AGRONEGÓCIO
Entidades de exportadores e usuários de carga defendem leilão aberto do Tecon Santos 10
Publicado em
3 de novembro de 2025por
Da Redação
O esgotamento da infraestrutura portuária e a morosidade no avanço do leilão do novo terminal de contêineres Tecon Santos 10 (STS10) têm gerado preocupação entre exportadores, importadores e usuários de carga. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Associação Logística Brasil manifestaram apoio à instrução da Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária (AudPortoFerrovia) do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o certame.
O relatório técnico de 203 páginas da AudPortoFerrovia analisa comentários do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e da ANTAQ, qualificando-os como “poucos argumentos novos” e insuficientes para alterar as recomendações da equipe técnica.
Leilão deve ser aberto, único e sem restrições
A auditoria recomendou que o leilão do STS10 seja realizado em única etapa, sem restrições de participação e com desinvestimento. O TCU classificou como ilegal a proposta de leilão em duas fases e a exclusão de operadores já atuantes no Porto de Santos.
Segundo o relatório, a decisão da ANTAQ violaria os princípios constitucionais da ampla concorrência e da proporcionalidade, baseando-se em cenários hipotéticos, muitos já afastados pelo Cade, reforçando que decisões públicas devem ser fundamentadas e técnicas, não superficiais.
“A adoção de medidas restritivas deve estar ancorada em um juízo de razoável certeza sobre sua efetividade e não apenas em cenários hipotéticos ou especulativos”, afirma o TCU.
Exportadores pedem participação ampla
O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, defende o leilão aberto, permitindo que operadores experientes, incluindo os já presentes no Porto de Santos, participem do certame. Segundo ele, a decisão deve priorizar eficiência logística, economia nacional e interesse público, garantindo infraestrutura adequada para destravar o porto.
Exportadores de açúcar, algodão e celulose também relataram enfrentar os mesmos desafios, com risco de judicialização do processo caso o leilão permaneça restrito, atrasando a ampliação da capacidade portuária.
Questionamentos sobre narrativa de interesse público
Heron questiona a justificativa da ANTAQ para restringir participantes:
“Se a equipe técnica do TCU já concluiu que há ilegalidade na restrição, quais seriam os benefícios em excluir operadores experientes, que podem atender com eficiência às cargas?”
Ele reforça que as transações comerciais geradas pelo comércio exterior brasileiro também representam interesse público, gerando riqueza, emprego e renda.
Logística Brasil critica interferência política
O diretor-presidente da Associação Logística Brasil, André de Seixas, alerta que o processo sofreu “diversos atropelos procedimentais e afrontas à legislação”, evidenciando interferência política sobre decisões técnicas. Ele ressalta que a política deve atuar apenas após a resolução das questões técnicas, evitando a “guerra de narrativas” que atrasa projetos e prejudica usuários e a sociedade.
Seixas critica a exclusão de empresas com capacidade de competir, que reduz potencial arrecadatório e aumenta o risco de judicialização, além de transmitir insegurança jurídica a investidores internacionais.
Reconhecimento de investimentos no Porto de Santos
Apesar das críticas, o Cecafé reconhece os investimentos anunciados pela Autoridade Portuária de Santos (APS), como o aprofundamento do calado, a terceira via de descida da Rodovia Imigrantes e a segunda alça de acesso ao terminal. Eduardo Heron destaca que essas ações demonstram empenho da autoridade em fortalecer o maior porto do hemisfério sul e garantir eficiência para cargas conteinerizadas.
Entidades reforçam necessidade de leilão irrestrito
O documento assinado por Cecafé e Logística Brasil reforça que não há justificativas concorrenciais para vetar a participação de operadores incumbentes. As entidades defendem que o leilão do Tecon Santos 10 seja realizado em fase única, aberto a todos os interessados e ainda em 2025, garantindo maior oferta de capacidade portuária no menor tempo possível.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Milho enfrenta pressão da oferta, desafios de armazenagem e queda nas bolsas, mas demanda interna segue firme
Published
32 minutos agoon
16 de junho de 2026By
Da Redação
O mercado de milho atravessa um período de transição marcado pelo avanço da colheita da segunda safra, aumento da oferta e desafios logísticos relacionados à armazenagem. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica continua aquecida, especialmente pelos segmentos de proteína animal, enquanto as exportações seguem como importante válvula de escape para o excedente da produção nacional.
A combinação desses fatores tem limitado uma recuperação mais consistente dos preços, tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros negociados na Bolsa Brasileira (B3).
Colheita da safrinha aumenta oferta e pressiona cotações
Com a intensificação da colheita em importantes estados produtores, como Mato Grosso e Goiás, a disponibilidade de milho deve crescer significativamente nas próximas semanas. O cenário amplia a oferta do cereal no mercado interno justamente em um momento em que parte das indústrias consumidoras já se encontra abastecida.
A expectativa é de que o maior volume disponível gere pressão sobre as cotações, especialmente nas principais regiões produtoras do país.
