Tribunal de Justiça de MT

“Diagnóstico de autismo deve abrir portas, não criar bolhas”, afirma neurologista

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Durante a 5ª edição do TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo, realizada nesta sexta-feira (17 de outubro) em Rondonópolis, o médico neurologista pediátrico Marino Miloca destacou a necessidade de uma abordagem sólida, baseada em evidências, para a compreensão e acolhimento das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). A iniciativa é da Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, presidida pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho.

O especialista iniciou sua fala reforçando o papel da informação confiável na construção de uma sociedade mais justa. “Acredito que quando todas as camadas da sociedade estão mais informadas, a gente consegue desenvolver um papel melhor como médico, como advogado, como juiz, como qualquer outra profissão.”

Miloca ressaltou ainda que o diagnóstico do autismo não deve ser encarado como um fator limitante, mas sim como ponto de partida para a criação de oportunidades reais de inclusão.

“Esse diagnóstico nunca deve ser pensado para colocar a pessoa numa bolha, mas para abrir portas e janelas de oportunidades. Incluir é estarmos falando disso onde quer que seja.”

Ao abordar o aumento expressivo de diagnósticos nas últimas décadas, o médico pontuou que grande parte desse crescimento decorre da evolução dos critérios diagnósticos.

“Se for colocar esses números num gráfico, desde 2000 até hoje, olha quanto cresceu: trezentos e oitenta e quatro por cento. Cerca de oitenta por cento desse aumento ocorreram porque os critérios de diagnóstico foram melhorando.”

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Nesse sentido, ele enfatizou a importância de desmistificar ideias equivocadas sobre o transtorno: “Não é uma doença. O nome já fala: transtorno do espectro autista. Nós temos sim pacientes bem comprometidos, mas temos pessoas em todas as camadas sociais. Juízes de direito, médicos… Desmistificar que o autismo só existe num nível alto de suporte é fundamental.”

Com atuação pontual em Mato Grosso, Miloca reforçou a importância da escuta ativa de todos os envolvidos com o tema, especialmente professores e familiares.

Outro ponto destacado pelo médico foi o impacto das comorbidades, especialmente o TDAH, que muitas vezes antecede o diagnóstico de autismo e acaba atrasando o início de tratamentos adequados. “Se essa criança tem primeiro um diagnóstico de TDAH, ela atrasa, em média, três a quatro anos o diagnóstico correto de autismo.”

Ao final, Miloca chamou atenção para a necessidade urgente de transformar conhecimento em ações concretas:

“A gente pode falar, escrever, fazer um artigo, fazer leis… mas se a gente não conseguir implementar, a lei vai ficar no papel, a ciência vai virar um artigo. Somente a implementação vai transformar isso em realidade. Entender e identificar diferentes áreas da nossa sociedade faz com que a gente tenha, cada vez mais, um futuro realmente inclusivo, para que a gente possa entender, aceitar e dar apoio de forma mais justa e acolhedora.”

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Miloca finalizou reconhecendo o papel estratégico do Poder Judiciário na efetivação de direitos das pessoas com TEA: “Essa discussão junto com o TJ, com pessoas que vão nos ajudar a adquirir direitos, é muito importante. O TJ trazer e fazer essa parte de inclusão, eu vejo que é um carimbo de confiabilidade.”

A palestra está disponível no canal do Youtube do TJMT

O evento

A 5ª edição do projeto TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo é promovida pela Comissão de Acessibilidade, em parceria com a Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e a Escola dos Servidores.

A edição em Rondonópolis soma-se a outras já realizadas em Cáceres, Sinop, Sorriso e Cuiabá, e reflete o compromisso do Tribunal em percorrer todo o estado levando informação e capacitação. As atividades em Rondonópolis ocorrem no Centro de Eventos da ADNA – Rondonópolis.

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Acesse fotos do evento no Flickr do TJMT

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Tribunal de Justiça de MT

Justiça de MT não cumpre reintegração de posse há 19 anos e gera prejuízo milionário

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O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça
O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça

A demora de quase duas décadas no cumprimento de uma decisão judicial de reintegração de posse da Fazenda Poconé, em Querência (945 km de Cuiabá), segundo a defesa, teria causado prejuízo na ordem de R$ 500 milhões referente a lucros cessante do Espólio de Itagiba Carvalho Diniz.

O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça, para apurar a conduta do juiz e diretor da Comarca, Thalles Nóbrega Miranda Rezende de Britto, e da secretaria da Vara Única de Querência-MT, que é responsável pela ação.

A matéria voltará à pauta da Corte no próximo dia 29 de julho, quando os desembargadores analisarão mais de dez incidentes processuais que, conforme o espólio, ainda impedem a conclusão da fase de execução e a restituição integral da propriedade.

“Embora a sentença que reconheceu o direito possessório do espólio tenha transitado em julgado em 2007 e uma segunda sentença tenha definido os limites da fazenda após extensa produção de provas e perícias técnicas que se prolongou por quase 30 anos, a maior parte da área permanece fora da posse dos proprietários”, sustentam os advogados.

Levantamentos técnicos anexados ao processo indicam que a Fazenda Poconé possui 7.237 hectares, dos quais aproximadamente 3.921 hectares são agricultáveis.

Desse total, apenas 604 hectares estariam atualmente sob posse direta do espólio. Outros 3.317 hectares permanecem pendentes de restituição e continuam sendo explorados economicamente por terceiros, segundo a petição.

O espólio afirma que cerca de 1.653 hectares de lavouras seguem sendo cultivados por empresas e produtores que figuram na própria ação judicial, enquanto outros ocupantes apresentaram embargos de terceiro para tentar impedir ou retardar o cumprimento das decisões judiciais.

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Para os proprietários, a demora na execução permitiu que a área permanecesse produzindo riqueza por mais de 20 anos, apesar da existência de decisões judiciais favoráveis ao espólio.

Compromisso firmado antes da disputa

Um dos documentos anexados aos autos, revela um ‘Termo de Compromisso’, firmado em 5 de maio de 1997 pelos então proprietários das áreas envolvidas na futura ação demarcatória.

No documento, os signatários assumiram o compromisso de preservar a situação existente até a definição técnica dos limites das propriedades. O texto estabelece que eles se obrigavam a “não realizar alteração alguma e expansão das respectivas posses atuais enquanto não se proceder o levantamento topográfico que as delimite e as caracterize segundo a titulação legítima”, prevendo que a demarcação seria realizada “por meio judicial ou amigável”.

O compromisso também registra que “a atual localização das posses não representa em definitivo a coerência destas com os respectivos títulos de domínio que cada um detém” e determina que o grupo tinha a obrigação de “promover a demarcatória a fim de definir a propriedade e em consequência a posse”.

Na avaliação do espólio, o documento demonstra que os próprios signatários concordaram em submeter a definição dos limites ao resultado da futura demarcação judicial, comprometendo-se a respeitar a solução técnica do conflito.

Patrimônio continua produzindo riqueza

Enquanto a execução permanece pendente, a atividade agrícola continua em ritmo intenso na região. Segundo o relatório consolidado de capacidade financeira que A Gazeta teve acesso, diversos ocupantes ou pessoas ligadas às áreas em disputa possuem patrimônio rural expressivo, empresas e participações societárias relevantes.

Entre eles está a Indústria e Comércio de Máquinas Agrícolas Mantovani Ltda., empresa com capital social de R$ 3 milhões e proprietária da Fazenda Paraíso, em Ribeirão Cascalheira, com mais de 2.400 hectares.

O relatório também aponta que Benildo Carvalho Teles possui patrimônio rural no Pará, participação na AgroGalaxy, da qual alienou ações em operação superior a R$ 31 milhões, além de integrar empresas do agronegócio com capital superior a R$ 15 milhões.

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Outro é Claudio Augusto Diniz, proprietário de fazendas em Mato Grosso e Goiás, sócio de empresas rurais e credor da recuperação judicial do Grupo AgroGalaxy em mais de R$ 3,2 milhões.

O levantamento ainda relaciona a JMSW Agropecuária Ltda., empresa voltada ao cultivo de soja com capital social de R$ 17,6 milhões e proprietária de fazenda superior a 7 mil hectares em Querência.

Também aparecem produtores rurais e empresários como Leandro De Conti, Adalberto Backes, Carlos Caneppele, Gelson Caneppele, Sérgio Caneppele, Ivanete Lurdes Caneppele, Leandro Caneppele, Fernando Passinatto, José Adelar Jaenisch, além das empresas AGL Administradora e Participações Ltda. e MPS Empreendimentos Imobiliários Ltda., todos descritos como proprietários de imóveis rurais, beneficiários de financiamentos públicos ou integrantes de grupos empresariais ligados ao agronegócio.

O relatório atribui a esse conjunto de pessoas físicas e jurídicas patrimônio imobiliário rural, empresas e ativos considerados de elevada expressão econômica.

Julgamento

O espólio sustenta que a controvérsia deixou de ser sobre quem é o proprietário da Fazenda Poconé. Segundo os advogados, a discussão atual restringe-se ao cumprimento de decisão já transitada em julgado e à retirada dos ocupantes remanescentes.

A expectativa é que o julgamento marcado para 29 de julho pelo TJMT destrave a fase de execução e permita a efetiva restituição da área, encerrando um litígio que se arrasta há quase duas décadas e que, segundo o espólio, gerou perdas patrimoniais estimadas em aproximadamente R$ 500 milhões em razão da exploração agrícola contínua da fazenda.

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