AGRONEGÓCIO
Milho ganha fôlego com demanda aquecida e retração de produtores: preços sobem no Brasil e no exterior
Publicado em
20 de outubro de 2025por
Da Redação
Retração de produtores sustenta preços do milho no Brasil
Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostra que os preços do milho seguem firmes no interior do País. O principal fator de sustentação é a retração dos produtores, que permanecem focados na semeadura da safra verão 2025/26. Nos portos, as cotações também registram avanço, impulsionadas pela valorização do dólar e pela alta no mercado internacional, o que eleva a paridade de exportação.
Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), até o dia 11 de outubro, 31,2% da área total prevista já havia sido semeada, um avanço semanal de 2,1 pontos percentuais e acima da média dos últimos cinco anos (30,7%). A projeção para a produção nacional de milho na safra 2025/26 é de 138,6 milhões de toneladas, volume 1,8% menor em relação ao ciclo anterior.
Baixa liquidez marca o mercado regional
De acordo com a TF Agroeconômica, a liquidez segue reduzida em diversas regiões do País. No Rio Grande do Sul, as negociações permanecem restritas a pequenos consumidores locais, com compras entre R$ 67,00 e R$ 70,00/saca e pedidas em torno de R$ 70,00 a R$ 72,00/saca. O preço futuro no porto para fevereiro de 2026 está em R$ 69,00/saca.
Em Santa Catarina, o cenário é semelhante: produtores pedem até R$ 80,00/saca, mas as indústrias limitam as ofertas a R$ 70,00/saca. No Planalto Norte, os negócios ocorrem entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, sem avanços significativos.
No Paraná, mesmo com ampla oferta, o mercado spot permanece parado, com produtores pedindo R$ 75,00/saca e indústrias ofertando R$ 70,00 CIF. Já no Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 48,00 e R$ 52,00/saca, refletindo custos logísticos mais baixos após uma safra histórica que fortaleceu o segmento de bioenergia.
Mercado internacional avança com otimismo comercial
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho iniciaram a semana com altas leves, acompanhando a valorização da soja. O vencimento dezembro/25 foi cotado a US$ 4,22/bushel, enquanto o março/26 fechou a US$ 4,37/bushel. Segundo o portal Successful Farming, o movimento foi motivado pelo otimismo em relação à retomada do comércio entre Estados Unidos e China, após sinalizações positivas de cooperação entre os dois países.
Custos altos reduzem rentabilidade do milho no Brasil
Apesar da recuperação dos preços, a rentabilidade do milho brasileiro segue apertada. Conforme análise da TF Agroeconômica, o custo real de produção, considerando todos os fatores — de insumos a encargos financeiros —, atinge R$ 73,55 por saca, valor superior ao preço de venda em diversas regiões, o que representa prejuízo para o produtor.
Enquanto isso, o mercado internacional permanece pressionado pela colheita recorde dos Estados Unidos, que mantém os preços globais em níveis historicamente baixos. Em contrapartida, a forte demanda interna no Brasil, impulsionada pelas indústrias de carnes e etanol, ajuda a sustentar as cotações domésticas. A retomada das exportações de carne de frango também tem contribuído para o aumento do consumo de milho.
Mesmo assim, especialistas alertam que carregar o grão após a colheita pode representar risco financeiro. Os preços atuais — R$ 66,00 em Passo Fundo e R$ 51,22 em Londrina — são inferiores ao retorno potencial de vendas antecipadas realizadas em julho, segundo a consultoria.
Chicago e B3 encerram semana em alta
Na B3, os contratos futuros de milho encerraram a semana em alta, impulsionados pela melhora na demanda doméstica e externa. O contrato de novembro/25 fechou a R$ 68,40, enquanto o de janeiro/26 atingiu R$ 71,55 e o de março/26, R$ 72,80. O avanço ocorreu mesmo com a queda de 1,78% do dólar, compensada pelo aumento de 2,30% nas cotações de Chicago.
Na CBOT, o contrato de dezembro fechou em US$ 4,22/bushel e o de março em US$ 4,36/bushel, acumulando alta semanal de 2,30%. Segundo Don Roose, presidente da U.S. Commodities, muitos agricultores norte-americanos têm resistido a vender o grão devido aos baixos preços e à produtividade abaixo do esperado, o que tem reduzido a oferta e sustentado os preços.
Com fundamentos positivos tanto no Brasil quanto no exterior, o mercado de milho mostra sinais de equilíbrio e pode manter a trajetória de valorização no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro
Published
20 horas agoon
26 de setembro de 2026By
Da Redação
A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.
A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.
A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.
Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.
O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.
A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.
O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.
Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.
Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.
A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.
Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.
O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.
A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.
Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.
Fonte: Pensar Agro
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