AGRONEGÓCIO
StoneX projeta superávit robusto para o cacau em 2025/26, mas clima e doenças seguem como fatores de risco
Publicado em
4 de julho de 2025por
Da Redação
Expectativa de superávit para a safra 2025/26
A safra global de cacau 2025/26 pode marcar uma virada no cenário atual de escassez. De acordo com estimativa da StoneX, divulgada durante o webinar “Radar Cacau” nesta quinta-feira (3), o mercado poderá registrar um superávit de 239 mil toneladas no próximo ciclo. A previsão representa um alívio em relação aos últimos anos de déficit, mas ainda está condicionada a fatores climáticos e sanitários.
Clima será decisivo para a próxima temporada
A principal incerteza que paira sobre a safra 2025/26 é o comportamento do clima na segunda metade do ano, quando ocorre a fase mais relevante do desenvolvimento dos frutos (março a junho) e o início da colheita principal, previsto para outubro.
Segundo Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o equilíbrio nos estoques globais depende da manutenção de condições climáticas favoráveis e do controle de doenças. “Esses fatores ainda devem manter os preços acima da média histórica”, afirmou.
Panorama climático nos principais produtores
Até o final de junho, as condições climáticas nos principais países produtores apresentaram chuvas dentro da média: Costa do Marfim e Gana, responsáveis por cerca de 60% da oferta mundial, seguem com níveis razoáveis de precipitação. Já em países como Equador, Peru e Indonésia, que juntos representam aproximadamente 18% da produção global, o clima também tem sido favorável.
Doença viral ainda representa risco estrutural
Apesar do cenário climático relativamente positivo, a produção de cacau continua ameaçada pela doença viral CSSVD (vírus da vagem inchada), que se espalha de forma persistente, com efeitos acumulativos sobre as safras. Ao contrário de eventos climáticos pontuais, o CSSVD exige estratégias de combate mais agressivas e segue sendo um dos principais riscos à produtividade.
Brasil se destaca na expansão da produção
A elevação dos preços internacionais tem incentivado investimentos na cadeia do cacau, especialmente no Brasil. De acordo com a StoneX, os produtores brasileiros vêm respondendo mais rapidamente às oportunidades do mercado, impulsionados pelo maior acesso ao crédito, em contraste com as limitações enfrentadas por produtores do Oeste Africano.
A primeira projeção da consultoria para a safra brasileira 2025/26 é de 215 mil toneladas — um crescimento de 10,2% em relação ao ciclo anterior.
Safra atual (2024/25) caminha para superávit modesto
A temporada 2024/25 se encaminha para o encerramento com superávit estimado em 65 mil toneladas, número mais apertado do que o previsto inicialmente. O clima seco, sobretudo na Costa do Marfim, dificultou a recuperação produtiva após a quebra histórica registrada em 2023/24, considerada a pior dos últimos 50 anos.
Além disso, os desafios enfrentados pelos maiores produtores revelam um acúmulo de décadas de baixos investimentos e persistência de doenças, o que comprometeu a retomada do setor.
Sustentabilidade e rastreabilidade ganham protagonismo
Durante o evento, a analista de ESG da StoneX, Graziella Salvoni, destacou a crescente demanda por rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva. “Antes, esse tipo de iniciativa era limitada à indústria. Agora, a expectativa é por rastreabilidade total — do campo ao consumidor”, afirmou.
Ela também ressaltou que, com a entrada em vigor do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), o cacau exportado deverá comprovar, por meio de rastreamento, que não está associado ao desmatamento ilegal. Nesse contexto, o Brasil tem potencial para se tornar um fornecedor de destaque em cacau sustentável, adaptando-se aos novos padrões globais.
Planejamento e gestão de riscos no centro da estratégia
Para lidar com a volatilidade de preços e incertezas do mercado, a StoneX reforçou seu papel na consultoria estratégica aos agentes da cadeia do cacau. “Nosso objetivo é que produtores e processadores estejam preparados para as oscilações, por meio de informação qualificada, acompanhamento constante e proximidade com o setor”, explicou Ricardo Nogueira, consultor sênior da empresa.
Com perspectivas de melhora no equilíbrio global da oferta, o setor do cacau entra em um novo ciclo, mas ainda sujeito a variáveis climáticas, fitossanitárias e regulatórias que exigem planejamento estratégico e capacidade de adaptação.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Published
36 minutos agoon
25 de junho de 2026By
Da Redação
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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