AGRONEGÓCIO

Queda nos preços do leite desafia pequenos produtores, mas gestão eficiente é a chave para seguir no negócio

Publicado em

Desafios para o pequeno produtor de leite no Brasil

Gerenciar uma fazenda leiteira de pequeno porte exige muito mais do que cuidar da saúde dos animais: é necessário administrar custos, acompanhar as oscilações constantes do preço do leite e entender o cenário econômico e do setor no país. Essa é a análise de Leonardo Peres, médico veterinário e Gerente Regional da Chemitec Agro-Veterinária.

Pequenos produtores dominam o segmento, mas enfrentam dificuldades

Embora a participação dos pequenos produtores na produção total de leite esteja em queda, eles ainda representam cerca de 90% dos produtores no Brasil, produzindo menos de 1.000 litros por dia. Em períodos de preços baixos e custos altos, muitos têm optado por deixar a atividade, migrando para outras culturas como soja e milho.

Mercado de leite é marcado por ciclos de alta e baixa

Antes de desistir, o produtor deve lembrar que as quedas nos preços são temporárias. O preço do leite no Brasil tem apresentado variações significativas: atingiu R$ 3,57 o litro em julho de 2022, caiu para R$ 1,97 em outubro de 2023, mas voltou a subir para R$ 2,87 em setembro do ano passado.

Leia Também:  Exportação de carne bovina apresenta crescimento de 35,5% na segunda semana de janeiro/24
A dinâmica do mercado interno impacta os preços

O setor leiteiro brasileiro não exporta, então toda a produção atende ao mercado interno. Isso significa que o equilíbrio entre oferta e demanda doméstica é fundamental para a sustentação dos preços. Se a economia desacelera e o consumo cai, o excesso de oferta faz o preço despencar, gerando desinteresse dos produtores.

Custos elevados dificultam o cenário atual

No início de 2025, a queda nos preços foi agravada pelo aumento dos custos de produção, afetando ainda mais a rentabilidade. Alimentação, medicamentos, vacinas, manutenção, higiene, transporte e energia são os principais gastos que precisam ser gerenciados cuidadosamente.

Gestão eficiente é fundamental para superar crises

A saída para enfrentar períodos difíceis está na gestão rigorosa dos custos e receitas, buscando alternativas para manter a qualidade com menor gasto. Investimentos em modernização e automação, especialmente para reduzir custos com energia, podem gerar economias no médio e longo prazo, enquanto outras ações podem trazer resultados imediatos.

Perspectiva otimista para o futuro da produção leiteira

Independentemente das oscilações do mercado, a demanda pode se recuperar e os preços voltarem a subir. A boa gestão, feita de forma contínua, garante que a propriedade esteja preparada para os diferentes cenários.

“A boa gestão não é momentânea. Ela é a garantia de um negócio duradouro e rentável no longo prazo”, conclui Leonardo Peres.

Abandonar a produção não é o caminho

Mesmo diante das dificuldades atuais, abandonar a produção não deve ser a primeira alternativa para os pequenos produtores. O foco deve estar em ajustar a gestão, reduzir custos e buscar eficiência para atravessar os ciclos e garantir a sustentabilidade do negócio.

Leia Também:  Capacitação reúne monitoras do Programa Siminina em semana de formação e integração em Cuiabá

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos

Published

on

A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).

O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.

Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.

Leia Também:  VLI Anuncia Abertura de Mais de 100 Vagas de Estágio para 2025 em Diversas Áreas

No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.

A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.

Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.

Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.

Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.

Leia Também:  Conheça os vencedores da última etapa do Circuito Nelore de Qualidade 2023

A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.

Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.

O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.

Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.

Serviço

VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA