AGRONEGÓCIO

Farinha de trigo pode ficar mais cara em São Paulo com alta do diesel, impostos e cenário global

Publicado em

O Sindustrigo alerta para a possibilidade de alta nos preços da farinha de trigo no estado de São Paulo já a partir de abril. O movimento é impulsionado por uma combinação de fatores, como o aumento do diesel, mudanças tributárias e incertezas no cenário internacional.

Alta do diesel pressiona fretes e custos

A recente elevação nos preços do diesel já impacta diretamente os custos logísticos da cadeia do trigo. Segundo o Sindustrigo, o aumento no valor dos fretes tem pressionado tanto o transporte do trigo quanto da farinha, elevando os custos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Além disso, a valorização das commodities agrícolas, tanto no mercado interno quanto no externo, também contribui para a pressão sobre os preços.

Conflito internacional afeta insumos e produção

O cenário geopolítico, especialmente as tensões entre Estados Unidos e Irã, também está no radar do setor. O conflito tem elevado os preços dos combustíveis e comprometido a oferta de fertilizantes, insumos essenciais para a produção agrícola.

De acordo com o presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, esse contexto pode afetar a disponibilidade futura de trigo no Brasil, diante da perspectiva de redução da área plantada na safra 2026/27.

Leia Também:  Brasil recebe tratamento inédito contra criptosporidiose, principal causa de mortalidade em bezerros recém-nascidos
Mudanças tributárias elevam custo da matéria-prima

Outro fator relevante é a entrada em vigor da Lei Complementar nº 224/2025, que altera a tributação sobre o trigo. A nova regra reduz o crédito presumido de 3,23% para 2,91% e passa a cobrar 1,175% de PIS/Cofins sobre o trigo importado, sem a possibilidade de compensação integral.

Na prática, a medida aumenta o custo de aquisição da matéria-prima para os moinhos nacionais, contribuindo para a pressão sobre os preços finais.

Guerra fiscal preocupa setor

O Sindustrigo também destaca preocupações com o ambiente de guerra fiscal entre estados, que pode gerar desequilíbrios competitivos para a indústria paulista.

Segundo Max Piermartiri, o setor busca diálogo com o governo estadual para garantir condições mais equilibradas de concorrência, evitando impactos excessivos ao consumidor.

Mercado internacional reforça viés de alta

No cenário externo, os preços do trigo na Chicago Board of Trade já refletem preocupações com problemas climáticos, como a seca nas lavouras dos Estados Unidos.

Além disso, há sinalização de queda na produção global para a safra 2026/27. Mesmo com uma safra recorde na Argentina em 2025/26, estimada em 29,5 milhões de toneladas, a qualidade do produto tem gerado apreensão entre moinhos, inclusive no Brasil.

Leia Também:  Exportação semanal de carne suína projeta cerca de 100 mil toneladas para dezembro
Necessidade de articulação para evitar impactos maiores

Diante desse cenário, o Sindustrigo reforça a importância de uma atuação conjunta entre governo, indústria e produtores para reduzir os impactos ao longo da cadeia.

A entidade destaca que a estabilidade do setor depende de políticas públicas alinhadas e de uma visão estratégica de longo prazo, garantindo o equilíbrio entre produção, indústria e consumo no mercado de trigo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Pecuária leiteira enfrenta desafio de rentabilidade em meio a custos elevados e mudanças climáticas

Published

on

A pecuária leiteira brasileira atravessa um momento de desafios para transformar produção em rentabilidade. Embora o Brasil tenha ultrapassado a marca de 38 bilhões de litros de leite produzidos em 2025, consolidando-se entre os maiores produtores mundiais, a rentabilidade das fazendas continua pressionada por custos elevados, oscilações climáticas e necessidade crescente de eficiência produtiva.

Segundo análise da médica-veterinária Vanessa Amorim Teixeira, mestre e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e analista de mercado agro da Belgo Arames, o cenário exige que o produtor vá além do aumento da produção e concentre esforços na gestão da propriedade e na otimização dos recursos.

Preço do leite reage, mas ainda não recupera margens

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o preço médio nacional do leite cru pago ao produtor alcançou R$ 2,66 por litro em abril de 2026, demonstrando recuperação em relação aos meses anteriores.

Apesar da melhora, a remuneração permanece inferior aos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro, alcançado em julho de 2022.

Ao mesmo tempo, despesas com energia elétrica, mão de obra, suplementação alimentar e outros custos operacionais continuam reduzindo as margens da atividade.

Leia Também:  Ibovespa abre com viés positivo com aval externo e balanços no radar
Clima aumenta pressão sobre os sistemas de produção

Outro fator de preocupação é o comportamento climático. A formação do fenômeno El Niño pode provocar temperaturas mais elevadas e maior irregularidade das chuvas em diversas regiões produtoras, comprometendo a disponibilidade e a qualidade das pastagens.

Como grande parte da pecuária leiteira brasileira depende do pastejo, a redução da oferta de forragem tende a impactar diretamente o consumo de nutrientes pelos animais, reduzindo a produção de leite.

Além disso, a menor disponibilidade de água e alimento pode aumentar o estresse do rebanho, comprometendo o bem-estar animal, a saúde e o desempenho produtivo.

Planejamento torna-se fator decisivo para a rentabilidade

Diante desse cenário, especialistas destacam que a sustentabilidade econômica da atividade depende cada vez mais da eficiência da gestão.

Entre as principais estratégias recomendadas estão:

  • planejamento da alimentação para os períodos de seca;
  • formação de reservas estratégicas de forragem;
  • monitoramento constante dos indicadores técnicos e financeiros;
  • controle rigoroso dos custos de produção;
  • manejo adequado das pastagens;
  • adoção de sistemas de pastejo rotacionado.

Essas práticas permitem aumentar o aproveitamento dos recursos da propriedade e reduzir a vulnerabilidade diante das oscilações de mercado e do clima.

Infraestrutura pode elevar produtividade e reduzir custos

Os investimentos em infraestrutura também ganham importância dentro das propriedades leiteiras. Um dos exemplos é o cercamento estratégico das áreas de pastejo, que possibilita a divisão das pastagens em piquetes para manejo rotacionado.

Leia Também:  Queda nas Exportações dos EUA Impacta Mercado de Milho

Esse sistema favorece a recuperação das forrageiras, melhora a utilização da área disponível, aumenta a capacidade de suporte da propriedade e reduz a necessidade de suplementação alimentar, um dos principais componentes do custo de produção.

Como consequência, os produtores podem obter ganhos como:

  • aumento da produção de leite por hectare;
  • maior produtividade por animal;
  • redução dos gastos com alimentação suplementar;
  • melhor aproveitamento das pastagens;
  • menor custo de manutenção das áreas de manejo.
Tecnologia e gestão fortalecem a competitividade

Segundo Vanessa Amorim Teixeira, investir em infraestrutura de qualidade e em tecnologias voltadas para o manejo do rebanho e das pastagens deixou de ser apenas uma melhoria operacional e passou a representar uma estratégia de gestão.

A especialista destaca que soluções como cercas elétricas de alta durabilidade facilitam a implantação do pastejo rotacionado, exigem menos manutenção e contribuem para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.

Em um cenário marcado por custos elevados e maior instabilidade climática, propriedades que investem em planejamento, tecnologia e infraestrutura tendem a construir sistemas mais resilientes, sustentáveis e competitivos, preparados para enfrentar os desafios da pecuária leiteira nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA