AGRONEGÓCIO

Paraná amplia exportações de proteínas animais e registra avanço na produção de amoras, aponta Deral

Publicado em

Exportações e fruticultura ganham destaque na agropecuária paranaense

O Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), aponta crescimento expressivo nas exportações de proteínas animais e na produção de amoras no Paraná. O relatório também traz análises sobre a avicultura de postura, além das culturas de arroz e etanol, que apresentaram retração.

De acordo com o levantamento do IBGE, a produção de amora tem crescido de forma constante no estado ao longo da última década, enquanto o setor de carnes registra desempenho histórico, impulsionado pelo mercado internacional.

Produção de amora cresce 264% em dez anos

Segundo o agrônomo Paulo Andrade, do Deral, o Paraná se consolidou como um dos principais produtores de amora-preta do país. Em dez anos, a área plantada passou de 71 hectares para 117 hectares, e a produção saltou de 251 para 914 toneladas, representando um aumento de 264% até 2024. O Valor Bruto de Produção (VBP) da cultura atingiu R$ 10,4 milhões.

A Região Metropolitana de Curitiba concentra 34,9% da produção estadual, com 38 hectares e 319 toneladas. O município de Prudentópolis é o maior produtor individual, responsável por 28,9% da produção, seguido de Paulo Frontin, com 100 toneladas. Outras 60 cidades também cultivam a fruta.

Andrade destaca que as floradas intensas da estação, favorecidas pelo frio do inverno, devem garantir uma boa safra. No entanto, o técnico alerta para o risco de geadas tardias, que podem prejudicar a colheita.

Setor arrozeiro enfrenta retração e desafios ambientais

O Deral prevê redução na área cultivada com arroz irrigado, que deve passar de 18,4 mil para 17,9 mil hectares em 2025. Segundo Hugo Godinho, coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral, a queda está relacionada aos preços baixos e às condições climáticas adversas.

“Os preços do arroz recuaram 45% em setembro frente ao mesmo mês de 2024, o que tem levado os produtores a reduzir as áreas de plantio, acompanhando uma tendência nacional”, explicou Godinho.

Além da desvalorização, as cheias do Rio Ivaí têm causado prejuízos nas duas últimas safras. O problema, segundo o técnico, está ligado à baixa cobertura florestal na região, onde a vegetação natural corresponde a apenas 19% da área, contra 29% da média estadual.

Leia Também:  Últimos Ingressos Disponíveis para o Forest Carbon Brasil, o Principal Congresso sobre Carbono Florestal

Godinho defende ações de recomposição da mata ciliar como forma de reduzir o impacto das enchentes, melhorar a permeabilidade do solo e evitar o assoreamento dos rios. Os principais municípios produtores de arroz no Paraná são Querência do Norte, Santa Isabel do Ivaí, Santa Mônica, Santa Cruz do Monte Castelo e Planaltina do Paraná.

Carne suína do Paraná atinge recorde histórico de exportação

O setor de proteínas animais manteve desempenho positivo em setembro. As exportações de carne suína do Paraná atingiram 25,2 mil toneladas, um aumento de 35,5% em relação ao mesmo período de 2024, conforme dados do Comex Stat/MDIC.

As Filipinas foram o principal destino, com 5,7 mil toneladas, seguidas de Vietnã (5,2 mil t) e Hong Kong (3,2 mil t). No acumulado do ano, Hong Kong segue como o principal comprador da carne suína paranaense.

“O Paraná consolidou novos mercados e vem se destacando pela qualidade de sua produção”, destacou Priscila Marcenovicz, veterinária do Deral.

O estado também registrou embarques expressivos para Uruguai, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Geórgia, Costa do Marfim e Cuba, demonstrando a diversificação das exportações.

Leia Também:  Preços do feijão comercial seguem em queda com avanço da colheita da segunda safra
Exportações de carne bovina seguem em alta com apoio da China

As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 347 mil toneladas em setembro, movimentando US$ 1,9 bilhão. Apesar da redução das compras pelos Estados Unidos devido a tarifas mais altas, o volume foi absorvido por outros destinos, especialmente a China, que aumentou suas importações em quase 40%.

O veterinário Thiago de Marchi da Silva, do Deral, explicou que países vizinhos, como o Paraguai, também vêm ampliando suas compras de carne brasileira — um aumento de 90% entre janeiro e setembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024.

