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Rabobank projeta dólar a R$ 5,75 no fim de 2025 e alerta para riscos fiscais e geopolíticos

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Projeção do câmbio até 2025

O Rabobank prevê que o dólar encerre 2025 cotado a R$ 5,75, refletindo um cenário de equilíbrio entre fatores que fortalecem e fragilizam o real. De acordo com o relatório da instituição, o câmbio deve se beneficiar, no curto prazo, da política comercial dos Estados Unidos e do diferencial de juros, que favorecem a moeda brasileira.

No entanto, riscos geopolíticos e fiscais podem pressionar novamente o real, levando à retomada da desvalorização.

Tarifas americanas: impactos distintos para o agro

A decisão dos EUA de impor uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros trouxe consequências variadas para o agronegócio.

  • Isentos: suco de laranja e celulose ficaram livres da tarifa adicional de 40%.
  • Afetados: café, carne bovina e açúcar passaram a pagar a tarifa integral.

No caso do café, a competitividade brasileira foi prejudicada, mas a substituição do produto no mercado norte-americano é considerada improvável. Já a carne bovina registrou forte crescimento nos embarques até agosto, com alta de 35% no volume diário e 70% no faturamento. Mesmo com a expectativa de queda a partir de setembro, as exportações devem somar 263 mil toneladas em 2025, alta de 15% frente a 2024.

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No açúcar, o efeito recai principalmente sobre o segmento de orgânicos, no qual os EUA têm forte dependência do Brasil. A substituição por outros fornecedores é considerada inviável no curto prazo.

Economia brasileira entre pressões internas e externas

O relatório aponta que os impactos das tarifas tendem a reduzir o PIB e o saldo comercial do Brasil. Mesmo assim, o Rabobank projeta crescimento de 2,0% em 2025 e 1,3% em 2026.

Internamente, a economia dá sinais de desaceleração, com crédito restrito e aumento da inadimplência, apesar de um mercado de trabalho ainda sólido, com desemprego em 5,8%. O consumo das famílias deve ser sustentado por pagamentos de precatórios e expansão do crédito consignado.

Na inflação, o IPCA recuou de 5,4% para 5,2% entre junho e julho, mas continua acima da meta. O governo estima um impacto fiscal de R$ 9,5 bilhões até 2026 em razão das tarifas.

Juros e política monetária

O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano na reunião de julho, justificando a decisão pelas incertezas externas e domésticas. O Rabobank projeta que os cortes só comecem no segundo trimestre de 2026.

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Enquanto isso, o real tem se beneficiado do enfraquecimento global do dólar — que perdeu quase 10% frente a moedas desenvolvidas em 2025 — e do diferencial de juros em relação aos EUA.

Vetores para o câmbio

O Rabobank lista os fatores que podem influenciar a trajetória do real:

  • Força do real: enfraquecimento global do dólar e manutenção da Selic até 2026.
  • Fragilidade do real: crescimento global fraco, riscos geopolíticos e dúvidas sobre a consolidação fiscal no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mulheres impulsionam sucessão familiar e transformam a cafeicultura em Minas Gerais

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O Dia Mundial do Café, celebrado neste mês, reforça a importância do Brasil no cenário global como maior produtor e exportador do grão, responsável por cerca de 40% da oferta mundial. Em Minas Gerais, que responde por aproximadamente metade da produção nacional e reúne mais de 460 municípios produtores, a cafeicultura vai além da economia: é cultura, identidade e tradição familiar.

Nesse contexto, cresce a presença feminina na gestão das propriedades rurais, impulsionando processos de sucessão familiar, inovação e sustentabilidade no campo.

Sucessão familiar ganha força com participação feminina no campo

Em Minas Gerais, cerca de 123 mil produtores atuam na cafeicultura, enfrentando a sucessão familiar como um dos principais desafios do setor. Ao mesmo tempo, esse cenário tem se transformado em uma oportunidade de renovação, com a atuação das mulheres ganhando cada vez mais espaço.

