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Mercado de Trigo Retoma Negociações Lentamente Após Carnaval

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A retomada do mercado de trigo após o feriado de Carnaval foi marcada por negociações lentas e volumes limitados, refletindo a distância entre os preços pedidos pelos produtores e as ofertas dos compradores. A liquidez permanece baixa, e referências de preço pouco representam o cenário real de negócios.

Indústria abastecida e produtores retendo produto

De acordo com Elcio Bento, analista e consultor da Safras & Mercado, a indústria segue abastecida até pelo menos março, diminuindo a urgência de novas compras. Ao mesmo tempo, produtores, principalmente no Rio Grande do Sul, demonstram resistência em vender, preferindo reter o produto diante de preços considerados pouco atrativos.

Mesmo com indicações de R$ 1.100 por tonelada no FOB interior, a oferta permanece limitada. Muitos produtores optam por postergar vendas, apoiados por capacidade de armazenamento e recursos financeiros. A expectativa de que perdas na safra de soja possam reduzir a pressão logística também reforça essa estratégia.

Do lado comprador, há dificuldade em fechar negócios, com propostas em torno de R$ 1.050 por tonelada ainda sendo analisadas com cautela, o que mantém o mercado travado.

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Déficits regionais e impacto na formação de preços

No Paraná, há um déficit estrutural superior a 1 milhão de toneladas entre produção e necessidade de moagem. Já no Rio Grande do Sul, com produção estimada em 3,6 milhões de toneladas, grande parte do volume já está comprometida entre exportações, transferências para outros estados e uso em ração e sementes, resultando em um déficit potencial de 480 mil toneladas a ser suprido por importações.

Segundo Bento, “o distanciamento entre preços ofertados e pedidos gera escassez de negócios reportados. A expectativa de curto prazo indica vantagem relativa para o lado da demanda na negociação, especialmente considerando produtores que precisam liberar espaço para a safra de verão. Quando os compradores retornarem, os preços tendem a se alinhar à paridade de importação”.

Exportações brasileiras de trigo e line-up

Os line-ups de exportação de trigo brasileiro acumulam 1.582.620 toneladas na temporada 2025/26, considerando embarques programados ou realizados entre agosto de 2025 e março de 2026, segundo levantamento da Safras & Mercado.

  • Novembro: 240.755 toneladas
  • Dezembro: 510.816 toneladas (maior volume mensal)
  • Janeiro: 345.699 toneladas
  • Fevereiro: 420.350 toneladas
  • Março: 65.000 toneladas programadas
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Não há volumes registrados entre agosto e outubro. No comparativo com o mesmo período da safra 2024/25, quando os line-ups totalizaram 1.889.406 toneladas, observa-se uma redução no ritmo de exportações.

Projeções de exportação de trigo argentino

Os embarques de trigo da Argentina projetam 2,706 milhões de toneladas para fevereiro, de acordo com levantamento semanal da Safras & Mercado. Até o momento, foram exportadas 994,448 mil toneladas, restando 1,712 milhão toneladas para embarque no mês, com 145 mil toneladas programadas para março.

O line-up argentino acumula até fevereiro 8,878 milhões de toneladas, frente a 4,817 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior, evidenciando ritmo de exportação mais acelerado na temporada atual.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Descoberta de novas espécies de minhocas em sistemas integrados reforça sustentabilidade no agro brasileiro

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Pesquisadores identificaram duas novas espécies de minhocas nativas brasileiras em áreas de sistemas integrados de produção na Embrapa Pecuária Sudeste, reforçando a importância de práticas agrícolas sustentáveis para a conservação da biodiversidade do solo.

A descoberta ocorreu na Fazenda Canchim, em São Carlos, e foi publicada na revista científica internacional Zootaxa, em artigo assinado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, Embrapa Florestas e Universidade Federal do Paraná.

As espécies identificadas são a Fimoscolex bernardii e a Glossoscolex canchim, pertencentes à família Glossoscolecidae, típica de solos tropicais da América do Sul.

Sistemas integrados ajudam a preservar biodiversidade do solo

As novas espécies foram encontradas em áreas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Integração Lavoura-Pecuária (ILP), pastagens intensivas e lavouras sob plantio direto.

