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Tarifas de Trump impulsionam alta do dólar e cancelamentos de exportações brasileiras; governo estuda reação

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O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (14), refletindo o impacto das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. Às 9h43, a moeda americana registrava valorização de 0,45%, cotada a R$ 5,5728. Já a Bolsa de Valores (Ibovespa) só iniciou as negociações às 10h.

Na semana anterior, o dólar acumulou avanço de 2,28% frente ao real, após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, o Ibovespa encerrou a semana com queda de 3,59%, fechando aos 136.187 pontos.

Impacto imediato nas exportações brasileiras

Apesar de a nova tarifa só entrar em vigor em 1º de agosto, os efeitos já são sentidos por exportadores brasileiros:

  • Setor de mel: No Piauí, o Grupo Sama, referência global na produção de mel orgânico, teve 585 toneladas canceladas por importadores norte-americanos. Parte da carga já se encontrava no porto, e agora os custos com armazenamento em câmaras refrigeradas devem pesar sobre a empresa.
  • Setor de pescados: Menos de 24 horas após o anúncio da tarifa, compradores dos EUA cancelaram pedidos, forçando o desembarque de 58 contêineres com peixes, camarões e lagostas em portos do Nordeste.

De acordo com o consultor em comércio internacional Welber Barral, o impacto mais severo será sentido em agosto, quando a taxa de 50% começar a valer oficialmente. Muitas cargas estão sendo despachadas com urgência para tentar chegar aos EUA antes da data.

Outros setores que devem ser afetados incluem café, carne bovina, suco de laranja, petróleo e aeronaves — produtos que lideram as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

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Reação do mercado e risco de inflação no Brasil

A reação negativa do mercado financeiro à medida americana impulsionou o dólar, o que acendeu o alerta para um possível aumento da inflação no Brasil.

Segundo o economista Robson Gonçalves, da FGV, a alta do dólar pode manter a inflação elevada e forçar o Banco Central a segurar os juros em 15% — o maior patamar em quase duas décadas. “Esse cenário desacelera a economia e pode até levar à recessão”, alertou.

Governo Lula discute resposta e não descarta retaliação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, no domingo (13), ministros e o presidente do Banco Central no Palácio da Alvorada para discutir a resposta brasileira à medida dos EUA.

Entre os encaminhamentos está a criação de um comitê de empresários, que deve ser oficializado nesta segunda-feira (14), para buscar alternativas à crise. Lula quer sinalizar que o problema atinge o país como um todo, e não apenas o governo.

A possibilidade de retaliar os EUA com base na lei da reciprocidade está sendo considerada. O governo deve editar até terça-feira (15) um decreto regulamentando o mecanismo, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Supremo e diplomacia entram na discussão

O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, também se manifestou sobre a questão. Em carta pública, afirmou que as justificativas apresentadas pelos EUA revelam uma “compreensão imprecisa” dos acontecimentos recentes no Brasil, especialmente no que diz respeito ao julgamento de Jair Bolsonaro e às decisões envolvendo as big techs.

Trump endurece retórica e ameaça novas tarifas

Em sua comunicação oficial, Trump afirmou que, caso o Brasil reaja com aumento de tarifas, os EUA responderão com novas elevações. O presidente americano já prorrogou até 1º de agosto a trégua tarifária iniciada em abril e enviou 25 notificações a países parceiros, incluindo México e União Europeia, impondo tarifas de até 30%.

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Além disso, Trump anunciou:

  • Tarifa de 50% sobre importações de cobre;
  • Taxas de até 200% sobre produtos farmacêuticos.

A União Europeia, por sua vez, estendeu a suspensão de retaliações até o início de agosto, buscando uma saída negociada.

Risco global: inflação e juros mais altos nos EUA

Analistas avaliam que a volta do protecionismo de Trump pode pressionar a inflação global. Isso porque as tarifas aumentam os custos de produção, especialmente para indústrias que dependem de insumos importados.

