AGRONEGÓCIO
Exportações de carne bovina do Brasil crescem forte em 2026 e reduzem impacto de restrições da China
Publicado em
30 de março de 2026por
Da Redação
As exportações brasileiras de carne bovina iniciaram 2026 em ritmo acelerado, com crescimento expressivo tanto em volume quanto em receita no primeiro bimestre do ano. O desempenho positivo reflete a ampliação das vendas para importantes mercados internacionais e indica que os impactos das medidas de salvaguarda impostas pela China tendem a ser limitados ao longo do ano.
Crescimento robusto nas exportações no início de 2026
Nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina — incluindo produtos in natura, industrializados, miudezas comestíveis e subprodutos — somaram US$ 2,865 bilhões, um avanço de 39% em relação ao mesmo período de 2025.
Em volume, foram embarcadas 557,24 mil toneladas, representando crescimento de 22% frente às 455,97 mil toneladas registradas no primeiro bimestre do ano anterior.
Considerando apenas o mês de fevereiro de 2026, o setor alcançou receita de US$ 1,449 bilhão, alta de 39,57%, com embarques de 279,26 mil toneladas (+28,64%). Os dados foram compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
China segue como principal destino, mas perde participação relativa
A China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira no primeiro bimestre de 2026, com importações que somaram US$ 1,221 bilhão, alta de 36% na comparação anual. O volume embarcado ao país asiático atingiu 223,7 mil toneladas, crescimento de 21,7%.
Apesar do avanço, a participação chinesa no total exportado recuou levemente, passando de 43,4% no primeiro bimestre de 2025 para 42,6% em 2026. No segmento de carne bovina in natura, a fatia caiu de 48,6% para 46,5%, evidenciando a diversificação dos mercados compradores.
Os preços médios das exportações para a China também apresentaram valorização, com alta de 12%, atingindo US$ 5.461 por tonelada.
Estados Unidos ampliam compras e reforçam demanda global
Os Estados Unidos consolidaram-se como o segundo maior comprador da carne bovina brasileira, com crescimento expressivo nas importações.
As vendas de carne bovina in natura para o mercado norte-americano cresceram 97,3% no primeiro bimestre de 2026, somando US$ 379 milhões. O volume embarcado avançou 60%, alcançando 63,08 mil toneladas.
No total, considerando carne e subprodutos, as exportações para os Estados Unidos atingiram US$ 448,7 milhões, alta de 56,8%. Os preços médios também subiram, com valorização de 23,4%, chegando a US$ 6.015 por tonelada.
O cenário reflete o elevado déficit de abastecimento norte-americano, com estimativa de importações de 2,5 milhões de toneladas em 2026, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
União Europeia e Chile mantêm crescimento consistente
A União Europeia segue como mercado estratégico, com perspectivas positivas após a aprovação do acordo comercial com o Mercosul. No primeiro bimestre de 2026, as exportações de carne bovina in natura para o bloco cresceram 24,6% em receita, totalizando US$ 121,4 milhões, e 18,8% em volume, com 14,17 mil toneladas embarcadas.
Os preços médios para o bloco europeu registraram valorização de 4,85%, alcançando US$ 8.568 por tonelada.
Na América do Sul, o Chile também apresentou desempenho consistente, com crescimento de 22,4% no volume importado, que atingiu 23.609 toneladas. Em valor, as compras somaram aproximadamente US$ 135,9 milhões, avanço de 29,3%.
Rússia se destaca entre os principais compradores
A Rússia foi um dos mercados que mais cresceram no período, subindo para a quinta posição entre os maiores importadores da carne bovina brasileira.
As compras russas avançaram 106,6% em volume, totalizando 23.349 toneladas, enquanto a receita cresceu 132,3%, alcançando cerca de US$ 102,6 milhões. O desempenho reflete o fortalecimento da presença brasileira no país.
Diversificação de mercados reduz dependência da China
Além dos principais destinos, outros mercados como Egito, Emirados Árabes Unidos, México e Arábia Saudita também registraram aumento nas importações de carne bovina brasileira no início de 2026.
Esse movimento de diversificação é um dos principais fatores que ajudam a mitigar os impactos das restrições impostas pela China, mantendo a demanda internacional aquecida.
No total, 109 países ampliaram suas compras de carne bovina do Brasil, enquanto 42 reduziram as aquisições no período.
Oferta interna e ciclo pecuário exigem atenção
Do lado da oferta, o Brasil passa por uma mudança no ciclo pecuário, marcada pela valorização dos animais de reposição e pela redução no abate de fêmeas. Esse cenário deve resultar em menor disponibilidade de carne bovina ao longo de 2026.
A combinação entre oferta mais restrita e demanda externa aquecida tende a sustentar a valorização dos animais destinados ao abate e manter o mercado firme.
Perspectivas seguem positivas, apesar de riscos externos
As perspectivas para as exportações brasileiras de carne bovina permanecem positivas, com potencial de abertura e consolidação de novos mercados, como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul.
Por outro lado, fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, podem impactar o setor, especialmente por meio do aumento dos custos logísticos. Ainda assim, o efeito direto tende a ser limitado, já que a região representou 6,65% das receitas de exportação em 2025 e 8,5% no primeiro bimestre de 2026.
Diante desse cenário, o Brasil reforça sua posição como um dos principais fornecedores globais de carne bovina, sustentado por uma demanda internacional ainda aquecida e pela crescente diversificação de mercados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade
Published
11 horas agoon
31 de maio de 2026By
Da Redação
Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.
Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.
O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.
A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.
Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.
Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.
Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.
Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.
Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.
Fonte: Pensar Agro
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