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Bolsas globais oscilam com tecnologia em foco e expectativas sobre gargalo nos EUA

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Panorama global dos mercados

Os principais mercados internacionais encerraram o dia sem uma direção uniforme, reflexo de uma dupla preocupação: a valorização excessiva de ações de tecnologia e a incerteza sobre o fim da paralisação parcial do governo americano, que já se estende por mais de 40 dias.

Em solo norte-americano, dados da ADP revelaram que, nas quatro semanas até 25 de outubro, as empresas privadas eliminaram uma média de 11.250 empregos por semana — fator que reforça o clima de cautela entre investidores.

Desempenho dos índices nos EUA

O Dow Jones Industrial Average bateu novo recorde ao subir 1,18%, ficando em 47.927,96 pontos. Já o S&P 500 avançou 0,22%, para 6.847,36 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuou 0,25%, alcançando 23.468,30 pontos — cenário influenciado pela queda de quase 3% nas ações da Nvidia.

Mercados europeus seguem em alta

Na Europa, o sentimento foi mais positivo, impulsionado por balanços corporativos e indicadores locais, além da expectativa de que a paralisação do governo americano esteja próxima do fim.

  • O FTSE 100 (Londres) subiu 1,15%, aos 9.899,60 pontos.
  • O STOXX 600 avançou 1,33%, para 580,41 pontos.
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Em Frankfurt, o DAX teve alta de 0,53%, aos 24.088,06 pontos, e o CAC 40 de Paris subiu 1,25%, para 8.156,23 pontos.

Cenário asiático: misto entre avanço e realização

Na Ásia, os mercados fecharam sem um movimento homogêneo. Na China, os investidores adotaram tomada de lucros diante da falta de novos estímulos — projeções apontam crescimento de cerca de 4,5% para a economia em 2026, com exportações em recuo e o setor imobiliário continuando em desaceleração.

Outros destaques:

  • Em Hong Kong, a fabricante de veículos elétricos Xpeng registrou forte valorização após anunciar novos modelos de robotáxi para testes previstos em 2026.
  • No Japão, o Nikkei 225 recuou 0,14%, fechando em 50.842 pontos.
  • O SSEC (Xangai) perdeu 0,39%, para 4.002 pontos, e o CSI 300 caiu 0,91%, para 4.652 pontos.
  • Em Seul, o KOSPI subiu 0,81%, a 4.106 pontos.

Em Taiwan, o TAIEX caiu 0,30%, para 27.784 pontos, enquanto o Straits Times Index (Cingapura) avançou 1,20%, a 4.542 pontos.

Brasil: o que dizem os índices locais

No mercado brasileiro, o Ibovespa (índice-referência da B3) apresenta valor em torno de 157.749 pontos, com alta de aproximadamente 1,60% em uma das últimas sessões.

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Esse desempenho reflete um cenário local mais favorável, em linha com a recuperação mais ampla dos mercados emergentes.

Implicações para o agronegócio

Para o setor do agronegócio, que costuma reagir às movimentações de commodities, câmbio e fluxo internacional de capitais, o cenário global oscilante exige atenção. A valorização de índices em mercados emergentes sugere apetite por risco, o que pode favorecer exportadores agrícolas. Por outro lado, a cautela nos EUA — especialmente no setor de tecnologia — e os recuos em partes da Ásia indicam que não há espaço para relaxamento completo. Produtores e empresários devem monitorar:

  • O câmbio e o ingresso ou saída de capitais externos no Brasil.
  • A evolução das políticas dos EUA (inclusive a paralisação governamental) que podem afetar demanda global.

Os resultados corporativos e indicadores econômicos em regiões-chave, que influenciam expectativas sobre os preços internacionais de matérias-primas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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