Segundo os pesquisadores, a presença dessas minhocas nativas demonstra que sistemas produtivos sustentáveis conseguem manter processos biológicos essenciais ao equilíbrio ambiental e à fertilidade do solo.

O pesquisador George Brown explica que as minhocas são consideradas importantes bioindicadoras da qualidade ambiental.

De acordo com ele, espécies nativas normalmente estão associadas a ambientes menos degradados, enquanto espécies exóticas tendem a dominar solos altamente perturbados pelo manejo intensivo.

Minhocas são fundamentais para fertilidade e produtividade agrícola

As minhocas desempenham papel estratégico no funcionamento dos ecossistemas agrícolas. Elas atuam na abertura de canais no solo, incorporação de matéria orgânica, transporte de microrganismos e reciclagem de nutrientes.

Esses processos contribuem diretamente para melhorias físicas, químicas e biológicas do solo, favorecendo a retenção de água, aeração, fertilidade e produtividade das culturas agrícolas.

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Para a pesquisadora Marie Luise Carolina Bartz, a descoberta reforça que é possível unir produção agropecuária e conservação ambiental.

Segundo ela, práticas como plantio direto e sistemas integrados ajudam a preservar organismos essenciais para a saúde do solo e aumentam a resiliência produtiva das propriedades rurais no longo prazo.

Pesquisa fortalece estudos sobre ILPF e manejo sustentável

Os estudos começaram em 2018, quando equipes da Embrapa e universidades passaram a avaliar os impactos dos sistemas integrados sobre a qualidade do solo e as populações de minhocas na Fazenda Canchim.

O pesquisador Alberto Bernardi destaca que os levantamentos ampliaram o conhecimento técnico sobre os sistemas ILPF, ILP e Integração Pecuária-Floresta (IPF).

Segundo ele, os resultados ajudam produtores e técnicos a compreender melhor os benefícios dos modelos integrados para sustentabilidade, conservação ambiental e produtividade agropecuária.

A pesquisa também mostrou aumento da abundância tanto de espécies nativas quanto exóticas em áreas manejadas sob sistemas integrados, indicando condições favoráveis à manutenção da biodiversidade edáfica.

Novas espécies foram encontradas até em áreas agrícolas intensivas

Um dos aspectos considerados mais relevantes pelos cientistas foi o fato de as novas espécies terem sido identificadas também em áreas intensamente manejadas.

A espécie Fimoscolex bernardii foi encontrada inclusive em lavouras anuais conduzidas sob sistema de plantio direto, evidenciando o potencial conservacionista desse modelo produtivo.

Segundo os pesquisadores, sistemas sustentáveis promovem maior aporte de carbono no solo, ampliam a diversidade biológica e melhoram as propriedades químicas, físicas e microbiológicas do ambiente agrícola.

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Descoberta amplia conhecimento sobre fauna do solo no Brasil

O Brasil possui uma das maiores diversidades de minhocas do mundo, com cerca de 336 espécies oficialmente descritas. No entanto, pesquisadores estimam que mais de 1.400 espécies possam existir no país.

A região de São Carlos, localizada na transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, é considerada estratégica para estudos ambientais devido à elevada diversidade ecológica e à intensa atividade agropecuária.

Os pesquisadores ressaltam que a fauna de minhocas nativas ainda é pouco conhecida, especialmente no Cerrado, tornando fundamentais os estudos sobre biodiversidade em sistemas produtivos.

Espécies homenageiam pesquisador e Fazenda Canchim

A espécie Fimoscolex bernardii recebeu esse nome em homenagem ao pesquisador Alberto Bernardi, referência em estudos sobre sistemas integrados de produção na Embrapa.

Já a espécie Glossoscolex canchim faz referência à árvore Canchim (Pachystroma longifolium), típica da Mata Atlântica e que também inspirou o nome da raça bovina Canchim e da Fazenda Canchim, onde os organismos foram encontrados.

Os espécimes coletados estão depositados na Coleção Fritz Müller de Oligoquetas da Embrapa Florestas, com exemplares enviados também ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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