AGRONEGÓCIO

Lideranças defendem antecipar o Plano Safra para dar mais previsibilidade ao produtor

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula uma mudança significativa no calendário do Plano Safra: a antecipação do anúncio para o início do ano. Hoje, o programa de crédito rural é divulgado entre junho e julho, às vésperas do começo do ano agrícola, que vai de 1º de julho a 30 de junho do ano seguinte. Para as lideranças do setor, essa prática deixa produtores, cooperativas e bancos sem tempo para planejar financiamentos e compras de insumos.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, afirma que a intenção é aprovar a mudança ainda em 2025 para que o novo calendário possa ser adotado já no ciclo de 2026. Segundo ele, a solução passará, inevitavelmente, por um projeto de iniciativa do governo ou por uma medida provisória.

Isso porque ajustes no Manual de Crédito Rural, que define as regras do Plano Safra, só podem ser feitos pelo Executivo. A estratégia, explica Lupion, é “embarcar” a alteração em uma proposta enviada pelo próprio governo, evitando questionamentos jurídicos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), a ideia é boa. “Trazer o anúncio do Plano Safra para o início do ano é uma medida de bom senso e que atende a uma demanda antiga de quem produz no campo. Quando o produtor sabe com antecedência as regras do crédito, consegue planejar a compra de insumos, negociar com fornecedores e organizar o custeio da próxima safra sem correr atrás de informações em cima da hora. Essa previsibilidade dá segurança para todo o setor”, comentou, Isan Rezende.

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“Hoje, o calendário atual atrapalha, porque o Plano Safra é divulgado quando o ano agrícola já está prestes a começar. Isso significa que muitos produtores fazem compromissos no escuro, sem saber exatamente quais linhas de crédito vão existir, com quais taxas e quais condições. Antecipar esse anúncio é uma forma de dar mais transparência e eficiência, algo que vai beneficiar do pequeno agricultor às grandes cooperativas”, observou Rezende.

“Estamos falando de uma mudança simples, mas que pode ter um impacto enorme na produtividade e no planejamento do agro. O setor está pronto para trabalhar junto com o governo e o Congresso para viabilizar essa alteração já para os próximos ciclos. É uma pauta que não tem lado, não tem partido — é um passo necessário para modernizar a forma como o crédito rural é tratado no Brasil”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.

Além do Plano Safra, a FPA está mobilizada em torno do Seguro Rural. O corte de mais de 40% no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) gerou críticas e aumentou a pressão sobre o governo federal. O Ministério da Agricultura promete apresentar até setembro uma reformulação do modelo, mas a FPA aposta em avançar com um projeto da senadora Tereza Cristina, relatado pelo senador Jayme Campos, que cria um fundo para sustentar financeiramente o seguro agrícola. O texto está pronto para votação, mas sua tramitação depende de acordos no Senado.

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Outro tema em disputa é a proposta de tributar as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), atualmente isentas. A medida, defendida pelo governo como forma de compensar ajustes no IOF, enfrenta forte resistência no Congresso. Lupion afirma que já há votos suficientes para barrar a taxação e garante que o setor não aceitará aumento de impostos.

Com uma pauta extensa, as lideranças do agro pretendem usar o segundo semestre para acelerar mudanças consideradas fundamentais, como a antecipação do Plano Safra e o fortalecimento do Seguro Rural, ao mesmo tempo em que se mobilizam para evitar medidas que possam, segundo avaliam, prejudicar o setor.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Tecnificação da reprodução bovina impulsiona produtividade e competitividade da carne brasileira no mercado global

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A pecuária brasileira vem intensificando o uso de tecnologias voltadas à reprodução animal como estratégia para aumentar produtividade, melhorar a padronização dos rebanhos e atender às crescentes exigências dos mercados internacionais de carne bovina. O movimento ocorre em um cenário de maior rigor em critérios sanitários, ambientais e de rastreabilidade, especialmente por parte de grandes importadores globais.