Se a inflação nos EUA subir, o Federal Reserve (Fed) pode ser forçado a manter os juros em níveis elevados por mais tempo, o que tende a fortalecer o dólar e influenciar negativamente as taxas de juros em outros países.

Resumo dos indicadores financeiros
  • Dólar
    • Acumulado da semana: +2,28%
    • Acumulado do mês: +2,11%
    • Acumulado do ano: -10,22%
  • Ibovespa
    • Acumulado da semana: -3,59%
    • Acumulado do mês: -1,98%
    • Acumulado do ano: +13,22%

A escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos promete ser um dos principais focos do mercado nas próximas semanas. A resposta do governo brasileiro e os desdobramentos diplomáticos serão determinantes para os rumos da economia e das exportações nacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preços do trigo sobem no Brasil com oferta restrita e ajuste no mercado em abril

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O mercado brasileiro de trigo encerrou abril com valorização nas principais regiões produtoras, sustentado pela oferta restrita, firmeza dos vendedores e necessidade de recomposição de estoques por parte dos moinhos. O movimento reflete um ajuste no mercado interno, especialmente diante da menor disponibilidade no Sul e da crescente exigência por qualidade do grão.

Mercado interno: escassez e qualidade sustentam preços

A baixa oferta disponível nas regiões produtoras foi determinante para a sustentação das cotações ao longo do mês. A comercialização mais seletiva, com foco em lotes de melhor qualidade, também contribuiu para o cenário de valorização.

No Paraná, a média FOB interior avançou 3% em abril, alcançando R$ 1.407 por tonelada. Já no Rio Grande do Sul, o movimento foi mais expressivo, com alta de 8%, elevando a referência para R$ 1.295 por tonelada.

O comportamento reforça um mercado mais ajustado, com menor volume disponível e maior rigor na negociação, principalmente em relação ao padrão do produto.

Acumulado de 2026 mostra recuperação relevante

No primeiro quadrimestre de 2026, a alta acumulada dos preços é significativa, indicando uma mudança importante na dinâmica do mercado desde o início do ano:

  • Paraná: +20%
  • Rio Grande do Sul: +25%
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Apesar da recuperação no curto prazo, na comparação anual as cotações ainda permanecem abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior, com recuos de 9% no Paraná e 10% no Rio Grande do Sul.

Esse cenário evidencia que o mercado doméstico reage aos fundamentos internos, mas ainda enfrenta limitações impostas pelo ambiente externo.

Mercado externo: referência argentina e incertezas de qualidade

A Argentina segue como principal referência para a formação de preços do trigo no Brasil. Em abril, as indicações nominais para o produto com teor de proteína acima de 11,5% permaneceram estáveis, ao redor de US$ 240 por tonelada.

No entanto, o cenário internacional aponta para possíveis ajustes. O trigo hard norte-americano registrou valorização de 7,8% no mês e acumula alta de 27% em 2026, sinalizando pressão altista global.

Além disso, persistem incertezas quanto ao padrão de qualidade do trigo argentino disponível para exportação, o que pode influenciar diretamente a competitividade e os preços no mercado regional.

Câmbio limita repasse da alta internacional

Apesar do viés altista nos fundamentos domésticos e da pressão externa, o câmbio tem atuado como principal fator de contenção para os preços no Brasil.

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A valorização do real frente ao dólar reduz a paridade de importação, limitando o repasse das altas internacionais para o mercado interno. Com isso, mesmo diante de um cenário global mais firme, os avanços nas cotações domésticas ocorrem de forma mais moderada.

Tendência: mercado segue sensível à oferta e ao câmbio

A perspectiva para o curto prazo é de manutenção de um mercado ajustado, com preços sustentados pela oferta restrita e pela demanda pontual dos moinhos.

No entanto, a evolução do câmbio e o comportamento das cotações internacionais seguirão sendo determinantes para a intensidade dos movimentos no Brasil, especialmente em um cenário de integração crescente com o mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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