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Exportações de café do Brasil somam 36,9 milhões de sacas em 2025, com queda de 21% no volume e alta de 25% na receita cambial

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As exportações brasileiras de café totalizaram 36,868 milhões de sacas de 60 kg entre janeiro e novembro de 2025, segundo o relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O volume representa uma queda de 21% em relação ao mesmo período de 2024, quando o país havia exportado 46,658 milhões de sacas.

Apesar da retração, a receita cambial cresceu 25,3%, saltando de US$ 11,377 bilhões para US$ 14,253 bilhões, impulsionada pela valorização dos preços internacionais do grão, que registraram média 50% superior à de 2024.

De acordo com Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, a redução nos embarques era esperada após o recorde histórico do ano anterior e a menor disponibilidade do produto em 2025. “A alta de preços compensou parte da queda no volume exportado, mas fatores como o tarifaço dos EUA e os gargalos logísticos portuários impactaram diretamente o desempenho do setor”, afirmou.

Tarifa de 50% imposta pelos EUA reduz embarques em mais de 50%

Entre agosto e novembro de 2025, período de vigência da tarifa de 50% sobre as importações de café brasileiro pelos Estados Unidos, as exportações para o mercado norte-americano despencaram 54,9%, caindo de 2,917 milhões de sacas para 1,315 milhão.

Ferreira destacou que, com a retirada das tarifas sobre os cafés arábica, conilon, robusta, torrado e moído, as negociações voltaram a crescer e devem refletir resultados mais positivos a partir de dezembro. No entanto, o café solúvel, que representa cerca de 10% das exportações para os EUA, segue sujeito à taxação de 50%.

“Continuaremos trabalhando para que o café solúvel também seja isento, já que ele ainda é penalizado”, reforçou o presidente do Cecafé.

Problemas logísticos nos portos geram prejuízos milionários

Além da política comercial dos EUA, os exportadores enfrentaram sérios entraves na infraestrutura portuária brasileira. De acordo com o Cecafé, só em outubro de 2025, os associados acumularam prejuízo de R$ 8,7 milhões devido à impossibilidade de embarque de 2.065 contêineres — cerca de 681 mil sacas de café.

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O levantamento mostra que 52% dos navios (204 de um total de 393) sofreram atrasos ou mudanças de escala nos principais portos do país. No Porto de Santos, responsável por 79% dos embarques nacionais, o índice de atrasos chegou a 73%, com tempo de espera de até 61 dias.

Desempenho por destino: EUA seguem como principal comprador

Mesmo com a queda provocada pelas tarifas, os Estados Unidos permaneceram como principal destino do café brasileiro, importando 5,042 milhões de sacas entre janeiro e novembro de 2025, redução de 32,2% em relação ao mesmo período de 2024.

Na sequência, aparecem:

  • Alemanha: 5,003 milhões de sacas (-31%);
  • Itália: 2,912 milhões de sacas (-21,7%);
  • Japão: 2,413 milhões de sacas (+17,5%);
  • Bélgica: 2,146 milhões de sacas (-47,5%).
Arábica domina exportações, mas cafés diferenciados ganham espaço

O café arábica manteve sua liderança, representando 80,4% das exportações com 29,63 milhões de sacas enviadas. O canéfora (conilon + robusta) respondeu por 10,2%, com 3,773 milhões de sacas, seguido pelo café solúvel (9,3%) e pelo torrado e moído (0,1%).

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Os cafés diferenciados, com certificações de qualidade ou sustentabilidade, representaram 19,6% do total exportado, somando 7,221 milhões de sacas — uma queda de 11% no volume, mas com receita 42,9% maior, totalizando US$ 3,122 bilhões.

Os principais destinos desses cafés premium foram:

  • Estados Unidos: 1,192 milhão de sacas (16,5%);
  • Alemanha: 1,111 milhão (15,4%);
  • Bélgica: 729,6 mil (10,1%);
  • Holanda: 691 mil (9,6%);
  • Itália: 416,9 mil (5,8%).
Porto de Santos concentra quase 80% dos embarques

Mesmo enfrentando atrasos e custos adicionais, o Porto de Santos (SP) segue como o principal ponto de escoamento do café brasileiro, com 29,056 milhões de sacas exportadas, o equivalente a 78,8% do total nacional em 2025.

Na sequência estão:

  • Complexo Portuário do Rio de Janeiro: 6,469 milhões de sacas (17,5%);
  • Porto de Paranaguá (PR): 343,9 mil sacas (0,9%).

Relatório completo

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Portos brasileiros avançam em sustentabilidade e ganham protagonismo com acordo Mercosul-União Europeia

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A agenda de sustentabilidade dos portos brasileiros ganha importância estratégica diante da expectativa de implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia. Além de ampliar o fluxo comercial entre os blocos, o pacto reforça a necessidade de adequação das cadeias logísticas às exigências ambientais cada vez mais rigorosas do mercado europeu.

Com compromissos voltados à proteção ambiental, combate às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável, o acordo coloca a infraestrutura portuária no centro das discussões sobre competitividade internacional e acesso a mercados.

Nesse cenário, os investimentos realizados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em descarbonização, transição energética e modernização da infraestrutura logística passam a representar não apenas uma agenda ambiental, mas também um diferencial estratégico para o comércio exterior brasileiro.

