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Crédito rural entra em nova era com exigência de monitoramento remoto e pressão sobre bancos

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A publicação da Resolução CMN nº 5.267/2025 marca uma mudança estrutural no modelo de fiscalização do crédito rural no Brasil. A nova regra amplia as exigências de monitoramento por sensoriamento remoto e impõe às instituições financeiras um novo padrão de controle técnico, rastreabilidade e conformidade nas operações agropecuárias.

Na avaliação de Vitor Ozaki, CEO da Picsel e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), a medida representa um divisor de águas para o setor, ao transformar o uso de imagens de satélite e inteligência geoespacial em requisito regulatório obrigatório para parte relevante das operações de crédito rural.

Segundo o Voto 78/2025-CMN, que fundamenta a resolução, a obrigatoriedade será aplicada, de forma cumulativa, às operações de custeio e investimento contratadas a partir de 1º de março de 2026, vinculadas a empreendimentos com área superior a 300 hectares.

O objetivo é ampliar o uso do sensoriamento remoto em operações nas quais a tecnologia já apresenta maior confiabilidade operacional, escala e redução de custos de observância para os agentes financeiros.

Nova regra amplia pressão operacional sobre instituições financeiras

Embora a exigência represente avanço regulatório, o sistema financeiro já vinha sendo preparado gradualmente para esse movimento. A Resolução nº 4.427/2015 autorizou o uso do sensoriamento remoto para fiscalização das operações de crédito rural e determinou o registro das coordenadas geodésicas dos empreendimentos financiados no Sicor.

Agora, porém, a principal mudança é que a tecnologia deixa de ser apenas uma possibilidade operacional e passa a integrar o conjunto obrigatório de mecanismos de fiscalização.

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A medida amplia significativamente o peso operacional sobre bancos, cooperativas e demais instituições que atuam no financiamento do agronegócio brasileiro.

Risco de retração no crédito preocupa setor agropecuário

O cenário acende um alerta para possíveis impactos no acesso ao crédito rural, especialmente em regiões menos estruturadas tecnologicamente ou entre produtores com menor disponibilidade de dados georreferenciados.

O Plano Safra 2024/2025 anunciou R$ 400,59 bilhões para o crédito rural empresarial. No entanto, entre julho de 2024 e junho de 2025, o volume efetivamente concedido ficou em R$ 369,8 bilhões.

Para especialistas, a exigência de evidências técnicas contínuas pode tornar a concessão de crédito mais criteriosa e elevar os custos operacionais das instituições financeiras, aumentando o risco de retração em determinados perfis de operação.

A busca por maior transparência e rastreabilidade tende a fortalecer a governança do sistema, mas também pode ampliar desigualdades já existentes no acesso ao financiamento rural.

Tecnologia passa de diferencial competitivo para exigência regulatória

Com a nova resolução, o uso de dados satelitais, inteligência geoespacial e monitoramento digital deixa de ser um diferencial competitivo e passa a integrar o núcleo básico de conformidade regulatória.

Grandes instituições financeiras possuem maior capacidade para absorver investimentos em tecnologia e infraestrutura analítica. Já cooperativas de crédito e agentes menores tendem a depender de fornecedores externos especializados para atender às novas exigências do Conselho Monetário Nacional.

Esse movimento pode acelerar a concentração de mercado no sistema de crédito rural, historicamente sustentado pela diversidade de agentes financeiros.

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Interpretação de dados será desafio estratégico no agro

O desafio, contudo, não está apenas na coleta de imagens por satélite. A interpretação correta dos dados, validação de ciclos produtivos, identificação de inconsistências e elaboração de relatórios técnicos confiáveis serão fatores decisivos para o cumprimento das novas regras.

Nesse contexto, empresas especializadas em inteligência geoespacial ganham relevância ao oferecer metodologias, integração de dados satelitais e modelos analíticos voltados à realidade do agronegócio brasileiro.

Mesmo assim, especialistas alertam que a adoção dessas soluções tende a ocorrer de forma desigual entre os diferentes agentes financeiros.

Regulação moderna expõe gargalos estruturais do crédito rural

Para Vitor Ozaki, a Resolução CMN nº 5.267/2025 moderniza o monitoramento do crédito rural ao incorporar critérios técnicos compatíveis com a complexidade do agronegócio nacional.

Por outro lado, a medida também evidencia uma contradição estrutural: o avanço regulatório ocorre antes da plena preparação operacional do sistema financeiro para executar as novas exigências em larga escala.

O resultado deverá ser um período de forte adaptação tecnológica e operacional, no qual instituições financeiras precisarão reformular processos internos rapidamente para evitar que uma medida criada para ampliar a transparência se transforme em uma nova barreira de acesso ao crédito rural brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Prefeitura de Cuiabá reparou de mais de 20 mil buracos na região Sul

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Dados consolidados até o dia 8 de maio apontam que 20.840 buracos já foram resolvidos na região Sul de Cuiabá, incluindo dezenas de ruas e avenidas de diversos bairros, por meio do mutirão de tapa-buracos desencadeado pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras. No geral, são mais de 30 mil buracos já resolvidos na cidade.

Nesta quarta-feira (13), o mutirão acontece nos bairros Jardim Liberdade, Jardim Loureira Borba, Residencial Aricá, São Sebastião, Osmar Cabral, Santa Laura e Jardim Fortaleza. Enquanto isso, as equipes de emergência atendem às demandas no São Gonçalo Beira Rio e na Região Central, na Rua 24 de Outubro, no CPA e Três Barras.

O programa do mutirão entrou em ação no dia 14 de abril, visando agilidade no atendimento e foco no resultado. Por isso, acontece com as equipes todas centradas nos bairros programados. A iniciativa não tem data para parar. Conforme vão sendo concluídas as demandas em um local, as equipes são destinadas para outros. A definição da ordem dos atendimentos segue a alta demanda dos registros feitos por meio dos canais oficiais da Prefeitura, de protocolos e pedidos de vereadores.

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Desde o início, nos bairros Altos do Parque 1 e 2, já foram atendidos Jardim Paulicéia, Real Parque, Parque Cuiabá, Jockey Club, Cohab São Gonçalo, Pedregal, Renascer, Jardim Gramado, Nossa Senhora Aparecida, Jardim Comodoro, Jardim Buriti, São José, Residencial Coxipó, Itapajé, Jardim Presidente, São Francisco (Av. Aycar Saddi), Nico Baracat, Mirante do Parque, Nova Conquista, Manduri e os demais bairros citados no início do texto, onde o tapa-buracos está acontecendo esta semana.

Também foram atendidas demandas dos bairros Cidade Verde e Santa Rosa, além de serviços de capa de drenagem no Jardim das Américas, trevo do Jardim Itália, Ubirajara, região Central e outras localidades. Há ainda obras emergenciais na região do Florais e na linha de ônibus do Gamaliel.

No bairro Manduri, especificamente na Rua das Orquídeas, a situação crítica perdurava há mais de 8 anos e a solução foi recapear a via, uma vez que o tapa-buracos não era possível devido ao desgaste da malha viária, com crateras.

A via é estratégica para os moradores da região adjacente, pois interliga vários bairros, como Pascoal Ramos, Osmar Cabral, São João Del Rey, Pedra 90 e até a Avenida das Torres, facilitando muito o tráfego para todos. Além disso, é caminho para o trabalho de muitos moradores. “Eu passo sempre aqui há uns 10 anos, desde que moro nessa região, e utilizo a via para ir e voltar do trabalho. A situação, como vocês viram, era caótica em uma via que facilita a nossa vida. É um sonho para todos nós que moramos nessa região ter a via reconstruída, é uma maravilha”, afirmou Waldisclei Roberto, do bairro São Francisco.

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“Fizemos um reparo profundo, com a remoção do material deteriorado e já comprometido pela infiltração de água na base e sub-base. Após essa remoção, foi aplicado o cascalho típico do cerrado, em condição seca e de melhor qualidade, o que permite uma base mais resistente. Depois de compactada, foi feita a aplicação da capa asfáltica, utilizando CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), garantindo maior qualidade ao serviço”, explicou o diretor de Infraestrutura da Secretaria Municipal de Obras, Ricardo Rodrigues.

Estima-se ainda que, nesta semana (de 11 a 15), mais de 4 mil buracos sejam sanados na região Sul.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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