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Visita guiada ao TJMT leva acadêmicos de Direito à vivência prática e reflexão sobre violência

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Acadêmicos do curso de Direito da Faculdade Fasipe Cuiabá participaram na tarde desta terça-feira (14) de uma visita guiada à sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do projeto “Nosso Judiciário”. A iniciativa busca aproximar a sociedade do Poder Judiciário com ações educativas e informativas, incluindo visitas institucionais e palestras em escolas públicas e privadas.

Participaram da atividade estudantes do primeiro, segundo, oitavo, nono e décimo semestres do curso de Direito, que também acompanharam uma sessão da Terceira Câmara de Direito Público e Coletivo, ampliando o contato direto com a rotina forense.

Durante a visita ao Espaço Memória, os acadêmicos dialogaram com a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá. Entre os assuntos tratados, o enfrentamento à violência de gênero.

“Não adianta apenas julgar e aplicar uma pena de 40 anos, acreditando que isso, por si só, resolverá o problema. É preciso implementar políticas públicas voltadas tanto para as mulheres, quanto para os homens. Estamos lidando com pessoas que, se não receberem o tratamento adequado, não terão mudança de comportamento”, defendeu Ana Graziela.

A juíza ressaltou que o Tribunal de Justiça investe em grupos reflexivos para autores de violência doméstica, além de ações preventivas no ambiente escolar, citando o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, realizado por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT).

“O Tribunal realiza um grande investimento em grupos reflexivos para autores de violência doméstica e familiar, justamente para transformar a mentalidade desses cidadãos. Ao mesmo tempo, também atuamos na política pública primária, dentro do ambiente escolar”, afirmou.

Para a magistrada, o investimento na formação de jovens é essencial para romper ciclos de violência. “A criança que passa por esse tipo de formação, dificilmente, ao chegar aos 18 anos, ingressará no sistema de violência. Por isso, não basta dizer que prender vai resolver.”

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Outro ponto abordado foi a responsabilidade na divulgação de casos de violência contra a mulher. “A proposta é construir um protocolo de como noticiar crimes contra mulheres, evitando abordagens que distorçam os fatos.”

A magistrada aponta que a forma como os crimes são noticiados pode influenciar comportamentos. “Já observamos situações em que a exposição inadequada contribui para a repetição de crimes. Isso mostra a importância de comunicar com responsabilidade”.

Além do diálogo com magistrados, os estudantes também receberam informações sobre a rotina de trabalho e o uso do Processo Judicial Eletrônico (PJe), apresentados pela diretora da 1ª Câmara de Direito Público e Coletivo, Silbene Nunes de Almeida, que destacou os avanços tecnológicos proporcionados pela ferramenta.

Izabel Ferreira Barbosa, professora e coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica da Fasipe, avalia que “a participação dos alunos no projeto Nosso Judiciário é fundamental para o desenvolvimento acadêmico, tanto na aquisição de conhecimento, quanto na aproximação com os órgãos onde atuarão futuramente. Independentemente do nível de experiência dos estudantes, inclusive aqueles que estão no primeiro semestre, o contato com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso é extremamente relevante. Essa vivência permite compreender o funcionamento do sistema de Justiça e a atuação dos diferentes profissionais da área jurídica, desde a observação da presença da juíza no Memorial, que representa o Primeiro Grau de jurisdição, até o entendimento do papel dos desembargadores e da organização das câmaras”.

Sobre a promoção da reflexão quanto ao enfrentamento da violência doméstica e à prevenção do feminicídio, a coordenadora ponderou que a instituição participa da rede de enfrentamento.

“A questão não se restringe a um contexto específico de políticas públicas, seja do Executivo ou do Legislativo, mas envolve também o Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, que demonstra um genuíno interesse e busca soluções para o enfrentamento desses casos. A apresentação da juíza Ana Graziela é especialmente importante para os acadêmicos, que estão no início de um curso com duração de cinco anos. Considero essencial abordar essa temática desde a formação, pois, embora a sociedade possa ter a sensação de já ter ouvido falar sobre o assunto, é necessário aprofundar a reflexão e buscar soluções para os conflitos que a envolvem”, analisou a professora Izabel.

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A experiência foi considerada marcante pelos acadêmicos. O estudante Pedro Henrique Queiroz, do primeiro semestre do curso de Direito, destacou a importância da visita para sua formação. “Foi uma experiência única. Eu nunca me imaginei cursando Direito. Mas, em pouco tempo, percebi que isso despertou um sentimento dentro de mim, algo muito forte.”

Ele afirmou ainda que a vivência contribuiu para ampliar sua visão sobre a carreira. “Essa visita, em especial, foi muito importante, porque me fez enxergar que é possível chegar lá. Pude adquirir mais conhecimento, entender melhor como tudo funciona, como são os cargos, como é a organização do Tribunal.”

Também do primeiro semestre, a acadêmica Tiffany Caroline Batista relatou entusiasmo com a oportunidade. “Quando a professora falou que iríamos fazer essa visita técnica aqui no Tribunal de Justiça, já me interessei. Conversei com minha chefe, falei com meu pai, que é advogado, e ele disse para eu aproveitar tudo”.

A estudante também avaliou positivamente a abordagem sobre o combate à violência contra mulher. “Achei que somou muito. Principalmente quando ela falou sobre o modo de reportar essas mensagens. Isso tudo agregou muito.”

Organizado pelos técnicos judiciários Neif Feguri e Antônio Cegati, o projeto “Nosso Judiciário” foi implantado no TJMT em 2015 e tem como objetivo aproximar o Judiciário da sociedade e incentivar o exercício da cidadania. A iniciativa oferece aos participantes uma experiência imersiva, com visitas às instalações, acompanhamento de sessões de julgamento e diálogo direto com magistrados.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça

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Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.

Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.

Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.

Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.

“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.

A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”

Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.

“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.

A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.

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“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.

A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.

“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.

Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.

“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.

A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.

“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.

Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.

“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.

Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.

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Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.

“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.

Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.

A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.

Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”

Despedida

A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.

Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.

Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.

A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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