Exigências ambientais da Europa pressionam cadeias logísticas

Nos últimos anos, a União Europeia ampliou significativamente as regras ambientais que impactam o transporte marítimo e o comércio global. Entre as principais medidas estão:

  • Metas progressivas de redução das emissões de carbono dos navios;
  • Inclusão do setor marítimo em sistemas de precificação de carbono;
  • Incentivo ao uso de energia elétrica para embarcações atracadas;
  • Exigências de rastreabilidade ambiental em diversas cadeias produtivas;
  • Estímulo à utilização de combustíveis de baixo carbono.

A adaptação a essas normas tornou-se um requisito fundamental para países exportadores que desejam manter competitividade nos mercados internacionais.

Sustentabilidade se torna fator de competitividade

Para o ministro dos Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma questão ambiental para se consolidar como um elemento estratégico para o crescimento econômico.

Segundo ele, a transformação da logística global exige investimentos em eficiência energética, inovação tecnológica e redução de emissões, fatores que fortalecem a infraestrutura nacional e ampliam a capacidade do Brasil de atender às demandas do comércio internacional.

Política de Sustentabilidade acelera transição energética

Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos instituiu sua Política de Sustentabilidade, estabelecendo diretrizes voltadas à redução de gases de efeito estufa, promoção da transição energética e fortalecimento da resiliência climática nos setores portuário, hidroviário e aeroportuário.

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Como parte dessa estratégia, foi criado o Pacto pela Sustentabilidade, programa que incentiva empresas do setor de transportes a adotarem práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).

Empresas participantes podem obter certificações oficiais e benefícios institucionais, incluindo prioridade na análise de projetos, acompanhamento de processos de licenciamento ambiental e reconhecimento das boas práticas implementadas.

Além disso, o planejamento portuário nacional contempla:

  • Eletrificação de equipamentos;
  • Ampliação do uso de energias renováveis;
  • Gestão e monitoramento de emissões;
  • Inclusão de critérios ESG em concessões e projetos de infraestrutura.
Corredores verdes ganham espaço na logística internacional

Outro destaque da agenda brasileira é o desenvolvimento dos chamados corredores marítimos sustentáveis, modelo que busca integrar infraestrutura moderna, combustíveis limpos e soluções tecnológicas para reduzir a pegada de carbono do transporte marítimo.

O tema vem sendo debatido em fóruns internacionais como G20, BRICS e COP30, consolidando-se como uma das principais estratégias globais para a descarbonização do setor.

Nesse contexto, Brasil, Noruega e Países Baixos avançam na construção de um corredor marítimo verde ligando a América do Sul à Europa. Desde a assinatura de um memorando de entendimento em 2025, equipes técnicas realizam estudos de viabilidade e definem possíveis rotas para a iniciativa.

Portos brasileiros já implementam projetos sustentáveis

Diversos portos do país já desenvolvem ações concretas alinhadas à transição energética e à redução das emissões de carbono.

Suape terá primeiro terminal de contêineres 100% elétrico da América Latina

No Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, está em implantação o primeiro terminal de contêineres totalmente elétrico da América Latina.

O empreendimento recebeu investimentos superiores a R$ 2 bilhões e contará com equipamentos eletrificados, automação operacional e infraestrutura digital integrada. A expectativa é elevar em 55% a capacidade logística do complexo, ao mesmo tempo em que reduz significativamente as emissões.

Porto de Santos reduz consumo de diesel com energia em terra

No Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, foi implantado o sistema Onshore Power Supply (OPS), tecnologia que permite o fornecimento de energia elétrica diretamente da rede terrestre para embarcações atracadas.

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A medida reduz a necessidade de uso de motores movidos a diesel durante as operações portuárias, diminuindo emissões e melhorando a eficiência energética.

Paranaguá aposta em energia solar e ampliação ferroviária

No Paraná, o Porto de Paranaguá fortalece sua estratégia sustentável por meio da expansão da logística ferroviária e da geração de energia solar.

Entre os projetos em andamento está o Moegão, obra que ampliará significativamente a movimentação ferroviária de cargas, reduzindo o fluxo de caminhões e as emissões associadas ao transporte rodoviário.

Pecém busca liderança na economia do hidrogênio verde

No Ceará, o Complexo do Pecém consolida sua posição como um dos principais polos brasileiros de hidrogênio verde.

Além da atração de investimentos internacionais, o complexo desenvolve projetos voltados à produção de amônia verde, combustível considerado fundamental para a descarbonização da indústria e do transporte marítimo.

Porto do Açu investe em combustíveis de baixo carbono

No Rio de Janeiro, o Porto do Açu avança em iniciativas voltadas à criação de corredores verdes e ao desenvolvimento de projetos relacionados ao hidrogênio e combustíveis de baixa emissão de carbono.

Os investimentos reforçam o papel estratégico dos portos brasileiros na transição energética global e na construção de uma logística mais sustentável.

Sustentabilidade fortalece exportações brasileiras

Com a evolução das exigências ambientais internacionais, especialmente no mercado europeu, a modernização sustentável dos portos brasileiros se torna um fator decisivo para ampliar a competitividade das exportações nacionais.

A combinação entre infraestrutura moderna, energia limpa, eficiência operacional e redução de emissões posiciona o Brasil de forma mais favorável para aproveitar as oportunidades comerciais abertas pelo acordo Mercosul-União Europeia e consolidar sua presença nos principais mercados globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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