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Queda na produtividade dos animais reduz lucro do confinamento em abril, aponta ICAP

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O confinamento bovino brasileiro encerrou abril de 2026 ainda com margens historicamente positivas, mas em ritmo inferior ao observado nos meses anteriores. Segundo levantamento do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), a principal pressão sobre a rentabilidade não veio do custo diário da alimentação, mas da redução das arrobas produzidas pelos animais abatidos.

O indicador, calculado com base em dados reais de confinamentos monitorados por tecnologias da Ponta — responsáveis pela gestão de aproximadamente 62% das cabeças confinadas do país, segundo o Beef Report Abiec 2025 — mostra perda relevante de lucratividade nas principais regiões produtoras do Brasil.

Custo da arroba produzida dispara no Centro-Oeste

Em abril, o custo da arroba produzida registrou forte avanço no Centro-Oeste, com alta de 18,76%. No Sudeste, o aumento foi mais moderado, de 6,43%.

No Centro-Oeste, o ICAP fechou abril em R$ 13,36 por cabeça ao dia, avanço de 0,98% frente a março. Já no Sudeste, o índice ficou em R$ 12,03 por cabeça ao dia, queda de 1,31%, consolidando o segundo mês consecutivo de custo alimentar inferior ao observado no Centro-Oeste.

Apesar da pressão sobre a margem, o lucro da atividade ainda permanece em patamares elevados:

  • Centro-Oeste: R$ 851,04 por cabeça
  • Sudeste: R$ 1.116,80 por cabeça
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Menor produção de arrobas foi o principal fator de pressão

Segundo análise do ICAP, o principal movimento econômico do mês ocorreu na produtividade dos animais abatidos.

No Centro-Oeste, as arrobas produzidas por animal caíram de 8,40 para 7,80 arrobas em apenas um mês. Com isso, o custo unitário da produção avançou significativamente, reduzindo a lucratividade em cerca de R$ 230 por cabeça frente a março.

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No Sudeste, a redução da produtividade foi parcialmente compensada pela queda no custo da dieta, limitando a pressão sobre os custos finais.

O levantamento reforça que a rentabilidade do confinamento depende não apenas do controle alimentar, mas também da eficiência produtiva dos lotes abatidos.

Custos alimentares seguem relativamente controlados

Na análise do trimestre entre fevereiro e abril de 2026, o Centro-Oeste registrou recuo de 1,32% no custo total da dieta de terminação, encerrando abril em R$ 1.176,30 por tonelada de matéria seca.

Entre os principais grupos de insumos:

  • Volumosos: alta de 5,59%
  • Energéticos: avanço de 3,86%
  • Proteicos: queda de 1,88%

O milho grão seco segue pressionado e opera cerca de 5% acima da média trimestral, refletindo o período de transição para a safrinha. Já a casca de soja apresentou retração de 6,1%, ajudando a aliviar parte da pressão sobre os custos.

Nos proteicos, o DDG continua como principal fator de alta, operando 20,8% acima da média do trimestre.

Sudeste registra segundo mês consecutivo de queda nos custos

No Sudeste, abril consolidou um movimento de redução estrutural dos custos alimentares.

O custo total da dieta de terminação recuou 1,72%, fechando o mês em R$ 1.128,56 por tonelada de matéria seca.

Os destaques foram:

  • Energéticos: queda de 6,33%
  • Proteicos: retração de 6,13%
  • Volumosos: alta de 18,92%

A redução dos energéticos foi puxada principalmente pela casca de soja, que opera 10,4% abaixo da média trimestral.

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Mesmo com o avanço dos custos de bagaço de cana e silagem de cana, impulsionados pelo avanço da safra canavieira, o custo total regional permaneceu em trajetória de queda.

Mercado chinês amplia vantagem do Sudeste

Nas operações voltadas à exportação para a China, o Sudeste apresentou maior rentabilidade em abril.

Segundo o levantamento, o lucro por cabeça destinado ao mercado chinês foi estimado em:

  • Sudeste: R$ 1.186,10 por cabeça
  • Centro-Oeste: R$ 952,82 por cabeça

A diferença é explicada principalmente pelo menor custo de produção observado na região Sudeste.

