AGRONEGÓCIO
Farelo de soja atinge maior preço do ano e melhora margens de esmagamento; óleo segue em queda
Publicado em
19 de novembro de 2025por
Da Redação
Farelo de soja tem forte alta em novembro e alcança maior valor do ano
O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, mostrou que o farelo de soja apresentou expressiva valorização na primeira quinzena de novembro, atingindo o maior preço do ano. Após um mês de outubro marcado por estabilidade, o produto registrou alta de 14% na Bolsa de Chicago (CBOT), chegando a US$ 321 por tonelada.
O movimento de alta foi impulsionado pela parada para manutenção de plantas de esmagamento nos Estados Unidos, pela redução nas margens devido à valorização do grão e pelo temor de menor disponibilidade de farelo no curto prazo.
No Brasil, a reação também foi significativa: em Rondonópolis (MT), o preço do farelo subiu 10,8%, alcançando R$ 1.587 por tonelada.
Óleo de soja segue trajetória oposta e acumula quedas consecutivas
Enquanto o farelo apresentou forte valorização, o óleo de soja manteve tendência negativa. Na CBOT, o produto caminha para a quarta queda mensal consecutiva, com desvalorização de 1,8% na primeira metade de novembro, cotado a US$ 49,3 centavos por libra-peso.
No mercado doméstico, o cenário é semelhante. No Mato Grosso, os preços recuaram cerca de 1% no período, chegando a R$ 6.586 por tonelada.
Exportações brasileiras de farelo mantêm ritmo forte
Com o avanço dos preços internacionais, a paridade de exportação voltou a subir no Brasil. Até outubro, as exportações de farelo de soja somaram 20,2 milhões de toneladas, um aumento de 3,9% em relação ao mesmo período de 2023.
O line-up de novembro indica embarques próximos de 2,4 milhões de toneladas, o que pode representar o maior volume do segundo semestre. Esse desempenho reduz a oferta interna e melhora as margens das indústrias esmagadoras brasileiras.
USDA revisa para cima a estimativa de esmagamento e exportações do Brasil
No relatório de novembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima as estimativas de esmagamento de soja no Brasil, passando de 58 milhões para 59 milhões de toneladas. A produção de farelo subiu para 45,5 milhões de toneladas, as exportações para 24 milhões de toneladas, e os estoques finais atingiram 3,8 milhões de toneladas.
A demanda externa aquecida e a oferta doméstica limitada mantêm o mercado de farelo aquecido, com tendência de novas valorizações caso o ritmo internacional continue forte.
Farelo valorizado impulsiona margens de processamento
Mesmo com a alta nos preços da soja, o forte avanço do farelo tem proporcionado melhora nas margens de esmagamento tanto no Brasil quanto em outros países.
Enquanto o óleo de soja manteve cotações estáveis, a valorização do farelo garantiu melhor rentabilidade ao processamento durante a primeira quinzena de novembro.
Além disso, importadores europeus e asiáticos ampliaram a procura pelo farelo americano, em meio às incertezas sobre a aplicação da Regulamentação Europeia Antidesmatamento (EUDR), o que impulsionou os prêmios nos Estados Unidos e pode continuar sustentando os futuros do farelo nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Safra 2026/2027 reduz crédito rural, corta recursos equalizados e amplia críticas sobre números anunciados pelo governo
Published
11 minutos agoon
1 de julho de 2026By
Da Redação
O anúncio do Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial, realizado pelo governo federal, gerou forte reação do setor produtivo e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Embora o Executivo tenha apresentado o programa como um “Plano Safra recorde”, a análise detalhada dos números revela redução nos recursos destinados às principais modalidades de crédito rural, diminuição do volume de recursos equalizados e mudanças na metodologia de cálculo que elevaram artificialmente o valor total anunciado.
O plano soma R$ 525,1 bilhões, crescimento nominal de 1,7% em relação ao ciclo anterior. Entretanto, parte desse aumento decorre da incorporação de recursos provenientes de programas que tradicionalmente não integravam o escopo do Plano Safra, enquanto linhas consideradas essenciais para o financiamento da produção registraram cortes significativos.
Crédito para custeio encolhe e preocupa produtores
A principal redução ocorreu justamente nas operações de custeio e comercialização, responsáveis por financiar o plantio, a compra de insumos, o manejo das lavouras e a manutenção da atividade agropecuária.
Os recursos destinados a essa finalidade caíram de R$ 414,7 bilhões no Plano Safra 2025/2026 para R$ 384,9 bilhões no novo ciclo, uma redução de 7,2%. Para entidades do setor, essa diminuição pode limitar o acesso ao crédito rural em um momento de elevados custos de produção e restrição financeira enfrentada pelos produtores.
