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Eleitora de MT assina o direito de quem vê o voto como promessa de um futuro melhor

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Os pés que trilham caminhos revelam uma jornada de superação pelo exercício da cidadania. O compromisso com o futuro é assinado com o desejo de que o voto não seja apenas um direito, mas um passaporte que transforma vidas por um Brasil melhor, mais justo e mais democrático. Moradora de Aripuanã (a 1.000 km de Cuiabá), a dona de casa Aline Nantes Brito, de 34 anos, atualizou a situação cadastral junto ao cartório eleitoral da 11ª Zona Eleitoral. Pessoa com deficiência, Aline nasceu sem os braços e aprendeu desde cedo a viver sem eles. Ela não precisou fazer o cadastramento biométrico, mas tirou foto e deixou – com o pé esquerdo – sua assinatura carimbada para poder votar em 2026.

Cidadania e independência

 Eleitora há 18 anos, não deixa de votar. Uma decisão que inspira todos que a conhecem. É assim desde que tinha 16 anos, quando votou pela primeira vez. Desde que passou a exercer o direito ao voto, em apenas uma situação teve que justificar ausência.  Filha do meio de cinco irmãos, relata que nunca recebeu tratamento diferente da família por nascer sem os braços.

 “Sou independente e tenho minha autonomia. O tratamento é normal, uso os pés para fazer tudo: afazeres domésticos, cuidados pessoais e carinho na minha filha”, fala com orgulho ela que é mãe de Taiza, de dois anos e quatro meses, e é casada com um microempresário na área de informática.

 Atendimento Simplificado na Justiça Eleitoral

 Nesta sexta-feira (27), Aline procurou o cartório eleitoral porque recebeu recomendação do Posto de Atendimento da Previdência do INSS no município para atualizar situação junto à Justiça Eleitoral. De lá, foi  direto para o Cartório Eleitoral onde foi recebida por servidores públicos, ocasião em que foi atendida e recebeu orientações e informações sobre como estar em dia junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

 “No cartório eleitoral, fui tratada com educação e cortesia por servidores atenciosos, alguns já conheço por moramos em cidade pequena, né? Quando a gente é bem-recebida, a gente fica mais confiante. Eu achei que teria que colher as digitais dos dedos dos pés como quando eu fiz há muito tempo pra fazer primeira e segunda via do RG. Mas não foi isso que aconteceu. Foi bem mais tranquilo. Só precisei colher minha assinatura e tirar foto. A Justiça Eleitoral está mais moderna, resolver pendências está mais rápido e fácil”, disse.

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 Acessibilidade e Inclusão no Voto

 Em regra, o tratamento para a pessoa com deficiência que busca o atendimento no cartório eleitoral ocorre de forma natural, dentro das limitações apresentadas. “A gente sempre verifica a situação, de que se trata de uma deficiência que impede ou não o exercício do voto. Tendo em vista que o direito ao voto é uma garantia prevista no Estatuto da Pessoa com Deficiência. E isso implica na anotação ou não no cadastro da pessoa”, explica o chefe do cartório da 11ª Zona Eleitoral, José Rildo Coelho Machado Junior.

 Em outros casos, como explica o servidor público, a Justiça Eleitoral está atenta às necessidades do eleitor, informadas em seu cadastramento. Caso seja uma deficiência que dificulte o exercício do voto resulta na não aplicação de sanções pela ausência às urnas. A pessoa não vai receber a multa no caso de não ter votado. “No entanto, quando é uma deficiência que não impede o exercício do voto, basta anotação no cadastro da pessoa para que essa pessoa seja alocada numa seção compatível. Um exemplo, uma seção que não necessite de subir escadas, subir rampas, seja uma seção logo no início da entrada no local de votação, algo que facilite o acesso dessa pessoa”, reforça

 Não é o caso de Aline, ela é o marido votam na Escola Estadual São Francisco de Assis, localizada no centro de Aripuanã. Ela conta que mesmo faltando mais de um ano para a eleição de 2026 já está na expectativa para o próximo pleito porque, para ela, o voto é uma forma de expressão. “O voto é uma forma de a gente dizer o que a gente quer, quem a gente quer escolher. É maneira de fazer a diferença no futuro do país, de fazer a nossa escolha prevalecer”.

 Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral

 Em 2026, o  Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral completa 13 anos desde sua instituição pela Resolução TSE 23.381, de 19 de junho de 2012, que considera, entre outras coisas, o aprimoramento na urna eletrônica para incluir pessoas com deficiência ou dificuldades, além de permitir e ampliar a acessibilidade eleitoral.

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 A Justiça Eleitoral implementou vários mecanismos para garantir acesso total para pessoas com deficiência no portal do TSE e dos TREs na internet e na intranet, abastecidos com todas as soluções possíveis para acessibilidade, como interpretação em Libras e sintetização de voz.

 A exemplo de outros tribunais do país, o TRE-MT adotou medidas para assegurar o voto de pessoas com deficiência, disponibilizando meios de transporte para que elas participem do processo eleitoral, abrindo caminho para outros avanços no campo da acessibilidade e da inclusão. Essa conquista representa um marco para a sociedade e pelas pessoas com deficiência.

 Em 2024, pessoas com deficiência, eleitoras em 90 dos 142 municípios mato-grossenses, foram beneficiadas com medidas de acessibilidade e inclusão para o transporte delas até os locais de votação com o uso de transporte adaptado para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida. Segundo dados do cadastro eleitoral, Mato Grosso possuía, em 2024, 19.547 eleitores que declararam ter algum tipo de deficiência, como locomoção, deficiência visual, auditiva, ou dificuldade para o exercício do voto. Esses números reforçam a importância de garantir a acessibilidade e inclusão de todos os eleitores, permitindo o pleno exercício da cidadania.

 Como parte de ação de acessibilidade do TRE-MT, na eleição do ano passado foi instalada uma Central de Interpretação de Libras dentro do Tribunal, que atendeu eleitores e eleitoras surdas ou com baixa audição. Uma parceria da Justiça Eleitoral em Mato Grosso com a Prefeitura de Cuiabá, por meio do projeto Buscar, permitiu o transporte de eleitores com deficiência até os locais de votação na capital.

 Originalmente, o projeto Buscar é um sistema de transporte público do município destinado especificamente para Pessoa com Deficiência com alto grau de dependência de mobilidade, que precisa se deslocar para tratamento médico, estudos, trabalho e também para momentos de lazer.

 Jornalista Anderson Pinho

 #PraTodosVerem – A imagem mostra uma mulher, em três momentos, sem os dois braços, utilizando uma caneta com os pés para deixar sua assinatura em um dispositivo eletrônico sobre a mesa. Na foto, ela aparece olhando para a esquerda,  depois ela assina e por último sorri com semblante de felicidade.

Fonte: TRE – MT

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TRE-MT promove curso sobre eleições sob a perspectiva dos direitos humanos, da equidade e da inclusão

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Direitos humanos, equidade racial, inclusão e representatividade são temas que ganharam espaço central no debate democrático contemporâneo. Com esse foco, teve início nesta segunda-feira (08.06), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnia em Processo Eleitoral”. A capacitação segue até quinta-feira (11.06) e reúne magistrados(as), promotores(as) e servidores(as) da Justiça Eleitoral.

A formação aborda temas centrais do processo eleitoral a partir de uma perspectiva voltada aos direitos humanos e à promoção da equidade. O conteúdo programático está dividido em quatro módulos: Propaganda Eleitoral com enfoque em direitos humanos, gênero, raça e etnia; Registro de Candidatura com enfoque interseccional; Prestação de Contas e financiamento com foco em equidade; e Abuso de Poder (econômico, político, comunicacional e religioso) e práticas discriminatórias.

