AGRONEGÓCIO
Brasil expande exportações de nutrição animal e mira mercados de Angola e França
Publicado em
16 de setembro de 2025por
Da Redação
O Brasil segue ampliando sua presença no mercado global de nutrição animal, fortalecendo exportações para países da África e da Europa. A produção nacional, combinada com diferenciais de personalização e qualidade, tem colocado o país entre os principais fornecedores de soluções nutricionais para pecuária e avicultura.
Produção e crescimento das exportações
Em 2024, o país produziu 86,6 milhões de toneladas de ração, consolidando-se entre os três maiores produtores mundiais, segundo o relatório Alltech Agri-Food Outlook 2025. Além disso, dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) apontam alta de 14% nas exportações de pet food no ano passado, impulsionada pela agilidade na emissão de certificados internacionais e pelo interesse crescente em soluções brasileiras.
Personalização como diferencial competitivo
José Ricardo Loschi, fundador da SRX Holdings, destaca que a personalização da nutrição animal é essencial para conquistar mercados exigentes. “Quando adaptamos a nutrição à genética, ao metabolismo e ao manejo de cada rebanho, entregamos mais eficiência produtiva e valor agregado. Esse diferencial tem sido determinante para atender países como Angola e França”, afirma.
Oportunidades em Angola e França
Angola: o país tem ampliado importações de insumos agropecuários e subprodutos de cereais, criando demanda para preparações de alimentação animal.
França: mercado europeu exige certificações rigorosas, rastreabilidade e conformidade com boas práticas de fabricação de ração.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Nutrição Animal (Sindirações), produtos de maior valor agregado, como concentrados, núcleos e premixes com aditivos funcionais, têm se destacado por oferecer rastreabilidade e atender demandas específicas de cada território.
Apoio regulatório e competitividade
O MAPA tem ampliado a lista de países habilitados a importar nutrição animal brasileira, reduzindo o tempo de acesso a mercados premium. Para empresas internacionais, a combinação de escala produtiva, qualidade e customização torna o Brasil um fornecedor confiável e competitivo.
Estratégia para crescimento sustentável
Loschi reforça que a expansão sustentável das exportações depende de compreender as necessidades de cada mercado e entregar soluções adaptadas. “Essa combinação de ciência, eficiência e proximidade com o cliente garante a abertura de novas fronteiras e consolida relações comerciais sólidas”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Tarifas dos EUA colocam exportações brasileiras sob pressão e ampliam exigências de rastreabilidade no agronegócio
Published
11 segundos agoon
3 de junho de 2026By
Da Redação
O Brasil entrou em uma corrida contra o tempo para evitar novos obstáculos às exportações para os Estados Unidos. O governo brasileiro tem até 15 de julho para apresentar argumentos e negociar uma proposta americana que prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos vinculados a suspeitas de trabalho forçado. Caso seja implementada e somada aos 25% já anunciados anteriormente pelos Estados Unidos, a cobrança poderá atingir 37,5% em determinados produtos brasileiros.
Embora os principais produtos do agronegócio nacional, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e gás, permaneçam fora do escopo direto da investigação, especialistas alertam que o maior desafio pode estar além das tarifas: a crescente exigência internacional por rastreabilidade, governança e conformidade socioambiental.
Agronegócio brasileiro enfrenta risco reputacional crescente
A avaliação de analistas de mercado é que os impactos econômicos imediatos tendem a ser limitados para as principais cadeias exportadoras. No entanto, a inclusão do Brasil em uma discussão internacional relacionada ao combate ao trabalho forçado pode gerar efeitos indiretos relevantes sobre a imagem do país perante compradores, investidores e instituições financeiras.
O principal receio é que importadores passem a exigir processos mais rigorosos de auditoria, monitoramento da cadeia de suprimentos e comprovação da origem dos produtos. Esse movimento já vem ocorrendo em diversos mercados internacionais e pode ganhar força caso a proposta americana avance.
Para especialistas, a simples associação do Brasil a questionamentos sobre fiscalização trabalhista pode aumentar a pressão por certificações, mecanismos de rastreabilidade e controles adicionais de compliance, mesmo para empresas que não estejam diretamente relacionadas aos setores investigados.
Cadeias produtivas precisarão reforçar transparência
O novo cenário reforça uma tendência global que vem transformando o comércio internacional. Cada vez mais, a competitividade dos exportadores não depende apenas de preço, qualidade e produtividade, mas também da capacidade de demonstrar conformidade com critérios ambientais, sociais e de governança.
No agronegócio, essa realidade se traduz na necessidade de ampliar investimentos em rastreabilidade, documentação de processos produtivos e monitoramento de fornecedores.
Empresas que já possuem sistemas robustos de controle tendem a enfrentar menos dificuldades. Por outro lado, organizações com baixa transparência operacional podem encontrar barreiras adicionais para acessar mercados estratégicos.
Crédito pode ficar mais seletivo
Além dos reflexos comerciais, o endurecimento das exigências regulatórias pode afetar o acesso ao crédito.
Instituições financeiras e investidores internacionais têm incorporado critérios ESG e de compliance em suas análises de risco. Nesse contexto, empresas com fragilidades em governança ou dificuldades para comprovar a origem de seus produtos podem enfrentar custos mais elevados de financiamento.
O movimento acompanha uma transformação global em que transparência e conformidade deixam de ser diferenciais e passam a representar requisitos básicos para obtenção de capital e participação em mercados internacionais.
Brasil terá seis semanas para negociar
O cronograma estabelecido pelas autoridades americanas prevê consulta pública e audiência em 6 de julho, com decisão final prevista para 15 de julho.
Até lá, especialistas defendem uma atuação coordenada entre governo e iniciativa privada. Entre as prioridades estão a ampliação das negociações diplomáticas, a apresentação de evidências sobre os mecanismos brasileiros de combate ao trabalho análogo à escravidão e o fortalecimento da interlocução com importadores e entidades empresariais dos Estados Unidos.
Também ganha importância a mobilização de dados que demonstrem a relevância do Brasil para o abastecimento de matérias-primas estratégicas da economia americana, especialmente no agronegócio e na mineração.
Governança será diferencial competitivo
Para o mercado, o cenário ainda é considerado administrável. Entretanto, a discussão evidencia uma mudança estrutural no comércio internacional: as barreiras comerciais deixam de ser apenas tarifárias e passam a incorporar critérios regulatórios, sociais e reputacionais.
Nesse ambiente, a capacidade de comprovar origem, regularidade e conformidade torna-se um ativo estratégico para exportadores brasileiros.
A avaliação predominante entre especialistas é que empresas e cadeias produtivas capazes de demonstrar elevados padrões de governança terão vantagem competitiva nos próximos anos. Já aquelas que não conseguirem atender às novas exigências poderão enfrentar restrições comerciais, aumento do custo de capital e perda de espaço nos mercados internacionais.
Agronegócio brasileiro precisa transformar compliance em oportunidade
O avanço das exigências globais de rastreabilidade e responsabilidade social representa um desafio, mas também uma oportunidade para o agronegócio brasileiro consolidar sua imagem como fornecedor confiável e sustentável.
Com poucas semanas para o encerramento das negociações, o resultado dependerá não apenas da atuação diplomática do governo, mas também da capacidade do setor produtivo de demonstrar transparência, segurança jurídica e compromisso com as melhores práticas internacionais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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