TRE - MT
Justiça Eleitoral de Mato Grosso planeja mutirões de biometria em territórios indígenas com respeito às tradições culturais
Publicado em
16 de julho de 2025por
Da Redação
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso confirmou a realização de mutirões em territórios indígenas com o objetivo de ampliar o cadastro biométrico de eleitores indígenas. A ação foi anunciada nesta segunda-feira (14.07) durante reunião conduzida pelo corregedor regional eleitoral, desembargador Marcos Machado, com a participação de representantes da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt).
Durante o encontro, foi acordado que o calendário das atividades será construído de forma dialogada com as lideranças indígenas, respeitando os ritos, costumes e a organização de cada território.
“Nós buscamos ampliar a participação indígena nas eleições de Mato Grosso, tanto em eleitores como na divulgação de informações que lhes possibilite ter um número cada vez maior de candidatos. A sociedade precisa ter essa pluralidade, esse respeito aos povos tradicionais. Vamos ampliar a biometria dentro dos territórios indígenas, e isso será feito de maneira dialogada com eles, ouvindo e respeitando suas tradições”, afirmou o desembargador Marcos Machado.
A presidente da Fepoimt, Eliana Xunakalo, destacou a importância da Justiça Eleitoral construir essa agenda a partir do diálogo com os povos originários. “Cada território tem uma questão cultural, sua organização própria. É muito bom esse diálogo para que as ações aconteçam respeitando esse calendário, porque aí se torna mais efetivo. Às vezes está na época do plantio, da pescaria, ou acontece algum ritual importante, e os parentes não vão abrir mão disso. Então é fundamental que haja esse entendimento para que tenhamos sucesso no cadastramento e na garantia do exercício da cidadania”, explicou.
Eliana reforçou ainda o impacto positivo da presença da Justiça Eleitoral nas aldeias. “É importante porque nós, povos indígenas, temos um calendário próprio de ritos, de organização interna, e essas ações precisam ser feitas com diálogo com a comunidade. A partir disso, teremos cidadãos indígenas com o gozo pleno de seus direitos, conscientes da importância de estar críticos, de saber utilizar os instrumentos democráticos e de fazer boas escolhas políticas. É muito bom ter a Justiça Eleitoral chegando nos territórios”, completou.
Também presente na reunião, Silvano Chue Yudja, da etnia Chiquitano, ressaltou que muitas vezes indígenas não conseguem fazer o cadastro biométrico por conta da distância entre as aldeias e os centros urbanos. “Pra mim é de extrema importância, porque os povos indígenas, assim como toda a sociedade brasileira, são cidadãos. Mas às vezes, pela dificuldade de morar na aldeia, nem todos têm o cadastro. E os dados são fundamentais porque eles trazem políticas públicas pros territórios. Então, pra mim, isso é muito importante”, avaliou.
Ainda participaram da reunião pela Justiça Eleitoral, o coordenador da Corregedoria, Breno Gasparoto, o analista responsável pela expansão da biometria em Mato Grosso, Kelsen Magalhães, e a assessora técnica da Corregedoria, Adriana Rezende. Pela Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso, maria Anarrory, e José Antônio Paravá.
Daniel Dino
Assessoria TRE-MT
Fonte: TRE – MT
TRE - MT
TRE-MT promove curso sobre eleições sob a perspectiva dos direitos humanos, da equidade e da inclusão
Published
4 meses agoon
9 de junho de 2026By
Da Redação
Direitos humanos, equidade racial, inclusão e representatividade são temas que ganharam espaço central no debate democrático contemporâneo. Com esse foco, teve início nesta segunda-feira (08.06), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnia em Processo Eleitoral”. A capacitação segue até quinta-feira (11.06) e reúne magistrados(as), promotores(as) e servidores(as) da Justiça Eleitoral.
A formação aborda temas centrais do processo eleitoral a partir de uma perspectiva voltada aos direitos humanos e à promoção da equidade. O conteúdo programático está dividido em quatro módulos: Propaganda Eleitoral com enfoque em direitos humanos, gênero, raça e etnia; Registro de Candidatura com enfoque interseccional; Prestação de Contas e financiamento com foco em equidade; e Abuso de Poder (econômico, político, comunicacional e religioso) e práticas discriminatórias.
