONEGÓCIO

União Europeia retira Brasil de lista de exportação e acende alerta para rastreabilidade no agronegócio

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A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais destinados à alimentação humana e produtos de origem animal ao bloco acendeu um alerta no agronegócio nacional. A medida, relacionada às exigências europeias sobre uso de antimicrobianos na produção animal, passa a valer a partir de 3 de setembro.

O governo brasileiro informou que irá buscar esclarecimentos junto às autoridades europeias, além de defender tecnicamente o sistema sanitário nacional e adotar medidas para tentar reverter a decisão. Apesar da reação diplomática, especialistas avaliam que o episódio reforça uma mudança estrutural nas regras do comércio internacional.

Rastreabilidade e ESG passam a ser exigência central do comércio global

Para a especialista em ESG e conselheira de administração da Sustentalli, Eliana Camejo, a decisão europeia evidencia uma tendência já consolidada no mercado internacional: a exigência crescente por rastreabilidade, governança e comprovação de origem.

Segundo ela, critérios ambientais, sanitários e de governança deixaram de ser diferenciais e passaram a ser exigência comercial.

“O bloco vem deixando claro há anos que suas relações comerciais serão cada vez mais condicionadas à rastreabilidade, controle sanitário, segurança alimentar e responsabilidade ambiental. Isso é ESG na prática”, afirma.

Produtor rural precisa comprovar origem e histórico sanitário

A especialista alerta que a principal mudança exigida do setor produtivo é a capacidade de comprovar informações detalhadas sobre toda a cadeia de produção.

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Na avaliação dela, o produtor rural precisa saber exatamente o que consegue demonstrar em caso de auditoria, fiscalização ou exigência de compradores internacionais.

Entre os pontos críticos estão registros de uso de medicamentos, histórico sanitário dos animais, documentação de origem, manejo, armazenamento de insumos, descarte adequado e identificação de fornecedores.

“O produtor precisa saber se consegue provar hoje tudo o que faz na propriedade. Se houver auditoria ou exigência documental, esses registros existem de forma confiável?”, destaca.

Cinco frentes se tornam prioridade imediata no campo

De acordo com Eliana Camejo, a resposta do setor produtivo precisa ser imediata e estruturada em cinco frentes principais:

  • Organização de registros de uso de antimicrobianos e medicamentos
  • Formalização de protocolos sanitários com acompanhamento veterinário
  • Revisão de fornecedores e parceiros da cadeia produtiva
  • Implantação de sistemas de rastreabilidade por lote ou animal
  • Estruturação de documentação para auditorias e certificações internacionais

A especialista ressalta que o movimento não deve ser tratado como burocracia, mas como uma exigência de mercado.

“O mercado internacional está pedindo prova. Quem não tiver sistema, registro e governança mínima ficará exposto”, afirma.

Exigências devem atingir toda a cadeia do agronegócio

Embora a medida europeia afete diretamente exportadores, o impacto tende a se espalhar por toda a cadeia produtiva. Frigoríficos, cooperativas, tradings e redes varejistas devem repassar exigências de conformidade aos fornecedores.

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Segundo a especialista, mesmo produtores que não exportam diretamente podem ser afetados, já que fazem parte de cadeias produtivas integradas ao mercado internacional.

“A pressão não ficará apenas na ponta exportadora. Ela desce para o campo”, alerta.

Adequação pode se tornar vantagem competitiva no agronegócio

Apesar do cenário de pressão regulatória, especialistas avaliam que a adaptação às novas exigências pode representar oportunidade estratégica para o produtor rural brasileiro.

A estruturação de sistemas de rastreabilidade e governança pode ampliar o acesso a mercados mais exigentes, reduzir riscos comerciais e fortalecer a reputação da produção nacional.

“Quem se antecipar terá vantagem competitiva. O que hoje parece custo pode virar proteção de mercado”, conclui a especialista.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Prefeitura reúne representantes de 41 conselhos municipais para fortalecer políticas públicas em Cuiabá

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A Prefeitura de Cuiabá realizou na tarde desta segunda-feira (18), o Primeiro Encontro de Conselheiros Representantes do Governo Municipal, reunindo cerca de 250 servidores que atuam em aproximadamente 40 conselhos municipais. O evento ocorreu no Auditório da UNIC Beira-Rio e teve como foco a capacitação, integração e fortalecimento da atuação dos conselhos na formulação, fiscalização e acompanhamento das políticas públicas da capital.