Ao dar as boas-vindas aos participantes, a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, destacou que a inclusão, o diálogo e o acolhimento são fundamentais para o fortalecimento da democracia e para a aproximação da Justiça Eleitoral com a sociedade.

“A Justiça Eleitoral precisa conversar com todas as pessoas, acolher diferentes perspectivas e promover a participação de todos no debate público. O conhecimento e o acolhimento são fundamentais para construirmos uma democracia cada vez mais humana e inclusiva”, afirmou a presidente.

A desembargadora ressaltou ainda que a participação no processo eleitoral, seja como eleitora, candidata, servidora, advogada, promotora, juíza ou mesária, representa um importante exercício de cidadania e fortalecimento democrático. Para ela, iniciativas como o curso ampliam o conhecimento, qualificam o debate público e contribuem para uma atuação institucional cada vez mais inclusiva.

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A juíza auxiliar da Presidência do TRE-MT, Edna Ederli Coutinho, destacou a importância da temática para o fortalecimento da democracia e para a atuação institucional da Justiça Eleitoral.

Segundo ela, o debate sobre inclusão e representatividade deixou de ocupar um espaço periférico e passou a integrar o centro das discussões sobre aperfeiçoamento democrático. “A ampliação da participação de mulheres, pessoas negras, indígenas e outros grupos historicamente minorizados não é apenas uma pauta social, mas uma exigência constitucional e um compromisso institucional. Mais do que uma oportunidade de atualização técnica, este curso nos convida a refletir sobre o papel da Justiça Eleitoral na construção de uma democracia efetivamente inclusiva, plural e representativa”, afirmou.

O diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso (EJE-MT), juiz-membro substituto Welder Queiroz dos Santos, ressaltou que a promoção da inclusão e da diversidade está alinhada às diretrizes nacionais da Justiça Eleitoral.

“A primeira grande bandeira institucional do Tribunal Superior Eleitoral foi justamente a inclusão de mulheres, pessoas negras e indígenas na participação política. Trata-se de um tema fundamental para o fortalecimento do ambiente democrático e para a construção de uma sociedade mais representativa”, destacou.

Ao dar início às atividades, o palestrante Elder Maia Goltzman explicou que a proposta do curso é promover um diálogo entre o Direito Eleitoral e os Direitos Humanos, permitindo uma nova leitura dos principais institutos eleitorais.

“A ideia é analisar temas como propaganda eleitoral, abuso de poder, prestação de contas e registro de candidatura sob a perspectiva dos direitos humanos. Muitas das questões enfrentadas pela Justiça Eleitoral envolvem dilemas relacionados à inclusão, igualdade e proteção de direitos fundamentais. Por isso, queremos construir um espaço de diálogo, reflexão e troca de experiências”, afirmou.

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Especialistas de referência nacional

O curso é ministrado por dois especialistas com ampla atuação acadêmica e profissional na área.

Elder Maia Goltzman é analista judiciário do TRE-SP, mestre em Direito e Instituições do Sistema de Justiça pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), doutorando em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em Direito Administrativo. Atua em pesquisas relacionadas à liberdade de expressão, direitos humanos, população LGBTQIAPN+, desinformação e direito digital, além de ser professor em cursos de pós-graduação e autor de obras na área eleitoral.

A programação também contará com a participação de Sabrina de Paula Braga, responsável por ministrar módulos do curso ao longo da semana. Analista judiciária do TRE-MG, é mestra e doutoranda em Direito Político pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenadora do eixo “Participação de Grupos Minorizados” da Capacitação Nacional das Escolas Judiciárias Eleitorais e integrante da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Justiça Eleitoral.

Jornalista: Andréa Martins Oliveira

#PratodosVerem – Participante acompanha, por meio de um notebook, o curso telepresencial “Eleições em Perspectiva: Gênero, Raça e Etnia no Processo Eleitoral”, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Na tela, aparecem autoridades e participantes da capacitação em videoconferência, enquanto o palestrante apresenta conteúdo relacionado aos direitos humanos e ao processo eleitoral.

Fonte: TRE – MT

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