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Juros altos freiam crédito e elevam inadimplência no Brasil

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A política monetária restritiva adotada pelo Banco Central do Brasil continua impactando diretamente o sistema financeiro. A taxa Selic, mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), segue no maior patamar em quase duas décadas, freando a expansão do crédito e elevando os índices de inadimplência no país.

Selic elevada mantém cenário de juros caros

A decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% pela quarta vez consecutiva reflete a estratégia de conter a inflação e estabilizar a economia. Apesar do controle gradual dos preços, o nível elevado dos juros básicos continua pressionando famílias e empresas, que enfrentam custos cada vez maiores para acessar financiamentos e empréstimos.

A Selic é a principal referência para o custo do crédito no Brasil. Quando ela se mantém alta, as instituições financeiras repassam esse aumento ao consumidor, elevando as taxas em diferentes modalidades — desde o crédito pessoal até o financiamento empresarial.

Juros bancários sobem acima da Selic

Em 2025, o custo médio dos empréstimos bancários subiu mais que a própria taxa básica, de acordo com dados do Banco Central. As operações com pessoas físicas encerraram o ano com juros médios de aproximadamente 60% ao ano, enquanto as taxas para empresas ficaram próximas de 25% ao ano.

Mesmo com a Selic estável, os bancos ampliaram seus spreads para compensar o aumento do risco e o avanço da inadimplência. O resultado é um crédito mais caro e seletivo, dificultando o acesso a novos financiamentos, especialmente para pequenos negócios e famílias de menor renda.

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Crédito cresce menos e mostra desaceleração

O volume total de crédito bancário no país alcançou cerca de R$ 7,1 trilhões em 2025, um crescimento de 10,2% em relação ao ano anterior. O desempenho, embora positivo, mostra uma desaceleração em comparação a 2024, quando a expansão havia sido de 11,5%.

Segundo o Banco Central, esse ritmo mais lento já era esperado, reflexo da política monetária mais dura e da menor demanda por crédito em um ambiente de juros elevados. Para 2026, a autoridade monetária projeta um avanço ainda mais moderado, com expansão próxima a 8,5%.

Inadimplência atinge recorde histórico

A inadimplência bancária também registrou forte alta em 2025, alcançando 4,1% das operações de crédito, o maior nível desde o início da série histórica em 2011. Entre as pessoas físicas, o índice chegou a 5%, refletindo a dificuldade de pagamento diante do custo crescente do crédito e da perda de renda em diversos setores da economia.

Nas empresas, o cenário também é de alerta: a taxa de inadimplência passou de 2% para 2,5%, o maior valor em mais de um ano. Especialistas apontam que a tendência é de estabilidade em níveis elevados nos primeiros meses de 2026, com recuperação apenas se houver redução consistente da Selic.

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Linhas de crédito mais caras preocupam consumidores

Modalidades como o cheque especial e o cartão de crédito rotativo seguem entre as mais onerosas do mercado. Mesmo com a regulamentação que limita o valor da dívida no cartão rotativo, as taxas permanecem acima de 400% ao ano, tornando essa a linha de crédito mais cara do sistema financeiro.

No cheque especial, os juros continuam em alta, superando 130% ao ano, o que reforça a necessidade de cautela por parte dos consumidores. Especialistas recomendam evitar essas modalidades e buscar alternativas mais acessíveis, como portabilidade ou renegociação direta com os bancos.

Perspectivas para 2026

O Banco Central sinaliza que a política monetária deve permanecer cautelosa no início de 2026, mantendo a Selic elevada até que haja maior segurança na trajetória da inflação. O mercado, no entanto, projeta possíveis cortes graduais nos juros a partir do segundo semestre, caso os preços e a atividade econômica se estabilizem.

Enquanto isso, os impactos sobre o crédito e a inadimplência devem continuar sendo sentidos. A combinação de juros altos, crédito restrito e maior endividamento das famílias tende a manter o cenário econômico desafiador, tanto para o consumo quanto para os investimentos produtivos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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