AGRONEGÓCIO
Soja e milho: projeções da safra dos EUA indicam recomposição de área e clima entra no radar do mercado
Publicado em
9 de abril de 2026por
Da Redação
Relatório do USDA reposiciona fundamentos de soja e milho
Os fundamentos das commodities agrícolas voltaram ao centro das atenções após a divulgação do relatório de Intenção de Plantio do USDA, que apresentou as primeiras estimativas para a safra 2026/27 nos Estados Unidos.
Os dados indicam aumento da área plantada de soja e redução na área destinada ao milho, refletindo a recente relação de preços entre as duas culturas e ajustes nas decisões dos produtores.
A área de soja está projetada em 84,7 milhões de acres, crescimento de 3,5 milhões de acres (+4,3%) em relação à temporada anterior. Já o milho deve ocupar 95,3 milhões de acres, com redução de 3,5 milhões de acres (-3,5%) frente ao ciclo passado.
Esse movimento também é influenciado pelas incertezas nos custos de produção, especialmente diante da volatilidade nos mercados de energia e fertilizantes. Ainda assim, o mercado monitora possíveis revisões, já que o relatório de Área Plantada, previsto para o fim de junho, pode trazer ajustes relevantes.
Produção e estoques indicam oferta confortável
Com base nas estimativas iniciais, a produção de soja nos Estados Unidos pode atingir 120,7 milhões de toneladas, alta de 4% em relação à safra 2025/26, podendo configurar a segunda maior da história do país.
Os estoques finais são projetados em 9,3 milhões de toneladas, com relação estoque/uso próxima de 8%, patamar que historicamente sugere preços de equilíbrio em Chicago entre US$ 10,80 e US$ 11,00 por bushel.
Para o milho, a produção potencial é estimada em 405,9 milhões de toneladas, queda de 6% frente à temporada anterior, mas ainda entre os maiores volumes já registrados. Os estoques finais são projetados em 52,4 milhões de toneladas, com relação estoque/uso de cerca de 13%, indicando preços de equilíbrio entre US$ 4,00 e US$ 4,10 por bushel.
Clima ganha protagonismo com início do plantio
Com o avanço do plantio da safra 2026/27, o mercado passa a direcionar o foco para as condições climáticas nos Estados Unidos, especialmente no cinturão produtor.
As previsões indicam chuvas dentro da normalidade ou acima da média ao longo de abril em grande parte das regiões agrícolas, cenário que favorece o avanço do plantio e a germinação das lavouras. No entanto, volumes excessivos podem exigir atenção pontual.
Para o período entre abril e junho, a tendência é de precipitações próximas da média na maior parte do cinturão agrícola, mantendo um ambiente favorável ao desenvolvimento das culturas. Por outro lado, áreas da porção oeste podem registrar chuvas abaixo da média, o que demanda monitoramento mais rigoroso.
Além disso, o monitor de seca aponta baixos níveis de umidade no solo em estados do Sul e do Oeste, reforçando a necessidade de regularidade nas chuvas nas próximas semanas.
Mercado climático entra em fase decisiva
Mesmo com um início de safra considerado positivo, fatores como a presença de neve em regiões do norte e possíveis irregularidades nas precipitações podem impactar o ritmo dos trabalhos no campo.
Com isso, o mercado entra em um período tradicionalmente mais volátil, em que o clima passa a ser determinante para a formação dos preços. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, o chamado “mercado climático” dos Estados Unidos já está em andamento, exigindo atenção redobrada dos agentes.
Perspectiva: equilíbrio inicial, mas com alta sensibilidade ao clima
O cenário inicial aponta para uma oferta confortável de soja e milho, com recomposição entre culturas e fundamentos relativamente equilibrados. No entanto, a evolução das condições climáticas será decisiva para confirmar ou alterar esse quadro ao longo dos próximos meses.
Dessa forma, o comportamento do clima no cinturão agrícola norte-americano deve ser o principal vetor de volatilidade e formação de preços no mercado global de grãos em 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor
Published
3 horas agoon
10 de maio de 2026By
Da Redação
A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.
O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.
A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.
Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.
O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.
Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.
As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.
A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.
O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.
As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.
Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.
Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.
“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.
O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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