Ao dar as boas-vindas aos participantes, a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou que a inclusão, o diálogo e o acolhimento são fundamentais para o fortalecimento da democracia e para a aproximação da Justiça Eleitoral com a sociedade.
“A Justiça Eleitoral precisa conversar com todas as pessoas, acolher diferentes perspectivas e promover a participação de todos no debate público. O conhecimento e o acolhimento são fundamentais para construirmos uma democracia cada vez mais humana e inclusiva”, afirmou a presidente.
A desembargadora ressaltou ainda que a participação no processo eleitoral, seja como eleitora, candidata, servidora, advogada, promotora, juíza ou mesária, representa um importante exercício de cidadania e fortalecimento democrático. Para ela, iniciativas como o curso ampliam o conhecimento, qualificam o debate público e contribuem para uma atuação institucional cada vez mais inclusiva.
A juíza auxiliar da Presidência do TRE-MT, Edna Ederli Coutinho, destacou a importância da temática para o fortalecimento da democracia e para a atuação institucional da Justiça Eleitoral.
Segundo ela, o debate sobre inclusão e representatividade deixou de ocupar um espaço periférico e passou a integrar o centro das discussões sobre aperfeiçoamento democrático. “A ampliação da participação de mulheres, pessoas negras, indígenas e outros grupos historicamente minorizados não é apenas uma pauta social, mas uma exigência constitucional e um compromisso institucional. Mais do que uma oportunidade de atualização técnica, este curso nos convida a refletir sobre o papel da Justiça Eleitoral na construção de uma democracia efetivamente inclusiva, plural e representativa”, afirmou.
O diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso (EJE-MT), juiz-membro substituto Welder Queiroz dos Santos, ressaltou que a promoção da inclusão e da diversidade está alinhada às diretrizes nacionais da Justiça Eleitoral.
“A primeira grande bandeira institucional do Tribunal Superior Eleitoral foi justamente a inclusão de mulheres, pessoas negras e indígenas na participação política. Trata-se de um tema fundamental para o fortalecimento do ambiente democrático e para a construção de uma sociedade mais representativa”, destacou.
Ao dar início às atividades, o palestrante Elder Maia Goltzman explicou que a proposta do curso é promover um diálogo entre o Direito Eleitoral e os Direitos Humanos, permitindo uma nova leitura dos principais institutos eleitorais.
“A ideia é analisar temas como propaganda eleitoral, abuso de poder, prestação de contas e registro de candidatura sob a perspectiva dos direitos humanos. Muitas das questões enfrentadas pela Justiça Eleitoral envolvem dilemas relacionados à inclusão, igualdade e proteção de direitos fundamentais. Por isso, queremos construir um espaço de diálogo, reflexão e troca de experiências”, afirmou.
Especialistas de referência nacional
O curso é ministrado por dois especialistas com ampla atuação acadêmica e profissional na área.
Elder Maia Goltzman é analista judiciário do TRE-SP, mestre em Direito e Instituições do Sistema de Justiça pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), doutorando em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em Direito Administrativo. Atua em pesquisas relacionadas à liberdade de expressão, direitos humanos, população LGBTQIAPN+, desinformação e direito digital, além de ser professor em cursos de pós-graduação e autor de obras na área eleitoral.
A programação também contará com a participação de Sabrina de Paula Braga, responsável por ministrar módulos do curso ao longo da semana. Analista judiciária do TRE-MG, é mestra e doutoranda em Direito Político pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenadora do eixo “Participação de Grupos Minorizados” da Capacitação Nacional das Escolas Judiciárias Eleitorais e integrante da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Justiça Eleitoral.
Jornalista: Andréa Martins Oliveira
#PratodosVerem – Participante acompanha, por meio de um notebook, o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Gênero, Raça e Etnia no Processo Eleitoral”, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Na tela, aparecem autoridades e participantes da capacitação em videoconferência, enquanto o palestrante apresenta conteúdo relacionado aos direitos humanos e ao processo eleitoral.
Fonte: TRE – MT
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