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Dólar recua com foco na inflação dos EUA, acordo comercial com China e medidas fiscais do governo brasileiro

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O dólar apresenta queda de 0,22% nesta quarta-feira (11), cotado a R$ 5,5576 às 10h27, após encerrar a sessão anterior em alta de 0,14%, a R$ 5,5699. Já o Ibovespa registra recuo de 0,37%, aos 135.931 pontos, após avanço de 0,54% na terça-feira, quando fechou em 136.436 pontos.

Investidores estão atentos a uma série de fatores que influenciam os mercados, como o índice de inflação dos Estados Unidos, negociações comerciais entre EUA e China e o novo pacote fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Inflação dos Estados Unidos desacelera

O índice de preços ao consumidor (CPI), principal medida de inflação nos EUA, subiu 0,1% em maio — abaixo do avanço de 0,2% registrado em abril. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 2,4%, um pouco superior aos 2,3% anteriores, mas abaixo da expectativa do mercado, que previa um aumento anual de 2,5%.

O resultado alimenta a percepção de que o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros inalterados na próxima reunião, marcada para o dia 18 de junho. O banco central americano busca uma inflação de 2% ao ano como meta.

Segundo analistas, os efeitos das tarifas comerciais impostas pelos EUA ainda são limitados, pois parte dos produtos em estoque foi adquirida antes da implementação das novas taxas.

EUA e China buscam retomada da trégua comercial

Após dois dias de negociações em Londres, autoridades dos Estados Unidos e da China anunciaram um princípio de acordo para restaurar a trégua na guerra comercial entre os dois países. O entendimento ainda precisa ser aprovado pelos presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

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Na manhã desta quarta-feira, Trump confirmou que o acordo “está fechado” e destacou que o relacionamento com a China “está excelente”.

Os mercados monitoram de perto o andamento das negociações, que têm potencial de impactar cadeias produtivas globais e o desempenho das empresas, especialmente às vésperas do período de compras de fim de ano. Um agravamento das tarifas pode pressionar a inflação e reduzir o consumo, o que aumentaria o risco de recessão na economia global.

Novo pacote fiscal de Haddad entra no radar do mercado

No Brasil, o foco segue sobre as propostas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para compensar a provável revogação do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). As medidas foram confirmadas nesta terça-feira (10), após reunião entre Haddad e o presidente Lula, e serão encaminhadas ao Congresso.

Entre os pontos principais do pacote estão:

  • Fim da isenção de IR para LCI e LCA, com alíquota proposta de 5%;
  • Aumento da CSLL para instituições financeiras, que passaria de 9% para até 20%, incluindo fintechs;
  • Elevação da taxação sobre apostas esportivas, de 12% para 18%;
  • Unificação do IR sobre aplicações financeiras, com alíquota de 17,5% (hoje entre 15% e 22,5%, a depender do prazo da aplicação).

Além disso, o governo pretende reduzir o gasto tributário em pelo menos 10% e avaliar cortes nas despesas primárias.

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Apesar das intenções, o mercado reagiu com cautela. Especialistas defendem que a prioridade do governo deveria ser a eficiência dos gastos públicos e reformas estruturais, em vez do aumento da carga tributária.

Impacto das últimas medidas no mercado

A tentativa inicial de aumentar o IOF, anunciada há pouco mais de duas semanas, gerou forte reação negativa. O governo recuou da proposta no mesmo dia, diante da pressão do mercado e da sinalização do Congresso de que poderia derrubar o decreto — o que não ocorre há mais de duas décadas.

Diante do impasse, o governo federal iniciou negociações com os presidentes da Câmara e do Senado em busca de alternativas de compensação para manter o equilíbrio fiscal. Um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento deste ano também foi anunciado como parte do esforço para cumprir a meta fiscal.

Desempenho acumulado
  • Dólar
    • Semana: +0,01%
    • Mês: -2,59%
    • Ano: -9,87%
  • Ibovespa
    • Semana: +0,25%
    • Mês: -0,43%
    • Ano: +13,43%

A combinação de eventos internacionais e medidas econômicas locais segue moldando o cenário dos mercados nos próximos dias, com expectativa elevada para as decisões de política monetária nos Estados Unidos e para o trâmite do novo pacote fiscal no Brasil.

*Com informações da agência de notícias Reuters.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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