Na região das Matas de Minas, reconhecida pela produção sustentável e pela forte presença da agricultura familiar, diversas histórias evidenciam o papel feminino na continuidade e transformação dos negócios rurais.

Sítio Vó Emília mantém tradição de quase 100 anos liderada por mulheres

Em Espera Feliz, o Sítio Vó Emília é um exemplo de sucessão feminina contínua há quase um século. A propriedade é conduzida por mulheres da mesma família ao longo de quatro gerações.

Desde 2023, as irmãs Viviane e Luciane da Silva de Oliveira assumiram a gestão do negócio. A trajetória ganhou novo impulso em 2018, quando decidiram estruturar a produção como projeto de vida, investindo em conhecimento, qualidade e agroecologia.

A marca Sempre-Vivas foi criada como símbolo de identidade e resistência feminina no campo.

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Modernização da produção e certificações agregam valor ao café

Com apoio do Sistema Faemg Senar, por meio de programas de capacitação, gestão e assistência técnica, as produtoras modernizaram a produção, renovaram lavouras, reduziram custos e ampliaram a rentabilidade.

Atualmente, o café produzido pela família possui o selo Certifica Minas e está em processo de certificação para produção sem agrotóxicos junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), ampliando o valor agregado do produto.

Jovens retornam ao campo e fortalecem novas marcas de café

A sucessão familiar também é impulsionada pelas novas gerações.

Em Simonésia, a jovem Camille Moura, de 23 anos, deixou o trabalho em uma loja agropecuária para retornar à propriedade da família. Há seis meses no campo, ela atua na gestão do negócio, com foco na área contábil, contribuindo para o fortalecimento da marca de cafés especiais Arraiá do Sol, criada em 2022.

O objetivo é expandir a presença da marca no mercado de cafés especiais.

Café especial e gestão fortalecem trajetória de nova geração produtora

Em Manhumirim, Ana Carolina Malta representa a quinta geração de uma família tradicional na cafeicultura e neta de um dos primeiros exportadores de café orgânico do Brasil.

Formada em Engenharia de Produção, ela decidiu retornar às origens para assumir a gestão financeira da propriedade e contribuir para a manutenção da atividade familiar. Parte da renda obtida com cafés especiais tem sido usada para quitar dívidas da família e evitar o leilão da propriedade.

Conhecida como Carol, ela relatou que inicialmente não se identificava com a atividade, mas encontrou na capacitação oferecida pelo Sindicato dos Produtores Rurais e pelo Sistema Faemg Senar a oportunidade de se desenvolver no setor.

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A produtora criou a marca Vidas Gerais Café em 2018, após investir em formação técnica e gestão para consolidar sua atuação na cafeicultura.

Organização feminina fortalece cafeicultura nas Matas de Minas e Caparaó

Além da atuação dentro das propriedades, a organização coletiva também tem ampliado a participação feminina no setor.

A cafeicultora Dulcineia Prado, presidente da Associação de Mulheres do Café das Matas de Minas e Caparaó (AMUC), lidera um grupo que reúne produtoras de 14 municípios e mais de 50 associadas.

Segundo ela, a presença feminina na cafeicultura sempre existiu, mas vem ganhando mais visibilidade nos últimos anos, especialmente na produção de cafés de qualidade e na adoção de novas tecnologias.

Associações promovem capacitação, autoestima e fortalecimento do setor

Dulcineia destaca que as associações exercem papel fundamental no fortalecimento das produtoras, funcionando como espaços de troca de experiências, capacitação e apoio.

Além do desenvolvimento técnico, esses ambientes também contribuem para a valorização da autoestima e para a construção de redes de apoio entre as mulheres do campo.

Mulheres têm papel estratégico na sucessão e gestão das propriedades

A presidente da AMUC ressalta ainda a importância do protagonismo feminino na sucessão familiar e na organização das propriedades rurais.

Segundo ela, as mulheres contribuem diretamente para a gestão familiar e para o fortalecimento da propriedade como unidade produtiva estruturada, ajudando a garantir a continuidade da atividade no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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