AGRONEGÓCIO
Milho inicia abril com mercado travado no Brasil, queda em Chicago e influência do câmbio
Publicado em
1 de abril de 2026por
Da Redação
O mercado de milho começa abril com um cenário de cautela no Brasil e pressão nos preços internacionais. A combinação de oferta retraída por parte dos produtores, oscilações no câmbio e novos dados dos Estados Unidos mantém os agentes atentos, enquanto o ritmo de negócios segue limitado no mercado físico.
Mercado brasileiro de milho segue com negociações travadas
O mercado doméstico apresenta dificuldade na evolução das negociações. A postura retraída dos produtores, que evitam fixar oferta, continua sendo um dos principais fatores que limitam o volume de negócios.
No Sul do país, os preços permanecem sustentados, mesmo com a comercialização lenta. No Paraná, há preocupação com a irregularidade das chuvas, o que pode impactar o desenvolvimento da safrinha.
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o foco dos produtores está voltado às atividades de campo, como colheita e plantio, o que reduz ainda mais a disponibilidade para negociações.
Além disso, fatores como a volatilidade do dólar, oscilações nos contratos futuros e questões logísticas seguem no radar do mercado.
Preços do milho no mercado físico
Os preços do milho variam conforme a região, refletindo as condições locais de oferta e demanda:
- Portos:
- Santos (CIF): R$ 68,00 a R$ 73,00/saca
- Paranaguá: R$ 67,50 a R$ 73,00/saca
- Interior:
- Paraná (Cascavel): R$ 64,00 a R$ 66,00
- São Paulo (Mogiana): R$ 69,00 a R$ 72,00
- Campinas (CIF): R$ 73,00 a R$ 75,00
- Rio Grande do Sul (Erechim): R$ 65,00 a R$ 67,00
- Minas Gerais (Uberlândia): R$ 66,00 a R$ 67,00
- Goiás (Rio Verde – CIF): R$ 60,00 a R$ 64,00
- Mato Grosso (Rondonópolis): R$ 54,50 a R$ 57,00
No Rio Grande do Sul, a comercialização segue regionalizada, com compradores priorizando estoques próprios. Em Santa Catarina e no Paraná, o desalinhamento entre preços pedidos e ofertados continua limitando novos negócios.
Chicago recua com pressão de estoques e realização de lucros
Os contratos futuros de milho operam em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionados principalmente pelo aumento dos estoques nos Estados Unidos e por movimentos de realização de lucros após as altas recentes.
O contrato maio/2026 é cotado a US$ 4,52 por bushel, com recuo de cerca de 1,2%. Outros vencimentos também registram perdas no início do dia.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicaram estoques de milho em 9,024 bilhões de bushels em 1º de março de 2026, alta de 11% em relação ao ano anterior. O volume ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.
Os estoques nas fazendas cresceram 21%, enquanto os estoques fora das propriedades tiveram leve queda de 2%.
Área plantada nos Estados Unidos surpreende o mercado
Outro fator relevante foi o relatório de intenção de plantio dos Estados Unidos. A estimativa aponta para 95,338 milhões de acres na safra 2025, acima da expectativa do mercado, que projetava 94,371 milhões.
Apesar disso, a área representa queda de 3% em relação ao ciclo anterior. Em 37 dos 48 estados analisados, a tendência é de estabilidade ou redução da área cultivada.
Esse cenário limita pressões mais intensas sobre os preços, diante da possibilidade de oferta mais ajustada no médio prazo.
B3 acompanha cenário externo e encerra em queda
Na bolsa brasileira (B3), os contratos futuros de milho encerraram o último pregão em baixa, acompanhando a desvalorização do dólar e o movimento negativo em Chicago.
O recuo também reflete a realização de lucros após os ganhos expressivos registrados ao longo de março.
Mesmo com a queda pontual, o desempenho segue positivo, com alta superior a 5% em alguns vencimentos no mês e avanços acima de 6% nos contratos mais longos.
No mercado físico, a valorização foi mais moderada, com alta pouco superior a 1%.
Clima e safrinha seguem como fatores de atenção
O desenvolvimento da segunda safra (safrinha) continua sendo um dos principais pontos de atenção. Problemas climáticos e atrasos no plantio podem impactar a produtividade.
Em Mato Grosso do Sul, o mercado apresenta sinais de recuperação, sustentado parcialmente pela demanda do setor de bioenergia. Ainda assim, a liquidez segue baixa e o ambiente permanece competitivo.
Câmbio e cenário global influenciam os preços
O dólar opera em queda frente ao real, cotado a R$ 5,16, contribuindo para pressionar os preços internos. No cenário internacional, o índice do dólar também recua.
Outros indicadores mostram:
- Bolsas europeias em alta
- Mercados asiáticos com valorização expressiva
- Petróleo em queda, com o WTI próximo de US$ 100 por barril
Perspectiva: mercado deve permanecer cauteloso no curto prazo
A tendência para o mercado de milho no curto prazo é de continuidade da cautela. A combinação de oferta restrita no Brasil, incertezas climáticas, influência do mercado internacional e volatilidade cambial deve manter os preços oscilando.
