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Mercado de trigo no Brasil segue travado, com foco no clima e previsão de menor área plantada em 2025

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Clima no Sul domina atenção do setor

O mercado brasileiro de trigo manteve-se lento nesta semana, com baixa liquidez e preços praticamente estáveis. Segundo o analista Elcio Bento, da consultoria Safras & Mercado, a principal preocupação no momento está nas condições climáticas, especialmente nas regiões produtoras do Sul do país, onde geadas foram registradas.

No Paraná, apesar da apreensão, a maioria das lavouras ainda não atingiu estágios críticos de desenvolvimento, o que reduz o risco de perdas severas. Já no Rio Grande do Sul, as temperaturas mais baixas têm favorecido o desenvolvimento das plantações, que se encontram em fases iniciais.

“A cautela dos agentes é reforçada pela perspectiva de uma redução expressiva na área plantada nesta safra, o que torna o impacto climático ainda mais sensível”, destaca Bento.

Possibilidade de aumento nas importações

De acordo com o analista, eventuais perdas de produção, especialmente no Paraná — principal polo de moagem do país —, podem elevar a necessidade de importações de trigo nos próximos meses.

Mercado físico segue com negociações pontuais

As negociações permanecem pontuais no mercado físico. No Rio Grande do Sul, compradores indicam intenção de compra em torno de R$ 1.300 por tonelada. No Paraná, os moinhos sinalizam valores próximos a R$ 1.450 por tonelada, com entrega CIF (custo, seguro e frete).

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Área de plantio deve cair 16,5% na safra 2025/26

Levantamento recente da Safras & Mercado aponta uma queda de 16,5% na área plantada com trigo para a safra 2025/26, em comparação com o ciclo anterior. A área cultivada deve recuar de 2,957 milhões para 2,470 milhões de hectares. Apenas desde o último levantamento, feito em abril, a retração acumulada já chega a 2,2%, indicando perda de confiança dos produtores.

Segundo Bento, essa decisão é reflexo de diversos desafios enfrentados pelos agricultores nos últimos anos:

  • Preços abaixo dos custos de produção
  • Margens negativas
  • Eventos climáticos extremos, como secas, geadas e excesso de chuvas
  • Quebras consecutivas de safra
Dificuldades no acesso a crédito e seguro agrícola

Além disso, o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) enfrenta limitações, e a inadimplência bancária crescente tem afastado produtores do financiamento rural. Nesse cenário, muitos optam por culturas mais seguras e com maior liquidez.

Expectativas com o relatório do USDA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará na próxima segunda-feira (30), às 13h, o relatório de área plantada. A expectativa do mercado é que a área destinada ao trigo atinja 45,410 milhões de acres na safra 2025/26, ligeiramente acima da estimativa de março (45,350 milhões), mas abaixo dos 46,079 milhões de acres registrados na temporada 2024/25.

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Quanto aos estoques trimestrais na posição de 1º de junho, o mercado espera 835 milhões de bushels, contra 696 milhões do mesmo período do ano anterior. Em 1º de março deste ano, os estoques estavam em 1,237 bilhão de bushels.

Importações de trigo em alta

De acordo com a programação de embarques (line-up) elaborada pela Safras & Mercado, o Brasil deve importar 611,607 mil toneladas de trigo em junho. Em maio, o volume foi de 446,432 mil toneladas, e para julho, a previsão é de 144,650 mil toneladas.

Na temporada 2024/25 (agosto de 2024 a julho de 2025), os desembarques já somam 5,509 milhões de toneladas, volume 943 mil toneladas superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Algodão ganha força no mercado global com risco climático nos EUA e exportações aquecidas do Brasil

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O mercado internacional do algodão vive um momento de recuperação consistente dos preços, impulsionado por fatores climáticos nos Estados Unidos, valorização do petróleo e maior apetite dos fundos de investimento. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário mais construtivo para a fibra ao longo da safra 2026/27.

Segundo o levantamento, abril foi marcado por forte valorização do algodão na Bolsa de Nova York, refletindo preocupações com a oferta global e condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras americanas.