O Brasil, um dos principais exportadores mundiais de carne bovina, deve manter sua liderança no comércio internacional em 2026, com embarques estimados em cerca de 4,27 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec), segundo projeções do USDA. Apesar da posição de destaque, o setor enfrenta pressão crescente por maior eficiência produtiva e previsibilidade na cadeia pecuária.

Reprodução bovina se consolida como pilar estratégico da pecuária moderna

De acordo com o médico-veterinário Bruno Freitas, o avanço das tecnologias reprodutivas tem impacto direto sobre os indicadores zootécnicos e sobre a qualidade dos animais destinados ao abate.

“A reprodução animal exerce papel fundamental dentro da pecuária de cria moderna. Quando conseguimos aumentar a eficiência reprodutiva do rebanho, também avançamos em aspectos ligados à uniformidade dos lotes, ganho de desempenho, melhor aproveitamento genético e maior previsibilidade produtiva, fatores que impactam diretamente a qualidade da carne”, afirma o especialista.

Segundo ele, a evolução do manejo reprodutivo permite que a pecuária brasileira avance não apenas em volume de produção, mas também em qualidade e consistência do produto final, fatores cada vez mais valorizados pelos mercados compradores.

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IATF lidera avanço tecnológico e já representa mais de 90% das inseminações no país

Entre as principais ferramentas adotadas nas propriedades brasileiras está a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que se tornou um dos pilares da reprodução bovina moderna.

Dados da ASBIA indicam que a técnica já responde por mais de 90% das inseminações realizadas no Brasil, refletindo a rápida expansão da biotecnologia reprodutiva no campo.

Além da IATF, ganham espaço protocolos sanitários mais estruturados, programas de suplementação estratégica e ferramentas de gestão reprodutiva. Essas tecnologias permitem maior controle das estações de monta, melhor organização dos partos e aumento das taxas de prenhez, resultando em rebanhos mais produtivos e uniformes.

Pecuária orientada por dados avança em eficiência e sustentabilidade

A adoção de tecnologias reprodutivas também está associada à transformação da gestão pecuária, que passa a ser cada vez mais orientada por dados, planejamento e controle técnico.

Segundo Bruno Freitas, a reprodução deixou de ser uma etapa isolada do sistema produtivo e passou a integrar uma estratégia mais ampla dentro das fazendas.

“Hoje, a pecuária brasileira trabalha cada vez mais orientada por dados, planejamento e gestão técnica. A reprodução deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a integrar uma estratégia produtiva mais ampla, alinhada às demandas de sustentabilidade, rentabilidade e qualidade exigidas pelos mercados consumidores”, destaca.

Indústria veterinária amplia investimentos em inovação e biotecnologia

O avanço da reprodução bovina também tem sido impulsionado pelo setor de saúde animal, que vem ampliando investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

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A Ourofino Saúde Animal, por exemplo, investe entre 7% e 8% da receita líquida anual em inovação, com foco em soluções voltadas à produtividade e saúde do rebanho.

O portfólio da empresa inclui tecnologias aplicadas à reprodução, como protocolos de IATF e transferência de embrião em tempo fixo (TETF), além de suplementação mineral e soluções de suporte ao desempenho produtivo.

Entre os destaques está o Sincromais, tecnologia voltada ao manejo reprodutivo que atua no metabolismo dos animais e contribui para o aumento da fertilidade em rebanhos de reprodução.

Eficiência reprodutiva será determinante para competitividade da carne brasileira

Para especialistas do setor, o fortalecimento da reprodução bovina deve seguir como prioridade estratégica da pecuária nacional nos próximos anos, especialmente diante da crescente exigência dos mercados internacionais por carne de maior qualidade e rastreabilidade.

Nesse contexto, a capacidade de aumentar produtividade sem ampliar área, reduzir ciclos produtivos e elevar a previsibilidade da produção será decisiva para manter a competitividade da carne brasileira no cenário global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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