O ritmo de negociações tende a seguir lento, com os agentes aguardando maior definição sobre a safrinha e o comportamento da demanda global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Produto Interno Bruto da agropecuária cresceu 0,7% no primeiro trimestre de 2026
Published
29 minutos agoon
31 de maio de 2026By
Da Redação
O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária iniciou o ano de 2026 em crescimento, registrando uma leve alta de 0,7% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação aos três últimos meses de 2025, o avanço do setor foi de 2,0%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29.05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que o PIB total do País cresceu 1,8% na comparação anual e 1,1% frente ao trimestre anterior.
Apesar do ritmo moderado na comparação interanual, o resultado é classificado como positivo por entidades do setor, dado que ocorre sobre uma base comparativa recorde do ano anterior. De acordo com o Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a safra passada foi excelente, o que torna o avanço de 0,7% um desempenho expressivo que ajuda a sustentar o resultado econômico nacional.
Integrando a leitura do cenário macroeconômico, o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto) destaca que o acompanhamento de longo prazo reflete melhor a realidade do campo. “A análise da variação anual é a mais pertinente, em função das sazonalidades existentes na produção agropecuária”, afirma.
Segundo Rezende, “embora o conflito no Oriente Médio tenha afetado o setor e gerado um resultado inicialmente mais fraco em termos de expectativas, o saldo final foi muito mais positivo do que negativo para o agronegócio brasileiro, já que o setor ainda impulsionou os resultados neste trimestre”.
“O agro vive muito de ciclos. Lá atrás, você tinha um ciclo muito favorável, e acho que isso explica boa parte do resultado do ano passado. Agora, o que a gente observa no agro tem a ver com ciclos e cenários externos. Mas também há um ponto interessante: às vezes temos impactos negativos do clima e, em outras, positivos. No caso deste ano, o impacto foi mais positivo”, explica o presidente.
Safrinha
De acordo com a análise de especialistas, o PIB do setor ainda deve contar com impactos positivos vindos da soja no segundo trimestre, mas o milho segunda safra desponta como um limitador para os próximos resultados. A avaliação da consultoria indica que será difícil registrar crescimentos fortes no PIB da agropecuária ao longo do ano, com o milho safrinha pressionando o desempenho principalmente na segunda metade de 2026.
A colheita da segunda safra de milho já começou sob a expectativa de redução na oferta. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a produção do cereal deve alcançar 108,4 milhões de toneladas na segunda safra, volume 4,2% menor do que o registrado no ciclo 2024/25. A falta de chuvas afetou severamente a produtividade no Estado de Goiás, e problemas pontuais em menor proporção são observados em Minas Gerais e São Paulo.
Além do milho, analistas do setor privado citam o algodão e a cana-de-açúcar como pontos de atenção para os próximos meses. No primeiro trimestre, o crescimento anual foi sustentado pela soja — que registrou novo recorde de 4,8% na estimativa anual de produção — e pelo segmento de carnes, além de contribuições do café arábica, beneficiado pela bienalidade positiva, e do cacau. Na outra ponta, as principais retrações foram registradas na batata inglesa, no arroz (-10,6%) e no milho (-2,5%).
Juros
O início de ano positivo ocorre em um momento em que a agropecuária começa a sentir com maior intensidade o peso da taxa Selic elevada. Economistas da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV) avaliam que o custo do crédito tende a desacelerar o ritmo de produção nos próximos meses, período em que o clima se tornará uma variável crítica.
A CNA projeta que os resultados do segundo e do terceiro trimestres fiquem próximos da margem, podendo oscilar levemente para cima ou para baixo devido à base comparativa elevada de 2025. Contudo, o grande ponto de interrogação reside no fechamento do ano. A coordenação técnica da entidade alerta que há dúvidas sobre como o fenômeno climático El Niño vai se refletir na safra de inverno, tornando o clima a principal incógnita do setor.
Petróleo e gás
Diferentemente do observado em períodos anteriores, a agropecuária não deve figurar como o principal motor do PIB brasileiro neste ano. Estimativas do Núcleo Econômico da CNA indicam que o protagonismo do crescimento em 2026 deve ser assumido pelos setores de petróleo e gás, do ponto de vista da produção.
O prolongamento dos conflitos no Oriente Médio elevou os preços internacionais do barril de petróleo, levando a indústria extrativa nacional a intensificar o ritmo de atividade. Como o Brasil exporta petróleo bruto e importa subprodutos como diesel e gasolina, a valorização da commodity no mercado internacional deve fazer com que a Petrobras mantenha a produção em patamares elevados, gerando reflexos estatísticos positivos sobre o PIB ao longo de todo o ano.
Fonte: Pensar Agro
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