AGRONEGÓCIO
Energia solar impulsiona desenvolvimento sustentável em comunidades rurais de Minas Gerais
Publicado em
19 de janeiro de 2026por
Da Redação
O investimento da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em energia solar tem transformado comunidades urbanas e rurais de Minas Gerais. Nos últimos cinco anos, a empresa destinou mais de R$ 6 milhões à implantação de 100 usinas solares fotovoltaicas no estado, com foco especial na região Norte.
O projeto promove redução de custos com energia elétrica, acesso à água potável, fortalecimento da produção local e geração de energia limpa, beneficiando diretamente centenas de famílias mineiras.
Potencial solar e sustentabilidade no Norte de Minas
Com cerca de 300 dias de sol por ano, o Norte de Minas se destaca como uma das regiões com maior potencial para a geração de energia solar no Brasil. As usinas instaladas pela Codevasf já somam potência superior a 1.100 kWp, produzindo mais de 3,25 milhões de kWh de energia limpa desde o início do projeto.
Além de diversificar a matriz energética regional, a iniciativa contribui para a redução de custos operacionais e mitigação dos impactos ambientais, evitando a emissão de mais de 1.700 toneladas de dióxido de carbono (CO₂). O projeto já apresenta retorno de mais de 50% do investimento inicial (payback) nas fases iniciais de operação.
Energia solar fortalece pequenas comunidades rurais
De acordo com o superintendente da Codevasf em Minas Gerais, Romeu Souto, o projeto faz parte do Programa de Arranjos Produtivos Locais (APL) e tem como principal objetivo o fortalecimento das pequenas comunidades rurais atendidas pela companhia.
“Em Minas Gerais, comunidades de diversos municípios estão sendo beneficiadas com sistemas de energia para poços de abastecimento de água, unidades de processamento de frutas e mel, apoio à agricultura familiar, corte e costura, além de energia para residências e espaços comunitários”, explica Souto.
As usinas utilizam sistemas on-grid e off-grid, adaptados às diferentes realidades locais. As instalações off-grid — desconectadas da rede elétrica — são essenciais para comunidades isoladas, garantindo autonomia energética e melhoria na qualidade de vida, especialmente em sistemas de abastecimento de água.
O engenheiro eletricista da Codevasf, Rodrigo Ugoline, destaca que os sistemas on-grid permitem a compensação de energia na rede pública.
“A geração local reduz significativamente as contas de eletricidade, proporcionando economia direta às comunidades atendidas”, afirma.
Turmalina: exemplo de transformação com energia solar
Um dos casos de maior destaque é o da comunidade de Barreiro, no município de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha. A usina solar instalada no local já demonstra resultados expressivos para os moradores.
A energia gerada abastece três bombas responsáveis pela distribuição de água captada no rio Araçuaí, a 1,5 quilômetro de distância. O sistema garante o fornecimento regular de água para 132 famílias, por meio de uma rede de 10 quilômetros de extensão.
Energia limpa amplia oportunidades locais
A agricultora orgânica e empreendedora Maria Floraci, conhecida como dona Cissa, destaca o impacto positivo do projeto.
“A usina abastece a sede da comunidade e a tenda de farinha, onde utilizamos máquinas fornecidas pela Codevasf. Antes, tínhamos dificuldades com os altos custos de energia e manutenção. Agora, conseguimos trabalhar com estabilidade e planejar novos negócios”, afirma.
A liderança comunitária também ressalta a atuação do Centro Alternativo Vicente Nica, que articulou a parceria com a Codevasf. Com a nova infraestrutura energética, a comunidade já projeta a criação de uma agroindústria para o processamento de frutas, legumes e verduras, aproveitando uma cozinha comunitária existente.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Published
5 horas agoon
25 de junho de 2026By
Da Redação
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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