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Oferta restrita mantém preços do feijão carioca em alta, aponta Cepea

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Preços do feijão carioca seguem firmes no mercado

De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços do feijão continuam oscilando no mercado brasileiro. No entanto, o destaque tem sido para as valorizações, especialmente no caso do feijão carioca de melhor qualidade. A sustentação dos preços se deve à baixa oferta do produto no mercado interno, o que limita a disponibilidade e reforça o movimento de alta.

Colheita no Paraná encerra com queda, mas produção total cresce

No campo, a colheita da segunda safra de feijão no Paraná foi finalizada com uma queda expressiva na produção. Segundo dados divulgados pelo Deral/Seab em 17 de julho, o volume colhido nesta etapa somou 526,6 mil toneladas — uma redução de 23% em relação ao ciclo anterior. Apesar disso, a primeira safra do estado apresentou crescimento expressivo de 102%, alcançando 338 mil toneladas.

Esse desempenho robusto na primeira etapa compensou as perdas da segunda safra e resultou em uma oferta total estimada em 849 mil toneladas em 2024. Esse volume representa uma alta de 2% em relação ao ano passado e consolida um novo recorde para o estado, que segue como o maior produtor de feijão do país. A terceira safra no Paraná, por sua vez, tem peso insignificante na produção estadual.

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Estimativas nacionais indicam leve recuo na produção total

Em nível nacional, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que a produção total de feijão na safra 2024/25 será de 3,16 milhões de toneladas, uma queda de 1,3% em comparação com a safra anterior.

Dentre as variedades, o feijão preto deve registrar aumento de 10,8% na produção, com expectativa de atingir 789,1 mil toneladas. Já o feijão caupi deve manter estabilidade, com oferta estimada em 648,1 mil toneladas ao longo das três safras. O feijão cores, que inclui o tipo carioca, tende a fechar a safra com 1,72 milhão de toneladas — um recuo de 6,6% frente ao ciclo 2023/24.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde de soja pressiona portos e expõe falta de armazéns

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O Brasil deverá exportar o volume recorde de 114 milhões de toneladas de soja em 2026, quase 5% acima da maior marca já registrada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O avanço dos embarques aumenta a pressão sobre armazéns, estradas, ferrovias e terminais portuários em um ano de produção elevada.

Entre janeiro e julho, o País exportou 84,8 milhões de toneladas da oleaginosa, cerca de 5 milhões a mais que no mesmo período de 2025. Com as 9,74 milhões de toneladas previstas para agosto, o volume acumulado poderá chegar a 94,5 milhões antes do início do último quadrimestre.

A movimentação já aparece nos portos. Santos encerrou o primeiro semestre com 92,8 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 5,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A soja liderou as exportações do complexo, com 25,61 milhões de toneladas embarcadas.

O desafio começa antes da chegada aos terminais. A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 347,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. A capacidade estática de armazenagem era de 233,8 milhões de toneladas no fim de 2025.

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A diferença chega a 113,6 milhões de toneladas. Isso não significa que todo esse volume ficará sem espaço, porque os armazéns são esvaziados e reutilizados ao longo do ano. O descompasso, porém, obriga produtores e comercializadoras a movimentar rapidamente a safra, principalmente quando a colheita de soja coincide com a retirada do milho armazenado.

Sem estrutura suficiente nas propriedades e nas regiões produtoras, parte dos grãos precisa seguir para os portos mesmo quando o momento de venda não é o mais favorável. O resultado pode ser aumento do frete, formação de filas, ocupação dos pátios e menor poder de escolha para o produtor.

Nos terminais, o crescimento do volume exige controle sobre temperatura, umidade e tempo de permanência dos grãos. Atrasos na chegada dos navios ou interrupções no embarque podem provocar perda de peso, aquecimento da massa armazenada e deterioração da qualidade.

Segundo Franklin Oliveira, responsável pelo setor de indústria e portos da AGI Brasil, os terminais precisam funcionar com maior precisão para evitar que o acúmulo de carga provoque perdas ou paralise a operação. Sistemas de aeração, medição de temperatura e acompanhamento dos estoques permitem identificar problemas antes que o produto seja embarcado.

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Outro ponto crítico é a mistura de lotes, conhecida como blending. O procedimento combina grãos com características diferentes para alcançar o padrão definido no contrato de exportação. Quando a operação é mal executada, o exportador pode entregar soja de qualidade superior sem receber remuneração adicional ou sofrer desconto por enviar um produto abaixo da especificação.

A rastreabilidade também ganhou importância. Terminais e armazéns precisam comprovar a origem, o volume e a qualidade dos estoques, sobretudo quando os grãos servem de garantia para operações de crédito ou investimentos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).

O avanço das exportações mostra que os portos brasileiros vêm aumentando sua movimentação. O risco está na falta de crescimento equivalente da armazenagem e dos acessos terrestres. Para o produtor, gargalos nessa cadeia significam frete mais caro, espera para descarga e pressão para vender a produção em momentos de maior oferta.

Fonte: Pensar Agro

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