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Açúcar inicia abril em cenário volátil: avanços nas vendas brasileiras e pressões externas influenciam preços

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Cenário internacional: petróleo e tensões geopolíticas afetam mercado

O mercado global de açúcar começa abril em ajuste, pressionado por fatores externos e mudanças na oferta e demanda. As tensões recentes no Oriente Médio, seguidas de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã, impactaram os preços do petróleo, influenciando diretamente o setor sucroenergético.

A queda do petróleo para níveis abaixo de US$ 100 por barril reduz a competitividade do etanol, estimulando usinas a destinarem maior volume de cana-de-açúcar para a produção de açúcar. Isso amplia a oferta global e reforça a pressão baixista sobre as cotações internacionais.

A normalização do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz pode gerar aumento de demanda por parte de refinarias do Oriente Médio, adicionando incertezas ao mercado no curto prazo.

Bolsas internacionais: açúcar atinge mínimas recentes

As bolsas internacionais registraram quedas nesta quarta-feira (8). Na ICE Futures US, o açúcar bruto atingiu a mínima de três semanas, com o contrato maio/2026 fechando a 14,23 centavos de dólar por libra-peso (-0,35 centavo) e o julho/2026 cotado a 14,47 centavos (-0,32 centavo).

Em Londres, na ICE Europe, o açúcar branco também recuou. O contrato maio/2026 fechou a US$ 422,30 por tonelada (-US$ 6,40), com os demais vencimentos acompanhando a tendência de baixa.

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Mercado interno: leve recuperação em São Paulo, etanol segue em baixa

No mercado brasileiro, o indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo CEPEA/ESALQ, registrou alta de 0,43%, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 103,82. Apesar disso, o indicador acumula queda de 1,56% em abril, refletindo ajuste após as altas de março.

O etanol hidratado em Paulínia (SP) registrou preço de R$ 2.895,50 por metro cúbico, com recuo de 0,74% no dia e queda acumulada de 4,36% no mês, mantendo pressão sobre o biocombustível.

Vendas no Brasil equilibram mercado e reduzem pressão vendedora

No Centro-Sul, produtores avançaram nas vendas da safra 2026/27, conforme dados da StoneX. O percentual vendido subiu de 41,8% para 59,5%, reduzindo a diferença em relação ao mesmo período da safra anterior, quando estava em 68,7%. A defasagem, que já chegou a 20 pontos percentuais, caiu para cerca de 10 pontos.

O avanço nas fixações limita altas abruptas no curto prazo, mas reduz a pressão vendedora que atuava como barreira informal às valorizações, criando cenário mais equilibrado entre oferta e demanda.

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Perspectivas para os preços do açúcar

Segundo análise da StoneX, com menor resistência dos produtores, o mercado brasileiro está mais preparado para reagir caso surjam gatilhos de alta, como ajustes na oferta global ou aumento da demanda internacional.

Exportações brasileiras recuam levemente

Em março, o Brasil exportou 1,81 milhão de toneladas de açúcar, ligeiramente abaixo das 1,83 milhão de toneladas do ano passado, refletindo ajustes no mercado global em meio a maior oferta potencial e incertezas externas.

Conclusão: mercado segue volátil, mas mais equilibrado

O açúcar inicia abril sob influência das bolsas internacionais e do petróleo, mas com sinais de reequilíbrio estrutural no Brasil. A evolução das vendas e as condições macroeconômicas e geopolíticas serão determinantes para o comportamento dos preços nos próximos meses, em um cenário volátil, mas com fundamentos mais ajustados.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de trigo no Rio Grande do Sul deve cair em 2026 com impacto do El Niño e custos elevados

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A safra de trigo no Rio Grande do Sul deve registrar nova retração em 2026, em meio a um cenário de custos elevados, menor atratividade econômica e aumento da percepção de risco climático associado ao fenômeno El Niño. A semeadura já teve início no Estado, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para as principais cultivares.

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, o cenário inicial indica redução significativa da área cultivada em relação ao ciclo anterior, com impacto direto sobre o planejamento das lavouras.

Avanço inicial do plantio ocorre com limitações de umidade

As condições de tempo seco têm favorecido operações de manejo da resteva, dessecação e preparo de solo, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. No entanto, a baixa umidade do solo em diversas regiões tem dificultado a germinação e emergência das primeiras áreas semeadas, levando produtores a aguardarem chuvas mais regulares.

Na safra anterior, o Estado cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produção de 3,45 milhões de toneladas e produtividade média de 2.968 kg/ha, segundo dados do IBGE.

Fatores econômicos e climáticos pressionam decisão dos produtores

Segundo a Emater/RS-Ascar, a expectativa de redução da área está ligada a três fatores principais: custos elevados de produção, baixa rentabilidade do cereal e maior percepção de risco climático durante o inverno e a primavera.

Mesmo com esse cenário, parte dos produtores tem optado por antecipar a semeadura em áreas sem financiamento ou seguro rural, buscando posicionar fases críticas da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, fora dos períodos de maior intensidade de chuvas da primavera.

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Regiões gaúchas apresentam comportamento desigual na safra

Na Fronteira Oeste, municípios como Manoel Viana e São Borja registram avanço lento da semeadura. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações para melhorar a umidade do solo. Em São Borja, cresce o número de desistências do cultivo, impulsionado pela combinação entre incertezas climáticas, custos elevados e exigências de qualidade.

Na região da Campanha, produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparo do solo, com expectativa de início mais intenso do plantio no fim de junho.

Na Serra Gaúcha, a semeadura ainda não começou. Em Caxias do Sul, o plantio deve ocorrer entre a segunda quinzena de junho e início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra a concentração das atividades ocorre ao longo de julho. A estimativa regional aponta retração de aproximadamente 30% da área cultivada.

Já na regional de Frederico Westphalen, a projeção inicial indica redução próxima de 20% na área plantada.

Avanço da semeadura ainda é pontual em algumas regiões

Em Ijuí, cerca de 7% da área projetada já foi semeada. As sementes encontram-se em fase de embebição, sem emergência observada até o momento. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento e por melhores condições operacionais do solo, além da continuidade dos trabalhos de dessecação para controle de plantas espontâneas.

Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge cerca de 6% da área prevista, concentrada principalmente em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de menor incidência de geadas também tem estimulado a antecipação do plantio.

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Em Soledade, a projeção é de redução superior a 30% da área cultivada, com cerca de 7% já semeada até o momento.

Mudanças estruturais e migração de culturas

O boletim da Emater destaca ainda mudanças no perfil produtivo regional. Empresas do setor energético vêm incentivando o cultivo de grãos voltados à produção de etanol, o que tem estimulado a substituição parcial do trigo destinado à indústria alimentícia.

Além disso, a baixa disponibilidade de crédito e menor acesso a sementes fiscalizadas têm levado ao aumento do uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.

Em algumas regiões, produtores também têm migrado para culturas alternativas como canola, carinata, linhaça e painço, diante da maior previsibilidade econômica dessas atividades.

Tendência de retração marca safra 2026

A combinação entre fatores climáticos, econômicos e estruturais reforça a expectativa de retração da safra de trigo no Rio Grande do Sul em 2026. Mesmo com o início do plantio dentro do período recomendado pelo ZARC, o cenário aponta para uma reconfiguração da cultura no Estado, com menor área e maior seletividade produtiva.

A evolução das chuvas nas próximas semanas e o comportamento do mercado serão determinantes para o ritmo final da semeadura e para o tamanho efetivo da safra gaúcha.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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