AGRONEGÓCIO

Alta do diesel e dos fertilizantes pressiona custos e contratos no agronegócio

Publicado em

Custos mais altos desafiam o agronegócio brasileiro

A recente alta nos preços do diesel e dos fertilizantes abriu uma nova frente de preocupação no agronegócio brasileiro. O impacto vai além do aumento dos custos de produção, afetando diretamente o plantio, a colheita, o transporte e a sustentabilidade financeira das operações no campo.

O cenário, influenciado por fatores internacionais ligados à energia e aos insumos, tem tornado os custos menos previsíveis, pressionando o caixa dos produtores e exigindo maior cautela na gestão financeira.

Contratos ganham papel estratégico diante da volatilidade

Com a elevação dos custos, contratos firmados anteriormente passaram a ser alvo de reavaliação por produtores, tradings e empresas do setor. A preocupação envolve cláusulas, garantias e responsabilidades assumidas em um contexto de mercado diferente do atual.

Segundo André Aidar, sócio e Head de Direito do Agronegócio do Lara Martins Advogados, os contratos devem ser tratados como ferramentas estratégicas de gestão de risco, e não apenas como formalidades.

Ele destaca que a legislação brasileira permite a revisão contratual em situações de desequilíbrio provocado por fatos extraordinários e imprevisíveis, mas alerta que isso não autoriza o descumprimento automático dos acordos.

Negociação é o caminho mais seguro para reequilíbrio

Diante desse cenário, a recomendação é buscar renegociações baseadas em dados concretos, como planilhas e documentos que comprovem o impacto da alta dos custos.

Leia Também:  Socorro a produtores: BNDEs vai lançar linha de crédito com juros de até 8,2%.

A abordagem transparente tende a preservar relações comerciais e reduzir o risco de disputas judiciais, especialmente em um momento de maior fragilidade econômica no setor.

Diesel eleva risco logístico e pode afetar a safra

O aumento do preço do diesel também preocupa pela possibilidade de comprometer a logística agrícola. A eventual escassez de combustível pode afetar desde o funcionamento de máquinas até o transporte de grãos e insumos.

A responsabilização por atrasos ou falhas dependerá do que foi estabelecido em contrato. Em situações normais, problemas operacionais recaem sobre quem executa o serviço, mas, em caso de escassez generalizada, esse entendimento pode mudar.

Segundo especialistas, eventos fora do controle direto dos operadores logísticos tendem a reduzir a responsabilização por atrasos.

Falhas contratuais aumentam risco de litígios

Momentos de crise costumam evidenciar fragilidades já existentes nos contratos. A ausência ou fragilidade de cláusulas como força maior e hardship pode ampliar significativamente o risco de disputas judiciais.

Contratos genéricos ou mal estruturados deixam produtores e empresas mais expostos justamente em períodos de maior instabilidade.

Crédito mais caro e complexo exige cautela

Com o aumento dos custos, cresce também a necessidade de capital de giro. Nesse contexto, produtores têm buscado alternativas de crédito privado, mas especialistas alertam para a importância de uma análise cuidadosa.

Leia Também:  Ganho do produtor de tabaco é 150% maior que a média

Entre os instrumentos mais utilizados estão as Cédulas de Produto Rural (CPRs), especialmente as de entrega física, que podem ampliar o risco em um cenário de incerteza sobre custos e produtividade.

Estruturas mais flexíveis e com mecanismos de proteção de preços tendem a ser mais seguras para o produtor.

Fiagros ganham espaço, mas exigem atenção

Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais têm ampliado sua presença no financiamento do agronegócio. No entanto, a análise dessas operações deve ir além das taxas oferecidas.

Aspectos como governança, nível de influência do investidor e acúmulo de garantias precisam ser considerados antes da contratação.

Gestão de risco será decisiva nos próximos meses

A combinação de diesel mais caro, fertilizantes em alta e crédito mais complexo impõe um momento de reorganização para o agronegócio brasileiro.

Mais do que buscar financiamento, o setor precisa fortalecer a gestão de risco e aprimorar a tomada de decisão, especialmente em contratos que envolvem entrega futura, logística e garantias.

A forma como essas estruturas forem definidas agora poderá determinar o nível de inadimplência no futuro e até evitar medidas mais severas, como processos de recuperação judicial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

Published

on

O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

Leia Também:  Produção de cana deve superar 620 milhões de ton. e ampliar foco no etanol

A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

Leia Também:  Embrapa Gado de Leite: Custos de Produção de Leite Seguem em Queda em Abril

Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA