AGRONEGÓCIO
Frio intenso exige atenção redobrada dos produtores de café e cana no Centro-Sul do Brasil
Publicado em
1 de julho de 2025por
Da Redação
Eventos climáticos extremos e seus efeitos na agricultura
O agronegócio brasileiro tem enfrentado desafios crescentes causados por eventos climáticos severos, com destaque para as geadas que prejudicam o metabolismo das plantas. Essas condições adversas geram perdas significativas, especialmente nas culturas de café e cana-de-açúcar.
De acordo com um estudo especial divulgado pela StoneX, empresa global de serviços financeiros, os danos provocados por temperaturas baixas e o frio intenso variam conforme fatores microclimáticos, como a topografia (baixas áreas, encostas etc.) e condições locais de umidade no solo e vegetação. Além disso, fenômenos climáticos de grande escala, como El Niño, La Niña e a Oscilação Antártica, têm forte influência nas condições do tempo no país, ressalta a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Jaramillo Giraldo.
Impactos do frio na cana-de-açúcar
No Centro-Sul brasileiro, temperaturas mínimas inferiores a 5 °C são registradas pelo menos uma vez ao ano em grande parte das regiões produtoras. Em Mato Grosso, por exemplo, a ocorrência de temperaturas próximas a 5 °C é frequente, com média estimada de cerca de 7 dias por ano.
Quando a temperatura se aproxima de 0 °C, as plantas sofrem com a queima das folhas, morte das gemas apicais e laterais, interrupção do crescimento, além da redução da qualidade industrial da cana (ATR) e queda na produtividade total de cana (TCH). Um dos maiores impactos dessa situação é a necessidade de colheita antecipada, que compromete o rendimento final por retirar a cana antes do ponto ideal.
A StoneX destaca que temperaturas abaixo de 10 °C já causam estresse térmico, com riscos mais severos a partir dos 5 °C, mesmo sem a presença visível de geada. Locais de maior altitude, baixa umidade do solo e cultivares mais sensíveis tendem a sofrer impactos ainda mais expressivos.
O analista Marcelo Di Bonifácio Filho lembra que a safra 2021/22 já enfrentou queda de produtividade devido à estiagem e que geadas seguidas de incêndios em agosto agravaram a situação. A moagem final do período ficou em 524,1 milhões de toneladas, cerca de 60 milhões abaixo da previsão inicial de 580 milhões.
Regiões como noroeste do Paraná, sudeste de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo apresentam alto risco de frio intenso, com mais de 90% de chance de temperaturas inferiores a 5 °C pelo menos uma vez por ano. Áreas do extremo leste do Triângulo Mineiro, centro de Minas Gerais e oeste de Goiás também registram risco semelhante.
Consequências do frio para a cultura do café
O café, sobretudo o arábica, é historicamente sensível a geadas severas, que causam estresse térmico, abortamento floral e redução da produção. Em 2022, por exemplo, a colheita ficou 20% abaixo do esperado, com 39,8 milhões de sacas colhidas ante um potencial estimado de 50 milhões, impacto que refletiu diretamente nos preços internacionais, segundo o gerente de Inteligência de Mercado da StoneX, Fernando Maximiliano.
Análises históricas realizadas entre 1970 e 2024 indicam que regiões como sul de Minas, noroeste do Paraná e sul de São Paulo possuem mais de 90% de chance de registrar ao menos um dia por ano com temperaturas abaixo de 5 °C.
Entre os principais efeitos do frio está a redução da fotossíntese, uma vez que as plantas entram em um estado de “hibernação metabólica”. Isso limita o crescimento vegetativo, a formação das gemas florais e pode levar ao abortamento das flores, especialmente quando as baixas temperaturas ocorrem durante o período de floração. Segundo Maximiliano, porém, é difícil quantificar com precisão esse tipo de dano.
No extremo sul de Minas Gerais, regiões cafeeiras em áreas de altitude podem registrar até 18 dias por ano com temperaturas mínimas abaixo de 5 °C, embora isso se restrinja a locais específicos. Em outras localidades com alta probabilidade de frio intenso, a média é de cerca de 7 dias anuais.
Em resumo, produtores de café e cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil devem redobrar os cuidados diante das geadas e das baixas temperaturas, que continuam a representar um desafio para a produtividade e qualidade das lavouras, exigindo estratégias de manejo e atenção constante ao clima.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro
Published
13 horas agoon
28 de agosto de 2026By
Da Redação
A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.
Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.
A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.
Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.
O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.
O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.
No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.
Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.
Combustível entra na mesma pressão
A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.
Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.
A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.
O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.
Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.
O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.
Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.
Fonte: Pensar Agro
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