Além disso, compradores seguem adotando postura cautelosa, aguardando possíveis quedas adicionais nos preços antes de avançarem nas negociações. Do lado dos produtores, a necessidade de liberar espaço para a nova safra também aumenta a disposição para vendas.
Falta de armazenagem preocupa produtores
Outro fator que chama a atenção do setor é a limitação da capacidade de armazenagem nas propriedades rurais.
Em diversas regiões produtoras, silos ainda permanecem ocupados por estoques remanescentes da soja, justamente quando a colheita do milho ganha ritmo acelerado. Esse gargalo logístico pode obrigar produtores a comercializar parte da produção em um prazo menor do que o planejado.
A necessidade de escoamento rápido tende a aumentar a oferta imediata disponível, ampliando a pressão sobre os preços recebidos pelos agricultores.
Demanda de aves e suínos ajuda a equilibrar mercado
Apesar do aumento da oferta, o consumo interno continua sendo um importante fator de sustentação para o mercado.
Os setores de avicultura e suinocultura mantêm forte demanda pelo cereal para produção de ração, aproveitando os níveis atuais de preços para reforçar estoques. Esse movimento contribui para absorver parte do volume adicional da safrinha.
A indústria de etanol de milho também segue relevante na composição da demanda nacional, embora enfrente um ambiente menos favorável diante da recente queda das cotações internacionais do petróleo, que reduz parte da competitividade do biocombustível.
Exportações ganham importância no escoamento da produção
No cenário externo, as exportações brasileiras permanecem fundamentais para evitar um excesso de oferta no mercado doméstico.
A melhora do ambiente geopolítico internacional e a normalização das rotas comerciais tendem a favorecer o fluxo dos embarques brasileiros nos próximos meses. O avanço das vendas externas pode ajudar a reduzir a pressão sobre os preços internos ao retirar parte da produção disponível do mercado nacional.
Com uma das maiores safras da história em desenvolvimento, a capacidade de exportação será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do segundo semestre.
USDA melhora avaliação das lavouras dos Estados Unidos
No mercado internacional, os contratos futuros do milho iniciaram esta terça-feira (16) em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT).
A pressão veio após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevar a classificação das lavouras norte-americanas. Segundo o órgão, 68% das áreas cultivadas apresentam condições consideradas boas ou excelentes, acima dos 67% registrados na semana anterior.
O avanço reforça a expectativa de uma safra robusta nos Estados Unidos e reduz preocupações imediatas com a oferta global.
Mesmo assim, o mercado segue atento às condições climáticas no Corn Belt, principal região produtora norte-americana. Qualquer ocorrência de excesso de chuvas, calor intenso ou estiagem poderá provocar forte volatilidade nas cotações internacionais.
B3 recua com perspectiva de maior produção
A pressão observada no mercado internacional também influenciou os contratos futuros negociados na B3.
Na manhã desta terça-feira, os principais vencimentos operavam em queda, refletindo tanto o cenário externo quanto a expectativa de entrada de grandes volumes da safrinha no mercado brasileiro.
Os contratos permanecem na faixa entre R$ 63 e R$ 75 por saca, enquanto investidores acompanham a evolução da colheita e os dados atualizados de produção divulgados pelos órgãos oficiais.
Segundo analistas, as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do USDA apontam aumento da produção brasileira na temporada 2025/26 e crescimento da oferta mundial em 2026/27, fatores que continuam limitando reações mais expressivas nos preços.
Mercado físico mantém ritmo lento nos estados produtores
Nas principais regiões produtoras do país, o mercado físico segue com baixa liquidez.
No Rio Grande do Sul, a colheita está praticamente concluída, mas os negócios continuam limitados. Em Santa Catarina e Paraná, compradores aguardam o avanço da segunda safra para negociar em volumes maiores.
Já em Mato Grosso do Sul, onde a colheita da safrinha começa a ganhar ritmo, os preços permanecem pressionados pelo aumento da oferta, embora a demanda da indústria de bioenergia ofereça algum suporte ao mercado regional.
Juros elevados e dólar acima de R$ 5 influenciam setor
No ambiente macroeconômico, as atenções estão voltadas para as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
A expectativa do mercado é de manutenção da taxa Selic em 14,50% ao ano, enquanto o Federal Reserve deve manter sua postura monetária restritiva. O cenário de juros elevados, aliado à inflação ainda acima da meta no Brasil, contribui para sustentar o dólar em patamares superiores a R$ 5,00.
Para o setor agrícola, o câmbio segue sendo um fator estratégico, influenciando tanto a competitividade das exportações quanto os custos de produção.
Perspectiva para o mercado de milho
O mercado de milho deve permanecer pressionado no curto prazo pelo avanço da colheita da safrinha e pela expectativa de aumento da oferta nacional. Entretanto, a demanda firme dos setores de aves, suínos e bioenergia, somada ao desempenho das exportações, tende a evitar movimentos mais acentuados de queda.
Os próximos meses serão decisivos para definir o comportamento dos preços, especialmente diante da evolução da safra norte-americana, da capacidade de armazenagem nas propriedades brasileiras e do ritmo de embarques para o mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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