Promovido pela Secretaria Municipal Adjunta de Formação do Servidor, o encontro reuniu representantes de diferentes áreas da administração pública, como assistência social, educação, mobilidade urbana, previdência, cultura, direitos da pessoa com deficiência, saúde e meio ambiente.

Segundo a secretária municipal adjunta de Formação do Servidor, Solange Dias, a iniciativa surgiu da necessidade de alinhar orientações e preparar os servidores que representam o município nos conselhos, especialmente diante da renovação e criação de novos colegiados. “Precisamos ter uma linguagem única, alinhar os pensamentos e tirar dúvidas. Muitos servidores estão participando dos conselhos pela primeira vez. Esse encontro permite que os mais experientes compartilhem conhecimento e que todos compreendam melhor seu papel na fiscalização e no acompanhamento das políticas públicas”, afirmou.

Ela destacou ainda que os conselhos são fundamentais para acompanhar a aplicação de recursos públicos e garantir transparência na execução das ações governamentais. “Quando os conselheiros estão capacitados e conscientes de suas responsabilidades, conseguem contribuir para que as políticas públicas avancem com mais eficiência e cheguem de forma mais efetiva à população”, acrescentou.

O chefe de gabinete do prefeito e secretário municipal de Relações Institucionais, Fabrizzio Cruvinel, ressaltou que a atual gestão vem priorizando a reorganização e o fortalecimento dos conselhos municipais como parte da estratégia de aprimoramento da gestão pública. “Sem conselhos fortes, muitas políticas públicas não conseguem funcionar plenamente. Eles ajudam a estruturar ações, fiscalizar recursos e aproximar o poder público das necessidades reais da população”, pontuou.

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De acordo com ele, o encontro também teve como objetivo promover a troca de experiências entre os diferentes conselhos. “Uma solução que funciona em um conselho pode servir de exemplo para outro. Essa integração ajuda a tornar os processos mais eficientes e fortalece a atuação coletiva”, disse.

Durante as palestras, o diretor especial de Assuntos Legislativos, Danilo Gaíva Magalhães dos Santos, destacou o papel estratégico dos conselhos na estruturação das políticas públicas e na viabilização do acesso a recursos estaduais e federais. “Os conselhos ajudam a construir políticas públicas, estruturar projetos e atender exigências técnicas necessárias para a captação de recursos. É um trabalho técnico que impacta diretamente a capacidade do município de executar ações importantes”, explicou.

Ele informou que Cuiabá passou recentemente por um processo de reorganização administrativa dos conselhos e que atualmente o município possui 41 colegiados ativos, com expectativa de ampliação.

O auditor fiscal tributário e assessor executivo da Secretaria Municipal de Economia, Júlio Carlos da Silva, destacou que um dos principais desafios ainda é fortalecer a comunicação entre a gestão pública e a sociedade civil. “O conselho funciona como uma ponte entre o cidadão e a administração pública. Quando ele atua de forma organizada, ajuda a garantir mais eficiência, fiscalização e segurança na aplicação dos recursos públicos”, afirmou.

Entre os participantes, os conselheiros também relataram desafios enfrentados no dia a dia e a importância da formação continuada.

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A servidora Angela Lauriane, integrante do Conselho da Pessoa com Deficiência Física e do Conselho de Assistência Social, destacou que a limitação de recursos financeiros e de pessoal ainda impacta o trabalho dos conselhos. “Esses encontros ajudam a reunir ideias, trocar experiências e buscar soluções em conjunto para melhorar os serviços oferecidos à população”, comentou.

Já Marcos Barbosa Lima, servidor da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) e integrante do Conselho de Educação, defendeu o uso de novas tecnologias para modernizar processos e reduzir burocracias. “A tecnologia pode ajudar muito na organização e na melhoria dos serviços públicos. A ideia é colaborar com soluções práticas e inovadoras”, afirmou.

Representante do Conselho Municipal de Assistência Social, Jairo Rocha enfatizou a importância da capacitação técnica dos conselheiros, principalmente nas áreas de planejamento e orçamento público. “É importante compreender as demandas da população, mas também conhecer a realidade financeira do município para construir propostas viáveis e efetivas”, observou.

Ao final do encontro, a Prefeitura informou que será implantado um calendário permanente de capacitações específicas para os diferentes tipos de conselhos municipais, com foco na qualificação técnica, no fortalecimento institucional e na ampliação da participação social nas decisões públicas de Cuiabá. “O foco é o cidadão lá na ponta, e é para isso que nós estamos trabalhando aqui hoje, para desatar nós e fazer a máquina pública funcionar de verdade através do controle social e da participação popular”, concluiu Fabrizzio Cruvinel.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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