AGRONEGÓCIO

Setor produtivo do Paraná cobra ações do governo federal para renegociação de dívidas, seguro rural e crise do leite

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Representantes do agronegócio paranaense encaminharam, na última sexta-feira (7), um documento ao governo federal solicitando ações emergenciais para o setor rural. Entre as principais demandas estão a renegociação de dívidas de produtores afetados por intempéries, reforço no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural e apoio para conter a crise no setor leiteiro.

O ofício foi enviado à ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e aos ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. A proposta foi elaborada em conjunto pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), pelo Sistema Ocepar, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes-PR).

Perdas climáticas provocam prejuízos generalizados no Estado

O documento destaca que os produtores rurais do Paraná vêm enfrentando grandes prejuízos causados por tempestades, ventos fortes e granizo, que atingiram praticamente todo o Estado. Os danos afetaram lavouras, aviários e estruturas de armazenagem, comprometendo a renda de centenas de famílias no campo.

Segundo as entidades, os prejuízos ainda estão sendo calculados, mas já justificam ações emergenciais de crédito e renegociação de dívidas. O objetivo é restaurar a capacidade produtiva dos agricultores e garantir a continuidade das atividades rurais.

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Setor pede revisão de critérios da Medida Provisória 1.314/2025

Entre as reivindicações, as lideranças do setor solicitam que o governo federal restaure o propósito original da Medida Provisória (MP) 1.314/2025, que prevê o uso de recursos públicos para amortização ou liquidação de dívidas de produtores prejudicados por desastres climáticos.

De acordo com o documento, o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou a Resolução nº 5.247, em 19 de setembro de 2025, impondo critérios restritivos que excluem boa parte dos produtores paranaenses. Apenas 120 municípios do Estado se enquadraram nas condições exigidas e, destes, somente 50 atendem ao requisito adicional de perda mínima de 20% em dois dos três principais cultivos municipais.

As entidades pedem que o governo reavalie esses critérios e retome o escopo original da MP, permitindo que o auxílio alcance os produtores realmente afetados, sem entraves burocráticos.

“É necessário um novo mecanismo de socorro aos produtores atingidos, garantindo que o apoio chegue a quem mais precisa”, reforça o documento.

Seguro rural e crise do leite entram na pauta de reivindicações

O setor produtivo também cobra que o governo libere os recursos para o pagamento da subvenção ao prêmio do seguro rural já contratados, garantindo a cobertura das apólices e o funcionamento regular do programa.

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Outro ponto sensível é a crise enfrentada pelos produtores de leite, que, segundo o documento, vivem uma combinação preocupante de fatores:

  • Queda acentuada do preço pago ao produtor;
  • Aumento dos custos de produção;
  • Concorrência desleal com produtos importados;
  • Falta de políticas públicas estruturantes para o setor.

As entidades ressaltam que o leite é base econômica de centenas de municípios paranaenses, mas o endividamento dos produtores cresce em ritmo acelerado, colocando em risco a sustentabilidade da atividade.

PRC300: mobilização integra plano estratégico do cooperativismo

A iniciativa de articulação liderada pelo Sistema Ocepar está inserida no Projeto 6 – Formas de Financiamento para o Cooperativismo, que compõe o Plano Paraná Cooperativo 300 (PRC300), o planejamento estratégico de desenvolvimento sustentável do cooperativismo paranaense.

O PRC300 é formado por 30 projetos distribuídos em 12 eixos estratégicos, como representação institucional, sustentabilidade, inovação, desenvolvimento humano, governança, infraestrutura e intercooperação.

A mobilização em torno da renegociação de dívidas e das medidas de apoio ao setor agropecuário reforça o compromisso das entidades com a defesa do produtor rural paranaense e a busca por políticas públicas que assegurem a continuidade da produção.

Carta conjunta na íntegra

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo

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Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.

O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.

A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.

A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.

A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.

Isan Rezende

INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.

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Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.

Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.

O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.

No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.

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Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.

Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.

Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.

Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.

Fonte: Pensar Agro

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