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Exportações da piscicultura brasileira mantêm estabilidade em 2025, mesmo com tarifa de 50% dos EUA

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Exportações da piscicultura resistem ao impacto das tarifas dos Estados Unidos

Apesar do cenário desafiador provocado pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras da piscicultura encerraram 2025 com desempenho estável. O país registrou quase US$ 60 milhões em receitas, um aumento de 2% em relação a 2024, enquanto o volume exportado teve queda de 1%, totalizando 13,7 mil toneladas.

Os dados constam da 24ª edição do Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, elaborado pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR).

Segundo o pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa (Palmas-TO), o impacto do tarifaço foi menor do que o esperado. “A medida começou a valer em agosto e reduziu as exportações do terceiro e quarto trimestres em 28% e 34%, respectivamente. Ainda assim, o bom desempenho de janeiro a julho sustentou o resultado positivo no acumulado do ano”, explicou.

Tilápia mantém protagonismo nas exportações e impulsiona receitas

A tilápia continua sendo o carro-chefe das exportações brasileiras de peixes cultivados. A categoria de filés frescos ou refrigerados registrou aumento de 12% em valor, passando de US$ 36,6 milhões em 2024 para US$ 41,1 milhões em 2025.

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Por outro lado, a categoria de peixes inteiros congelados, a segunda mais importante, apresentou queda de 27%, totalizando US$ 12,9 milhões, ante US$ 17,6 milhões no ano anterior. Mesmo assim, o setor observou um crescimento expressivo de 245% nas exportações de filés congelados, que ultrapassaram US$ 3 milhões.

Pedroza destaca que o principal impacto do tarifaço foi a redução das vendas de tilápia para os Estados Unidos, que ainda assim seguiram como principal destino das exportações, respondendo por 87% do total comercializado (US$ 52,1 milhões).

Canadá e México ganham espaço como novos mercados da tilápia brasileira

Com o recuo das vendas para os Estados Unidos, as empresas brasileiras buscaram novos mercados para escoar a produção. O Canadá foi o principal destaque, com alta de 108% nas importações de tilápia brasileira em 2025. Já o México retomou as compras após um período de retração, fortalecendo-se como mercado estratégico alternativo.

Além disso, o crescimento de 421% nas exportações de filés congelados de tilápia sugere uma mudança de estratégia comercial, voltada para produtos com maior valor agregado e acesso facilitado em mercados secundários.

Importações e participação global do Brasil na piscicultura

O estudo da Embrapa também aponta que o Brasil importou US$ 1,5 milhão em filés de tilápia do Vietnã, equivalente a 374 toneladas, tornando-se a terceira espécie de peixe mais importada, atrás apenas do salmão e do pangasius.

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Mesmo com o tarifaço, o Brasil segue entre os principais exportadores de tilápia do mundo, consolidando-se como um fornecedor relevante na América do Norte e na América Latina.

Perspectivas para 2026: busca por novos mercados e acordo com a União Europeia

Para 2026, a expectativa é de cautela. Segundo Manoel Pedroza, caso o tarifaço dos EUA seja mantido, as exportações da piscicultura podem cair em relação a 2025, já que o país é o principal comprador do peixe brasileiro.

“Ainda que os exportadores estejam abrindo novas frentes, é difícil substituir o volume absorvido pelos Estados Unidos no curto prazo”, afirmou.

No médio prazo, o mercado europeu surge como alternativa promissora, especialmente após o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que prevê redução gradual e até isenção de tarifas sobre pescados brasileiros. Essa medida pode aumentar a competitividade dos produtos da piscicultura nacional quando as exportações para o bloco forem retomadas.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado global de açúcar pode registrar déficit em 2026/27, alerta Organização Internacional do Açúcar

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A Organização Internacional do Açúcar projeta que o mercado global de açúcar deverá entrar em déficit na safra 2026/27, sinalizando uma possível mudança no equilíbrio entre oferta e demanda após um período de superávit mundial.

Segundo estimativa divulgada pela entidade em atualização trimestral, o déficit global deverá alcançar 0,262 milhão de toneladas métricas na próxima temporada, refletindo principalmente uma queda prevista de cerca de 2 milhões de toneladas na produção mundial.

El Niño amplia preocupação com oferta global de açúcar

De acordo com a OIA, o avanço do fenômeno climático El Niño aumenta os riscos para importantes regiões produtoras, elevando as preocupações com produtividade agrícola e oferta global da commodity.

O relatório aponta que as condições climáticas podem afetar diretamente a produção de cana-de-açúcar em grandes exportadores, alterando o comportamento do mercado internacional ao longo de 2026 e 2027.

A entidade destacou que a previsão de déficit marca a primeira estimativa oficial para a safra 2026/27.

Superávit global de açúcar em 2025/26 foi revisado para cima

Apesar da perspectiva de déficit futuro, a Organização Internacional do Açúcar revisou para cima sua projeção de superávit global na temporada 2025/26, considerando o ciclo entre outubro e setembro.

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A estimativa passou de 1,22 milhão para 2,244 milhões de toneladas métricas, indicando oferta ainda confortável no curto prazo.

Segundo a entidade, o cenário atual tende a manter os preços relativamente estáveis nos próximos meses.

“A perspectiva para os preços nos próximos três meses é neutra, pois o superávit de 2025/26 é modesto”, informou a organização.

Formação de estoques pode sustentar preços internacionais

Mesmo com oferta global positiva na temporada atual, a OIA avalia que alguns fatores podem limitar pressões de baixa sobre os preços internacionais do açúcar.

Entre eles estão:

  • preocupações com redução no uso de fertilizantes;
  • aumento das operações de hedge;
  • formação preventiva de estoques;
  • incertezas climáticas relacionadas ao El Niño.

Segundo a entidade, esses elementos podem contribuir para maior sustentação dos preços no mercado internacional.

Produção global de etanol deve crescer em 2026

O relatório também apresentou projeções para o mercado global de etanol, setor diretamente ligado à cadeia sucroenergética.

A expectativa da OIA é que a produção mundial avance de 123,1 bilhões para 129,4 bilhões de litros em 2026, impulsionada principalmente pela recuperação da produção brasileira e pela expansão do setor na Índia.

O consumo global de etanol também deverá crescer, passando de 122,9 bilhões para 126,9 bilhões de litros, embora ainda permaneça abaixo da oferta prevista.

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Alta do petróleo fortalece demanda por biocombustíveis

Segundo a organização, o aumento dos preços do petróleo, influenciado pelas tensões geopolíticas no Golfo Pérsico, vem ampliando o interesse global pelos biocombustíveis.

A OIA destacou que diversos países estão ampliando programas de mistura de etanol à gasolina como estratégia energética e ambiental.

Entre os movimentos citados pela entidade estão:

  • o avanço do E32 no Brasil;
  • discussões sobre E25 na Índia;
  • ampliação do E20 na União Europeia.

Os biocombustíveis ganham competitividade econômica em cenários de petróleo elevado, favorecendo a demanda por etanol produzido a partir da cana-de-açúcar e do milho.

Brasil segue no centro das atenções do mercado sucroenergético

Com a recuperação da produção nacional prevista para 2026, o Brasil deve continuar exercendo papel estratégico no abastecimento global tanto de açúcar quanto de etanol.

O desempenho climático da safra brasileira, aliado ao comportamento da demanda internacional por biocombustíveis, deverá ser determinante para o equilíbrio do mercado global nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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