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Crédito de ICMS no agronegócio pode reforçar caixa do produtor sem ampliar endividamento

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O crédito de ICMS segue subutilizado no agronegócio brasileiro e pode representar uma importante fonte de capital de giro para produtores rurais sem necessidade de recorrer a novos financiamentos. Especialistas alertam que falhas fiscais, desconhecimento técnico e ausência de gestão tributária eficiente têm impedido o acesso a valores expressivos já disponíveis dentro das operações do setor.

Segundo dados da Confederação Nacional dos Contadores, mais de 70% das empresas apresentam inconsistências fiscais, situação que compromete diretamente o aproveitamento de créditos tributários previstos na legislação estadual.

O tema ganha ainda mais relevância diante do aumento dos custos de produção, da necessidade de liquidez para planejamento das safras e da busca por maior eficiência financeira no campo.

Crédito de ICMS pode virar capital de giro no agro

De acordo com Altair Heitor, contador, psicólogo e especialista em gestão tributária para o agronegócio, muitos produtores recorrem ao crédito bancário sem perceber que já possuem recursos parados dentro da própria operação.

Segundo ele, o ICMS acumulado pode representar um volume significativo de capital disponível, mas que permanece imobilizado devido à falta de acompanhamento técnico e gestão adequada.

O especialista afirma que existem casos de produtores rurais que conseguiram movimentar mais de R$ 70 milhões em créditos tributários acumulados ao longo dos anos. Em grande parte das situações, os valores estavam disponíveis, porém não eram utilizados por falhas operacionais simples ou ausência de controle fiscal.

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Falhas em notas fiscais estão entre os principais problemas

O aproveitamento do crédito de ICMS depende do correto cumprimento das exigências fiscais e da regularidade documental junto às Secretarias da Fazenda estaduais.

A habilitação normalmente ocorre por meio de sistemas específicos, como o e-CredRural, que exigem precisão nas informações fiscais, organização documental e acompanhamento contínuo das operações.

Entre os principais erros que impedem a recuperação dos créditos estão:

  • Classificação incorreta de NCM;
  • Uso inadequado de CFOP;
  • Falhas no destaque do ICMS nas notas fiscais;
  • Inconsistências em registros contábeis;
  • Divergências nos dados enviados aos sistemas estaduais.

Com o avanço da fiscalização eletrônica e do cruzamento automático de informações, erros formais passaram a gerar bloqueios imediatos nos pedidos de habilitação.

Especialistas alertam que muitos produtores só identificam os problemas quando já perderam prazos ou tiveram créditos indeferidos.

Revisão fiscal pode recuperar valores acumulados nos últimos anos

A recomendação é que produtores e empresas do agronegócio incorporem revisões fiscais periódicas à rotina de gestão da propriedade rural.

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A análise dos documentos fiscais dos últimos cinco anos pode identificar créditos não aproveitados, corrigir inconsistências e recuperar valores relevantes para o caixa da operação.

Além da revisão tributária, a organização documental e a correta emissão das notas fiscais são consideradas fundamentais para garantir segurança no aproveitamento do benefício.

Aproveitamento do ICMS melhora liquidez e reduz dependência bancária

Quando estruturado corretamente, o crédito de ICMS pode gerar impacto direto na rentabilidade das propriedades rurais.

Dependendo do volume de operações e do histórico fiscal, os valores recuperados podem representar entre 3% e 10% do faturamento anual da atividade.

Na prática, isso amplia a liquidez do produtor rural e cria condições para investimento em insumos, tecnologia, expansão da produção e melhoria operacional sem aumento do endividamento.

Segundo especialistas, o aproveitamento estratégico desses créditos também melhora a previsibilidade financeira e reduz a dependência exclusiva de linhas de crédito bancário.

A avaliação é que, diante do cenário de custos elevados e maior pressão sobre as margens do agronegócio, a gestão tributária passa a ocupar posição cada vez mais estratégica dentro da administração rural.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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CTNBio aprova nova biotecnologia do CTC para cana com resistência à broca e tolerância a herbicidas

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O setor sucroenergético brasileiro deu mais um passo no avanço da biotecnologia aplicada à produção de cana-de-açúcar. O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) anunciou a aprovação, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do primeiro evento da tecnologia VerdPRO2, nova geração de cana geneticamente modificada desenvolvida pela companhia.

A nova plataforma biotecnológica reúne resistência à broca-da-cana e tolerância a herbicidas em uma única solução, ampliando as ferramentas de manejo para produtores e usinas em um cenário de crescente busca por produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade no campo.

Nova tecnologia busca reduzir perdas bilionárias nos canaviais

Segundo o CTC, a VerdPRO2 foi desenvolvida para enfrentar dois dos principais desafios agronômicos da cultura da cana-de-açúcar: o controle da broca-da-cana e o manejo de plantas daninhas.

A broca está presente em praticamente todos os canaviais brasileiros e provoca perdas estimadas em cerca de R$ 8 bilhões por ano, impactando diretamente a produtividade, o peso da cana e o teor de açúcar.

Já o controle de plantas invasoras exige elevados investimentos em herbicidas e operações agrícolas, gerando custos superiores a R$ 6 bilhões anuais ao setor.

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Com a nova tecnologia, o objetivo é ampliar o controle da praga e simplificar o manejo de espécies invasoras como grama-seda, capim colonião, capim colchão e braquiária, reduzindo riscos de fitotoxicidade e aumentando a estabilidade produtiva ao longo do ciclo da cultura.

Plataforma VerdPRO2 amplia soluções para o setor sucroenergético

De acordo com o CEO do CTC, César Barros, a aprovação representa um novo marco para a biotecnologia no setor sucroenergético brasileiro.

A tecnologia é resultado de um amplo processo de pesquisa, validação técnica e análise regulatória, consolidando uma abordagem integrada para o manejo agrícola nos canaviais.

Além da resistência genética à broca-da-cana, a plataforma oferece maior eficiência operacional e deverá contar com mais de 14 produtos comerciais voltados ao mercado.

Chegada ao mercado está prevista para a safra 2026/27

Após a conclusão dos trâmites legais e regulatórios, a previsão é de que a VerdPRO2 chegue ao mercado na safra 2026/27.

Segundo o CTC, a introdução da tecnologia será realizada de forma gradual e próxima aos clientes, permitindo demonstrações práticas em condições reais de cultivo.

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O modelo prevê acompanhamento técnico das áreas comerciais, geração de dados de desempenho no campo e adaptação das recomendações de manejo conforme as necessidades dos produtores e usinas parceiras.

Biotecnologia reforça meta de dobrar produtividade da cana até 2040

A aprovação da VerdPRO2 reforça a estratégia do CTC de ampliar o uso da biotecnologia no desenvolvimento da cana-de-açúcar brasileira.

A nova plataforma representa uma evolução em relação à primeira geração de biotecnologia lançada pela companhia em 2017 e integra o plano da empresa de desenvolver soluções capazes de dobrar a produtividade da cultura até 2040.

A estratégia combina avanços em genética, biotecnologia, novas técnicas de plantio e manejo agrícola, em linha com a crescente demanda por eficiência, sustentabilidade e competitividade no agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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