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Produção de trigo no Brasil deve cair em 2026 e sustenta preços no mercado interno

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Projeção de safra menor já impacta o mercado de trigo

A expectativa de uma redução na produção de trigo no Brasil em 2026 já começa a influenciar o mercado doméstico. De acordo com dados do Cepea, a perspectiva de menor oferta nacional tem contribuído para manter os preços internos do cereal firmes, diante de um cenário de disponibilidade mais restrita.

Produção pode atingir o menor volume desde 2020

As estimativas mais recentes indicam que a safra brasileira de trigo pode alcançar 6,6 milhões de toneladas em 2026. Caso o número se confirme, será o menor volume registrado desde 2020.

Na comparação com a safra anterior, a queda projetada é de 16%, o que representa uma redução superior a 1,2 milhão de toneladas na produção nacional.

Redução da área plantada reforça cenário de retração

A diminuição da produção está diretamente ligada à redução da área cultivada. Para 2026, o plantio de trigo no Brasil deve ocupar cerca de 2,22 milhões de hectares, uma queda de 9,2% em relação a 2025.

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Embora haja aumento na área estimada em Minas Gerais, a retração prevista para o Rio Grande do Sul — principal estado produtor — exerce maior peso sobre o resultado nacional.

Queda na produtividade agrava impacto na oferta

Além da menor área plantada, a produtividade também deve recuar. A estimativa aponta rendimento médio de 2.979 quilos por hectare, o que representa uma queda de 7,5% frente ao ciclo anterior.

A combinação entre redução de área e menor desempenho no campo reforça a expectativa de uma safra mais enxuta, com impacto direto na oferta do cereal no país.

Rentabilidade e riscos influenciam decisão dos produtores

O cenário de menor produção reflete desafios enfrentados pelos produtores nas últimas temporadas. Entre os principais fatores estão a rentabilidade mais apertada, as incertezas climáticas e os riscos relacionados à comercialização do trigo.

Esses elementos têm contribuído para uma postura mais cautelosa por parte dos agricultores no momento de definir o plantio.

Preços abaixo do mínimo reduzem estímulo ao cultivo

Outro ponto relevante é o comportamento dos preços. Segundo o Cepea, desde o segundo semestre de 2025, as negociações de trigo no Sul do Brasil vêm ocorrendo abaixo dos valores mínimos estabelecidos pela Política Nacional de Preços Mínimos.

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Esse cenário reduz o incentivo ao plantio e ajuda a explicar a retração na área cultivada. Ao mesmo tempo, a expectativa de menor produção passa a atuar como fator de sustentação das cotações internas.

Menor oferta tende a manter mercado firme

Com a perspectiva de uma safra reduzida em 2026, o mercado brasileiro de trigo deve seguir com preços sustentados no curto prazo. A menor disponibilidade do produto no país reforça o equilíbrio entre oferta e demanda, mantendo o cereal valorizado no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária leiteira enfrenta desafio de rentabilidade em meio a custos elevados e mudanças climáticas

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A pecuária leiteira brasileira atravessa um momento de desafios para transformar produção em rentabilidade. Embora o Brasil tenha ultrapassado a marca de 38 bilhões de litros de leite produzidos em 2025, consolidando-se entre os maiores produtores mundiais, a rentabilidade das fazendas continua pressionada por custos elevados, oscilações climáticas e necessidade crescente de eficiência produtiva.

Segundo análise da médica-veterinária Vanessa Amorim Teixeira, mestre e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e analista de mercado agro da Belgo Arames, o cenário exige que o produtor vá além do aumento da produção e concentre esforços na gestão da propriedade e na otimização dos recursos.

Preço do leite reage, mas ainda não recupera margens

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o preço médio nacional do leite cru pago ao produtor alcançou R$ 2,66 por litro em abril de 2026, demonstrando recuperação em relação aos meses anteriores.

Apesar da melhora, a remuneração permanece inferior aos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro, alcançado em julho de 2022.

Ao mesmo tempo, despesas com energia elétrica, mão de obra, suplementação alimentar e outros custos operacionais continuam reduzindo as margens da atividade.

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Clima aumenta pressão sobre os sistemas de produção

Outro fator de preocupação é o comportamento climático. A formação do fenômeno El Niño pode provocar temperaturas mais elevadas e maior irregularidade das chuvas em diversas regiões produtoras, comprometendo a disponibilidade e a qualidade das pastagens.

Como grande parte da pecuária leiteira brasileira depende do pastejo, a redução da oferta de forragem tende a impactar diretamente o consumo de nutrientes pelos animais, reduzindo a produção de leite.

Além disso, a menor disponibilidade de água e alimento pode aumentar o estresse do rebanho, comprometendo o bem-estar animal, a saúde e o desempenho produtivo.

Planejamento torna-se fator decisivo para a rentabilidade

Diante desse cenário, especialistas destacam que a sustentabilidade econômica da atividade depende cada vez mais da eficiência da gestão.

Entre as principais estratégias recomendadas estão:

  • planejamento da alimentação para os períodos de seca;
  • formação de reservas estratégicas de forragem;
  • monitoramento constante dos indicadores técnicos e financeiros;
  • controle rigoroso dos custos de produção;
  • manejo adequado das pastagens;
  • adoção de sistemas de pastejo rotacionado.

Essas práticas permitem aumentar o aproveitamento dos recursos da propriedade e reduzir a vulnerabilidade diante das oscilações de mercado e do clima.

Infraestrutura pode elevar produtividade e reduzir custos

Os investimentos em infraestrutura também ganham importância dentro das propriedades leiteiras. Um dos exemplos é o cercamento estratégico das áreas de pastejo, que possibilita a divisão das pastagens em piquetes para manejo rotacionado.

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Esse sistema favorece a recuperação das forrageiras, melhora a utilização da área disponível, aumenta a capacidade de suporte da propriedade e reduz a necessidade de suplementação alimentar, um dos principais componentes do custo de produção.

Como consequência, os produtores podem obter ganhos como:

  • aumento da produção de leite por hectare;
  • maior produtividade por animal;
  • redução dos gastos com alimentação suplementar;
  • melhor aproveitamento das pastagens;
  • menor custo de manutenção das áreas de manejo.
Tecnologia e gestão fortalecem a competitividade

Segundo Vanessa Amorim Teixeira, investir em infraestrutura de qualidade e em tecnologias voltadas para o manejo do rebanho e das pastagens deixou de ser apenas uma melhoria operacional e passou a representar uma estratégia de gestão.

A especialista destaca que soluções como cercas elétricas de alta durabilidade facilitam a implantação do pastejo rotacionado, exigem menos manutenção e contribuem para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.

Em um cenário marcado por custos elevados e maior instabilidade climática, propriedades que investem em planejamento, tecnologia e infraestrutura tendem a construir sistemas mais resilientes, sustentáveis e competitivos, preparados para enfrentar os desafios da pecuária leiteira nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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