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Perdas de R$ 40 milhões com crimes e fraudes desafiam logística de fertilizantes

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Os roubos, furtos e adulterações de fertilizantes no Brasil acumularam mais de R$ 40 milhões em prejuízos entre 2021 e 2024, segundo dados apresentados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Embora o número chame atenção e exponha fragilidades logísticas persistentes, especialistas ponderam que, quando distribuído ao longo dos quatro anos, o impacto anual — pouco mais de R$ 10 milhões — representa uma fração mínima diante de um mercado que movimenta mais de R$ 120 bilhões por ano e importa mais de 40 milhões de toneladas do insumo.

Ainda assim, a cifra não deve ser ignorada. Para o setor, o problema não é apenas financeiro: cada desvio, fraude ou adulteração compromete a segurança operacional, prejudica transportadoras, aumenta o risco para seguradoras e gera insegurança para toda a cadeia, em especial num país cuja competitividade agrícola depende fortemente desses produtos.

A maior parte das perdas decorre de adulterações, que somaram R$ 26,9 milhões no período. Roubos e furtos responderam por outros R$ 21,7 milhões. O coordenador do Comitê Security da ANDA, Rafael Marson, classificou o momento como um “ponto de atenção estrutural”, impulsionado por brechas logísticas, transporte vulnerável e quadrilhas especializadas.

O comportamento das ocorrências oscila ano a ano. O pico foi registrado em 2022, com R$ 17,4 milhões em perdas. Nos dois anos seguintes, houve recuo — R$ 10,9 milhões em 2023 e R$ 9,7 milhões em 2024 — mas, na contramão dos valores, a frequência dos casos voltou a crescer.

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Foram 248 episódios de adulteração em quatro anos. Após uma queda entre 2021 e 2022, as ocorrências deram um salto de 57% em 2023–2024. A ANDA destaca que boa parte envolve cargas originadas no Porto de Paranaguá, um dos principais hubs do setor. Já os roubos e furtos totalizaram 222 registros, dobrando em 2024 — de 29 para 58 casos.

A concentração geográfica também preocupa. Maranhão, Pará, Mato Grosso e Paraná responderam por 91% dos ataques em 2024, com o Maranhão liderando isoladamente: 70% das investidas ocorreram em cargas associadas ao Porto do Itaqui.

Para mitigar riscos, empresas da cadeia e transportadoras ampliaram programas de prevenção. No webinar, especialistas ressaltaram que o mercado de seguros vem exigindo padrões mais robustos de controle.

Ana Paula Andriolli, da EuroChem, afirmou que as transportadoras passaram a adotar monitoramento de rotas em tempo real, telemetria, dispositivos IoT e análise de perfil de motoristas e parceiros, medidas que reduzem sinistros e trazem ganhos de eficiência. Além disso, operações com maior rigor logístico tendem a negociar prêmios de seguro mais baixos.

Segundo ela, “a credibilidade operacional hoje depende diretamente do nível de rastreabilidade da carga”, e cada embarque exige um programa de gerenciamento de riscos próprio, considerando trajeto, tipo de produto e grau de exposição.

A discussão também chamou atenção para gargalos estruturais. O Brasil — terceiro maior produtor mundial de grãos — viu sua demanda por fertilizantes subir 450% em 20 anos. Atualmente, 80% do consumo é importado, o que pressiona portos e amplia a necessidade de deslocamento interno.

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Entre 2010 e 2024, 86% dos fertilizantes circularam por rodovias, contra apenas 14% por ferrovias. Com longas distâncias, pavimentação irregular e custo elevado do diesel, o transporte ficou 21% mais caro entre 2010 e 2022, aumentando a exposição a acidentes e crimes.

Para Kleyton Bandeira, também da EuroChem, essa combinação cria “um paradoxo logístico”: um dos pilares da produtividade agrícola nacional depende de um sistema que ainda apresenta lacunas significativas. “Garantir oferta não basta; o desafio é garantir que o produto chegue íntegro ao produtor”, afirmou.

Com a aproximação do período de maior movimentação logística do setor, especialistas avaliam que o debate deve ganhar força. A ANDA defende articulação entre governos estaduais, transportadoras, órgãos de segurança e operadores portuários para reduzir vulnerabilidades — não apenas pelo impacto financeiro, mas pelo efeito cascata sobre a competitividade agrícola brasileira.

O consenso entre os participantes é que os R$ 40 milhões de prejuízo não contam toda a história: as perdas revelam a urgência de um sistema mais moderno, rastreável e integrado. Em uma cadeia tão estratégica quanto a de fertilizantes, cada falha na rota pesa — e muito — no campo.

Fonte: Pensar Agro

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Craques da Natureza realiza 2ª edição com plantio de mudas na região do Pedra 90

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A Prefeitura de Cuiabá promove nesse domingo (28) a segunda edição da campanha Craques da Natureza: Plantou, Colou!, que reunirá crianças, famílias e moradores para o plantio de 600 mudas de árvores no na região do bairro Pedra 90.

A ação contará com a participação de crianças atendidas pelos projetos Siminina e Siminino.

O ponto de encontro será na Avenida Tatsumi Koga, conhecida como Avenida V2. De lá, os participantes seguirão em mutirão até os locais definidos para o plantio das mudas.

Como forma de incentivar a participação das crianças, empresas parceiras doaram pacotes de figurinhas da Copa do Mundo. Ao todo, serão distribuídas mil figurinhas aos participantes da ação, além de pipoca, picolé e vouchers durante a programação.

A campanha integra as ações da Prefeitura de Cuiabá voltadas à ampliação da cobertura vegetal da cidade e faz parte da programação do mês do meio ambiente. A meta da gestão municipal é plantar aproximadamente 4 mil árvores em diferentes regiões da capital.

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A primeira edição da iniciativa foi realizada no Parque Tia Nair e reuniu cerca de 200 crianças, além de dezenas de famílias, que participaram do plantio de 400 mudas em menos de uma hora. O prefeito Abilio Brunini acompanhou a atividade e participou da entrega dos vouchers aos participantes.

A campanha conta com o apoio de diversas secretarias municipais. O Horto Florestal Tote Garcia disponibiliza as mudas e presta orientações técnicas sobre o plantio. Também participam da mobilização a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb), o gabinete da primeira-dama e a Secretaria Municipal de Assistência Social.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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