Outro ponto considerado preocupante é a queda dos recursos equalizados — aqueles subsidiados pelo Tesouro Nacional para reduzir as taxas de juros das operações de crédito rural. O volume passou de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, representando retração de 14,7%.
Na avaliação de representantes do agronegócio, a redução reforça uma tendência de substituição das linhas com juros controlados por modalidades de financiamento mais caras, aumentando o custo do crédito no campo.
Investimentos crescem apenas no papel, apontam análises
Embora o governo tenha destacado um aumento de 38,1% nos recursos destinados aos investimentos, passando de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, especialistas observam que esse crescimento decorre, em grande parte, da inclusão de recursos de programas externos ao crédito rural tradicional.
Entre os valores incorporados estão R$ 10 bilhões do programa Move Agricultura, vinculado ao Move Brasil, além de R$ 28,5 bilhões do Ecoinvest Brasil, iniciativa voltada à recuperação de pastagens.
Sem esses recursos adicionais, o volume efetivamente disponível para investimentos dentro da estrutura tradicional do Plano Safra seria significativamente menor. Nesse cenário, o total do programa ficaria em R$ 486,6 bilhões, cerca de 5,7% abaixo do montante disponibilizado no ciclo anterior.
Linhas estratégicas sofrem cortes expressivos
Apesar do discurso de fortalecimento dos investimentos, a maior parte das linhas tradicionais registrou redução de recursos.
O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), voltado à renovação de máquinas agrícolas, sofreu um dos maiores cortes do plano. Os recursos caíram de R$ 9,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões, redução superior a 50%.
Também houve diminuição nos recursos destinados ao Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), justamente em um momento em que o Brasil enfrenta déficit de capacidade de armazenagem diante das sucessivas safras recordes.
Segundo avaliações do setor, das 12 principais linhas de investimento com juros definidos, apenas uma apresentou aumento de recursos.
Recursos privados ganham peso no financiamento
Outra parcela relevante do Plano Safra continua baseada nas Cédulas de Produto Rural (CPRs), que representam aproximadamente R$ 194 bilhões do total anunciado.
Esses recursos são financiados principalmente pelas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), instrumento privado que mantém isenção de Imposto de Renda para investidores e se consolidou como uma das principais fontes de financiamento do setor.
O fortalecimento das LCAs ganhou ainda mais importância após a rejeição, pelo Congresso Nacional, da proposta do governo que previa tributação desses títulos. Segundo integrantes da bancada ruralista, caso a medida tivesse sido aprovada, a disponibilidade de recursos privados para o crédito agrícola poderia ser ainda menor.
Seguro Rural permanece fragilizado
Outro ponto que gerou críticas foi a ausência de medidas para fortalecer o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Nas últimas semanas, o governo promoveu sucessivos bloqueios orçamentários que reduziram os recursos do programa de R$ 1,01 bilhão para aproximadamente R$ 473 milhões.
Com a redução, entidades do setor estimam que a cobertura do Seguro Rural poderá atingir o menor nível da última década, justamente em um cenário marcado pela confirmação do fenômeno El Niño e pelo aumento dos riscos climáticos para a produção agrícola.
A limitação do programa preocupa produtores, especialmente diante do elevado endividamento do setor e da crescente frequência de eventos climáticos extremos.
FPA critica números e cobra mudanças na política agrícola
Em nota oficial, a Frente Parlamentar da Agropecuária classificou o Plano Safra 2026/2027 como insuficiente para atender às necessidades do setor produtivo.
Segundo a entidade, o governo utilizou uma metodologia diferente das edições anteriores ao incorporar recursos externos ao crédito rural tradicional, criando a percepção de um programa maior do que efetivamente representa para o produtor.
A FPA também criticou a redução dos recursos destinados ao custeio, aos investimentos estratégicos, ao crédito equalizado e ao Seguro Rural, afirmando que essas medidas ocorrem justamente em um momento de elevado endividamento do campo e aumento da exposição aos riscos climáticos.
Além das questões financeiras, a bancada ruralista manifestou preocupação com a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de lançamento do Plano Safra voltado à agricultura empresarial. Para a entidade, a decisão transmite um sinal político de divisão entre agricultura empresarial e agricultura familiar, quando ambas integram a mesma cadeia responsável pelo abastecimento, geração de empregos e desenvolvimento da economia brasileira.
A Frente Parlamentar da Agropecuária informou que continuará defendendo, no Congresso Nacional, a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata da renegociação das dívidas rurais, e do Projeto de Lei nº 2.951/2024, que propõe uma reformulação do modelo de Seguro Rural no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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