Algodão sobe em Nova York e mercado brasileiro acompanha movimento

As cotações internacionais do algodão avançaram de forma expressiva em abril. Na média do mês, os preços na Bolsa de Nova York registraram alta de 13%, alcançando 74,8 cents de dólar por libra-peso.

De acordo com o Itaú BBA, a valorização foi sustentada principalmente pelos preços elevados do petróleo, pelas incertezas climáticas nos Estados Unidos e pela expectativa de redução da oferta global na safra 2026/27.

A seca persistente no Texas, principal estado produtor norte-americano, aumentou os riscos de abandono de áreas e elevou as preocupações em torno da produtividade da safra americana, fator que reforçou o movimento de alta das cotações internacionais.

No Brasil, o mercado físico também registrou valorização. Em Rondonópolis (MT), a média dos preços da pluma subiu 7,7% em abril na comparação com março, atingindo R$ 3,70 por libra-peso.

O desempenho positivo foi sustentado pelo forte ritmo das exportações brasileiras, que continua reduzindo a disponibilidade interna de algodão no mercado doméstico.

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Apesar disso, o avanço das cotações nacionais foi parcialmente limitado pela valorização do real frente ao dólar e pelo cenário ainda confortável de oferta interna.

Fibra natural segue competitiva frente ao poliéster

Outro fator destacado pelo relatório é a competitividade do algodão frente às fibras sintéticas, especialmente o poliéster.

Mesmo após a recente valorização, a fibra natural continua atrativa para a indústria têxtil global, o que ajuda a sustentar a demanda internacional.

Além dos fundamentos físicos, o mercado também recebeu suporte financeiro. Os fundos de investimento ampliaram significativamente suas posições compradas em algodão ao longo de abril.

Segundo o Itaú BBA, os fundos passaram de uma posição vendida de 12,2 mil contratos no fim de março para uma posição comprada de 38,4 mil contratos ao final de abril, movimento que reforça a expectativa de continuidade do ciclo de valorização.

Seca nos EUA coloca oferta global em alerta

O principal ponto de atenção para o mercado global segue sendo a produção norte-americana.

O relatório destaca que a área plantada de algodão nos Estados Unidos deve recuar para cerca de 3,8 milhões de hectares na safra 2026/27, reflexo da combinação entre preços menos atrativos ao produtor, custos elevados e problemas climáticos.

Atualmente, cerca de 98% das áreas de algodão no Texas enfrentam algum nível de seca, segundo dados do monitor climático americano.

Esse cenário aumenta o risco de perdas produtivas e de abandono de áreas, fator considerado estratégico para a formação dos preços internacionais da fibra.

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Além dos Estados Unidos, a Austrália também enfrenta restrições hídricas que podem reduzir sua produção.

Déficit global pode sustentar preços do algodão

Com a possível redução da oferta em importantes produtores globais, o balanço mundial do algodão tende a ficar mais apertado nos próximos ciclos.

O Itaú BBA projeta um déficit global entre produção e consumo que pode chegar a 1 milhão de toneladas na safra 2026/27.

Esse cenário fortalece a perspectiva de manutenção de preços sustentados no mercado internacional, especialmente se as perdas climáticas nos Estados Unidos se confirmarem.

Mesmo assim, os analistas alertam que parte da recente valorização do algodão ainda está ligada ao movimento financeiro dos mercados e ao comportamento do petróleo.

Segundo o relatório, uma eventual redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio poderia pressionar o petróleo para baixo e provocar correções nas cotações da fibra.

Brasil segue como destaque no mercado global

O Brasil continua ampliando sua relevância no mercado internacional de algodão. O país mantém forte ritmo de exportações e deve seguir entre os principais fornecedores globais da fibra nos próximos anos.

A combinação entre demanda externa firme, oferta global mais ajustada e menor produção em concorrentes estratégicos coloca o algodão brasileiro em posição favorável no cenário internacional.

Ainda assim, o comportamento do câmbio, as condições climáticas globais e os movimentos financeiros das commodities continuarão sendo fatores decisivos para a formação dos preços ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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