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Produtores europeus defendem diálogo com o Brasil para reduzir burocracia e fortalecer comércio bilateral

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A missão de alto nível da União Europeia (UE) ao Brasil reúne, nesta semana, 80 produtores europeus e o Comissário Europeu para Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, com o objetivo de fortalecer o comércio entre os blocos e aprimorar o ambiente de negócios para produtos de alto valor agregado, como azeite de oliva e vinhos finos.

O grupo permanecerá quatro dias no país e participa, nesta quinta-feira (23), de um fórum em São Paulo, considerado o ponto alto da missão.

Brasil é mercado estratégico para azeite e vinho europeus

O Brasil figura entre os principais mercados consumidores de azeite do mundo, embora ainda tenha produção interna limitada. A secretária-geral da Casa do Azeite – Portuguese Olive Oil Association, Mariana Matos, destaca que o país é um destino estratégico para os produtores portugueses, que atualmente detêm cerca de 60% do market share nacional.

“Iniciativas como esta missão sinalizam boa vontade política e compromisso com um comércio justo e baseado em regras, além de aprimorar o diálogo entre reguladores, produtores e importadores”, afirmou Matos.

Segundo ela, a parceria com importadores especializados é essencial para consolidar a presença de marcas europeias no Brasil, mercado que valoriza produtos associados à dieta mediterrânea e ao bem-estar.

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Burocracia e impostos são principais entraves às exportações

Apesar do potencial do mercado brasileiro, representantes europeus apontam a burocracia e a alta carga tributária como os maiores desafios às exportações.

O gerente de exportação da Dionysos S.A. (Grécia), M. Panagiotis Filios, afirmou que as constantes mudanças nas regras de importação e nas classificações de produtos dificultam a entrada de vinhos e azeites europeus no país.

“O principal problema é a burocracia. O Brasil possui regulamentações específicas que mudam frequentemente, o que pode facilmente travar o processo de importação”, destacou o executivo, que também apontou os altos impostos e divergências nos códigos de classificação (HS/NCM) como entraves adicionais.

Os participantes defendem que as soluções dependem do diálogo institucional entre a União Europeia e o governo brasileiro, com foco em simplificar processos e ampliar a competitividade de ambos os lados.

Missão busca criar ambiente de negócios mais transparente

O encontro reforça o compromisso da União Europeia em garantir acesso do consumidor brasileiro a produtos com os mesmos padrões de qualidade globais. Tanto Matos quanto Filios acreditam que a redução dos entraves tributários e regulatórios pode resultar em produtos de melhor qualidade e preços mais acessíveis ao consumidor final.

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A missão também reforça o papel da UE no apoio a práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e certificação de qualidade dentro do setor agroalimentar.

“A iniciativa de alto nível visa criar um ambiente comercial mais fluido e transparente, que facilite o desenvolvimento de marcas europeias no Brasil e fortaleça a confiança mútua entre os países”, conclui a delegação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do trigo no Brasil fecha primeiro semestre de 2026 em alta, mas junho registra desaceleração nas negociações

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O mercado brasileiro de trigo encerrou o primeiro semestre de 2026 com tendência de valorização nos preços, apesar da desaceleração observada nas negociações em junho. O cenário foi sustentado principalmente pela baixa disponibilidade de produto da safra velha, estoques internos apertados e maior necessidade de importação para suprir a demanda doméstica.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o comportamento dos preços reflete um equilíbrio ainda frágil entre oferta e demanda.

“O primeiro semestre foi marcado pela recomposição dos preços. A menor disponibilidade de trigo no mercado interno e a necessidade de importação deram sustentação às cotações, mesmo em um ambiente de liquidez bastante limitada”, destacou.

Mercado do trigo acumula altas expressivas no semestre

Apesar da pressão de baixa registrada em junho, o desempenho acumulado do semestre foi positivo nas principais praças do país.

No Paraná, a média dos preços FOB interior encerrou junho em R$ 1.407 por tonelada, com alta acumulada de 19,9% em relação ao fechamento de 2025. No entanto, o mês registrou recuo de 1,6%, influenciado pela menor demanda dos moinhos e pelo enfraquecimento das referências internacionais.

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No Rio Grande do Sul, o movimento de valorização foi ainda mais intenso no semestre, com avanço de 24,9%. Em junho, porém, houve queda de 5,1%, levando a média para R$ 1.290 por tonelada FOB. Mesmo com a correção, o estado segue sustentado pela escassez de trigo remanescente da safra anterior e pelo forte ritmo de exportações ao longo do período.

Ajuste em junho não muda tendência de alta, diz analista

De acordo com Elcio Bento, a retração observada em junho não representa mudança estrutural no mercado, mas sim um ajuste técnico após meses de valorização.

“O que vimos em junho foi muito mais um ajuste técnico do que uma mudança de tendência. A oferta continua limitada, os estoques seguem apertados e isso impede uma queda mais acentuada dos preços”, analisou.

O ambiente de baixa liquidez continua sendo uma característica marcante do mercado físico brasileiro de trigo. Produtores seguem retendo parte do produto, aguardando melhores condições de preços na entressafra, enquanto os moinhos realizam compras pontuais devido à dificuldade de repasse dos custos ao preço da farinha.

Esse desalinhamento entre oferta e demanda mantém o mercado travado e com negociações limitadas.

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Mercado internacional sustenta cenário de preços no Brasil

No mercado externo, o trigo negociado em Kansas acumulou valorização de 15,5% no primeiro semestre de 2026, mesmo com correções pontuais registradas em junho. Já o trigo argentino, referência importante para a paridade de importação brasileira, avançou 6,7% no período.

Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar ao longo do semestre contribuiu para reduzir parte da pressão altista que poderia ter sido transmitida ao mercado doméstico.

Perspectivas para o segundo semestre seguem atreladas ao clima e ao câmbio

Para os próximos meses, o mercado brasileiro de trigo deve permanecer sensível a fatores externos e internos. Entre os principais vetores de atenção estão o desenvolvimento da safra nacional, as condições climáticas na Argentina, o comportamento das bolsas internacionais e as oscilações cambiais.

Segundo o analista, esse conjunto de variáveis continuará sendo determinante para a formação de preços no mercado.

“Esse conjunto de fatores continua oferecendo sustentação estrutural aos preços”, concluiu Elcio Bento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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