Paraná mantém destaque nacional na produção de ovos

O IBGE, por meio da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), apontou um crescimento de 8,6% na produção nacional de ovos em 2024, totalizando 5,4 bilhões de dúzias, o maior volume já registrado na série histórica.

O Paraná se manteve como segundo maior produtor do país, com 517,3 milhões de dúzias, alta de 4,9% em relação ao ano anterior. O estado fica atrás apenas de São Paulo, que responde por 26% da produção nacional, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

O Valor Bruto de Produção (VBP) da atividade atingiu R$ 31,8 bilhões, reforçando a importância da avicultura de postura para a economia brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Preço do trigo no Brasil fecha primeiro semestre de 2026 em alta, mas junho registra desaceleração nas negociações

Published

on

O mercado brasileiro de trigo encerrou o primeiro semestre de 2026 com tendência de valorização nos preços, apesar da desaceleração observada nas negociações em junho. O cenário foi sustentado principalmente pela baixa disponibilidade de produto da safra velha, estoques internos apertados e maior necessidade de importação para suprir a demanda doméstica.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o comportamento dos preços reflete um equilíbrio ainda frágil entre oferta e demanda.

“O primeiro semestre foi marcado pela recomposição dos preços. A menor disponibilidade de trigo no mercado interno e a necessidade de importação deram sustentação às cotações, mesmo em um ambiente de liquidez bastante limitada”, destacou.

Mercado do trigo acumula altas expressivas no semestre

Apesar da pressão de baixa registrada em junho, o desempenho acumulado do semestre foi positivo nas principais praças do país.

No Paraná, a média dos preços FOB interior encerrou junho em R$ 1.407 por tonelada, com alta acumulada de 19,9% em relação ao fechamento de 2025. No entanto, o mês registrou recuo de 1,6%, influenciado pela menor demanda dos moinhos e pelo enfraquecimento das referências internacionais.

Leia Também:  Brasil alcança quase US$ 10 bilhões em comércio exterior na terceira semana de fevereiro

No Rio Grande do Sul, o movimento de valorização foi ainda mais intenso no semestre, com avanço de 24,9%. Em junho, porém, houve queda de 5,1%, levando a média para R$ 1.290 por tonelada FOB. Mesmo com a correção, o estado segue sustentado pela escassez de trigo remanescente da safra anterior e pelo forte ritmo de exportações ao longo do período.

Ajuste em junho não muda tendência de alta, diz analista

De acordo com Elcio Bento, a retração observada em junho não representa mudança estrutural no mercado, mas sim um ajuste técnico após meses de valorização.

“O que vimos em junho foi muito mais um ajuste técnico do que uma mudança de tendência. A oferta continua limitada, os estoques seguem apertados e isso impede uma queda mais acentuada dos preços”, analisou.

O ambiente de baixa liquidez continua sendo uma característica marcante do mercado físico brasileiro de trigo. Produtores seguem retendo parte do produto, aguardando melhores condições de preços na entressafra, enquanto os moinhos realizam compras pontuais devido à dificuldade de repasse dos custos ao preço da farinha.

Esse desalinhamento entre oferta e demanda mantém o mercado travado e com negociações limitadas.

Leia Também:  Animais resgatados em canil clandestino recebem cuidados de saúde e alimentação da Prefeitura de Cuiabá
Mercado internacional sustenta cenário de preços no Brasil

No mercado externo, o trigo negociado em Kansas acumulou valorização de 15,5% no primeiro semestre de 2026, mesmo com correções pontuais registradas em junho. Já o trigo argentino, referência importante para a paridade de importação brasileira, avançou 6,7% no período.

Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar ao longo do semestre contribuiu para reduzir parte da pressão altista que poderia ter sido transmitida ao mercado doméstico.

Perspectivas para o segundo semestre seguem atreladas ao clima e ao câmbio

Para os próximos meses, o mercado brasileiro de trigo deve permanecer sensível a fatores externos e internos. Entre os principais vetores de atenção estão o desenvolvimento da safra nacional, as condições climáticas na Argentina, o comportamento das bolsas internacionais e as oscilações cambiais.

Segundo o analista, esse conjunto de variáveis continuará sendo determinante para a formação de preços no mercado.

“Esse conjunto de fatores continua oferecendo sustentação estrutural aos preços”, concluiu Elcio Bento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA