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Mercado global de açúcar segue pressionado por safra recorde no Brasil e expectativa de maior oferta mundial

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Produção recorde pressiona cotações do açúcar

Os contratos futuros do açúcar registraram queda nesta quarta-feira (22), influenciados pela expectativa de aumento da oferta global. A consultoria Datagro projeta um recorde histórico de 44 milhões de toneladas de açúcar para o Centro-Sul do Brasil na safra 2026/27, alta de 3,9% em relação ao ciclo atual. A moagem deve atingir 625 milhões de toneladas, mantendo o mix de cana destinado à produção de açúcar em 52%.

Enquanto isso, a produção total de etanol tende a recuar cerca de 5%, chegando a 33,23 bilhões de litros, ao passo que o etanol de milho deve avançar 20%, alcançando 10 bilhões de litros.

Bolsas internacionais refletem o aumento da oferta

Na ICE Futures, em Nova York, o açúcar bruto encerrou o pregão em baixa no dia 22. O contrato para março/26 caiu 14 pontos, cotado a 15,10 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o de maio/26 recuou para 14,61 centavos. Em Londres, na ICE Europe, o açúcar branco também registrou retração: apenas o contrato de dezembro/25 subiu levemente para US$ 434,50 por tonelada, enquanto o de março/26 caiu para US$ 429,90 por tonelada.

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Já nesta quinta-feira (23), o mercado apresentou leve recuperação. Em Nova York, o contrato março/26 subiu 1,26%, para 15,29 centavos por libra-peso, e o maio/26 avançou 1,10%, a 14,77 centavos. Em Londres, o contrato de dezembro/25 foi negociado a US$ 437,80 por tonelada, alta de 0,76%.

Safra brasileira em alta sustenta cenário de pressão

Dados recentes da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) indicam que, na segunda quinzena de setembro, a produção de açúcar do Centro-Sul aumentou 10,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O mix de cana destinado à fabricação de açúcar subiu para 51,17%, ante 47,73% em 2024. No acumulado da safra 2025/26, a produção atingiu 33,524 milhões de toneladas, avanço de 0,8%.

Esses números reforçam o cenário de ampla oferta global, que vem limitando o espaço para altas expressivas nos preços internacionais.

Açúcar e etanol no mercado interno

No mercado doméstico, o açúcar cristal teve retração de 1,35%, conforme o Indicador Cepea/Esalq (USP). A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 112,02. Já o etanol hidratado caiu 0,47%, sendo comercializado a R$ 2.833,00 por metro cúbico nas usinas de Paulínia (SP).

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Analistas alertam para riscos em 2026

De acordo com Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX, o setor açucareiro enfrenta um período de forte volatilidade e necessidade de cautela na fixação de preços. Ele destaca que o mercado já vinha sinalizando enfraquecimento desde o vencimento do contrato de outubro e que, apesar de possíveis fatores altistas — como redução das exportações brasileiras no fim do ano e incertezas sobre os embarques de Índia e Tailândia —, o cenário é dominado pela expectativa de uma safra global superavitária.

Segundo o especialista, usinas estão segurando as fixações para exportação, esperando melhores condições de mercado. No entanto, ele alerta para o risco de que, caso o excesso de oferta persista, açúcar e etanol possam ser vendidos a preços ainda mais baixos em 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

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O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

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Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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