Inteligência de dados ganha espaço no confinamento brasileiro

O ICAP é calculado com base em dados coletados por tecnologias de gestão utilizadas em confinamentos brasileiros, incluindo o sistema TGC, ferramenta amplamente adotada no setor.

Segundo a empresa responsável pelo indicador, a base reúne milhões de diárias de alimentação bovina e permite acompanhar a evolução dos custos alimentares nas principais regiões produtoras do país.

O índice vem sendo utilizado como ferramenta estratégica para:

  • Planejamento de compra de insumos
  • Avaliação de viabilidade do confinamento
  • Gestão de margem da atividade pecuária

Mesmo com a queda observada em abril, o confinamento brasileiro segue operando em níveis historicamente elevados de rentabilidade, embora o mercado esteja cada vez mais atento à produtividade dos animais e à eficiência operacional dentro da porteira.

Boletim ICAP

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação de açúcar do Brasil ganha força em maio e line-up supera 1,8 milhão de toneladas

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Line-up de açúcar cresce nos portos brasileiros

O line-up de exportação de açúcar nos portos brasileiros voltou a avançar em maio, reforçando o forte ritmo dos embarques do setor sucroenergético em 2026.

Levantamento da agência marítima Williams Brasil aponta que 47 navios aguardavam carregamento de açúcar na semana encerrada em 13 de maio, acima das 43 embarcações registradas na semana anterior.

O volume total programado para exportação alcança 1,837 milhão de toneladas, contra 1,791 milhão de toneladas na semana passada, indicando continuidade da forte movimentação logística nos principais portos do país.

Porto de Santos concentra maior volume de açúcar

O Porto de Santos segue liderando os embarques brasileiros de açúcar, concentrando a maior parte da carga prevista para exportação.

Confira os volumes programados por porto:

  • Porto de Santos: 1.465.638 toneladas
  • Porto de Paranaguá: 270.589 toneladas
  • Porto de São Sebastião: 56 mil toneladas
  • Porto de Maceió: 9,8 mil toneladas
  • Porto do Recife: 21.943 toneladas
  • Porto de Suape: 14 mil toneladas
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O line-up considera navios já atracados, embarcações em espera e aquelas com previsão de chegada até 8 de junho.

Açúcar VHP domina exportações brasileiras

A maior parte da carga programada corresponde ao açúcar VHP, principal produto exportado pelo Brasil no segmento.

Do total previsto:

  • 1.775.970 toneladas são de açúcar VHP;
  • 56 mil toneladas equivalem a VHP ensacado;
  • 6 mil toneladas correspondem ao açúcar refinado A45.

O cenário confirma a forte presença brasileira no mercado global de açúcar bruto, especialmente voltado às refinarias internacionais.

Exportações avançam em volume, mas preços recuam

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de açúcar e melaços seguem em ritmo acelerado em maio.

A receita diária média obtida com os embarques alcança US$ 48,092 milhões nos cinco primeiros dias úteis do mês.

O volume médio diário exportado chega a 136,651 mil toneladas.

Na parcial de maio, o Brasil embarcou 683.255 toneladas de açúcar, gerando receita de US$ 240,461 milhões.

O preço médio da commodity ficou em US$ 351,90 por tonelada.

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Volume sobe mais de 28%, mas preço médio cai

Na comparação anual, o setor registra crescimento expressivo no volume exportado.

O embarque médio diário avançou 28,4% frente às 106,386 mil toneladas registradas em maio de 2025.

Já a receita diária apresenta alta moderada de 1,1% na comparação anual.

Por outro lado, o preço médio do açúcar exportado caiu 21,3% em relação aos US$ 447,10 por tonelada observados no mesmo período do ano passado.

O movimento reflete a maior oferta global da commodity, além da pressão exercida pelas oscilações internacionais do mercado de açúcar.

Mercado acompanha clima, produção e demanda global

O setor sucroenergético segue atento às condições climáticas no Centro-Sul do Brasil, ao ritmo da moagem e à demanda internacional, especialmente de grandes importadores asiáticos e do Oriente Médio.

Além disso, o comportamento do câmbio continua influenciando diretamente a competitividade do açúcar brasileiro no mercado externo, impactando preços e margens de exportação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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