AGRONEGÓCIO

Safra de grãos da Ucrânia pode cair 10% em 2025, alerta ministro da Agricultura

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Queda esperada na produção

A colheita de grãos da Ucrânia em 2025 pode registrar uma queda de até 10%, segundo projeções do ministro da Agricultura, Vitaliy Koval. A estimativa mais pessimista indica que o país deve colher cerca de 51 milhões de toneladas métricas no próximo ano, abaixo das 56,7 milhões de toneladas esperadas para 2024.

Fatores climáticos e guerra impactam safra

De acordo com Koval, tanto as condições climáticas adversas quanto os efeitos da guerra em curso com a Rússia têm prejudicado o trabalho no campo. Agricultores enfrentam dificuldades ou até mesmo impossibilidade de plantar e colher devido aos riscos militares e à ocupação de grandes áreas agrícolas.

Atrasos na semeadura devido ao clima

“A estação será desafiadora. Tivemos um inverno anormalmente quente, com falta de umidade no início e, em seguida, chuvas prolongadas. Isso atrasou a semeadura em algumas regiões por até duas semanas”, afirmou o ministro em entrevista à Reuters.

Previsões para grãos e oleaginosas

Segundo Koval, a expectativa mais negativa prevê redução de 10% na colheita de grãos e de 5% na de sementes oleaginosas. Apesar disso, o ministro descartou a ideia de colapso produtivo: “Definitivamente, não é um fracasso, mas, se Deus quiser, colheremos tudo”, disse.

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Para 2025, as estimativas apontam:

  • Milho: cerca de 26 milhões de toneladas
  • Cevada: 4,5 milhões de toneladas
  • Grãos diversos: 1,5 milhão de toneladas
  • Trigo: entre 20 e 22 milhões de toneladas, dependendo do clima e da guerra
  • Sementes de girassol: 11,5 milhões de toneladas
  • Beterraba sacarina: 11 milhões de toneladas
Redução na produção de oleaginosas

A produção total de sementes oleaginosas deve cair para 20,16 milhões de toneladas em 2025, ante 21,18 milhões em 2024. A principal razão é a redução de 600 mil toneladas na colheita de canola.

Exportações ainda indefinidas

Koval preferiu não divulgar previsões para as exportações de grãos da safra 2025/26, alegando que os números finais da colheita ainda são incertos. No entanto, analistas de mercado projetam exportações totais de 40,9 milhões de toneladas, incluindo de 15 a 15,5 milhões de toneladas de trigo.

Liderança global no óleo de girassol

Mesmo diante dos desafios, a Ucrânia segue como o maior exportador mundial de óleo de girassol, setor que deve manter destaque no cenário global.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

1º de maio de 2026: o agronegócio brasileiro ganha acesso a um mercado de R$ 130 trilhões

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira (1º), conectando o agronegócio brasileiro a um mercado estimado em mais de R$ 130 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB) e cerca de 700 milhões de consumidores. Na prática, o tratado inaugura uma nova etapa de inserção internacional do agro, com redução de tarifas, padronização de regras e maior previsibilidade para exportadores.

O impacto potencial é direto: mais de 80% das exportações brasileiras para o bloco europeu passam a contar com tarifa de importação zerada, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria. Com a entrada em vigor do acordo, a fatia das importações globais cobertas por acordos comerciais do Brasil pode saltar de cerca de 9% para mais de 37%, ampliando significativamente o alcance dos produtos nacionais.

No campo, o efeito é duplo. De um lado, a redução de custos de entrada tende a aumentar a competitividade do produto brasileiro, especialmente em cadeias com forte presença no comércio exterior, como café, suco de laranja, frutas, celulose e proteínas animais. De outro, a harmonização de regras técnicas e sanitárias reduz incertezas e facilita contratos de longo prazo, elemento crítico para investimentos e planejamento produtivo.

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Produtos agrícolas já competitivos ganham tração adicional. O café — principal item da pauta brasileira — mantém acesso livre de tarifas, enquanto derivados, como o café solúvel e torrado, passam a entrar com custo reduzido. No segmento de frutas, a abertura é ainda mais relevante: itens como uva têm tarifa zerada imediatamente, enquanto abacate, limão, melão, melancia e maçã entram em cronogramas de desgravação que variam de quatro a dez anos. A janela comercial é favorecida pela complementaridade entre as safras — o Brasil exporta, em grande medida, na entressafra europeia.

O acordo também elimina tarifas para mais de 5 mil produtos do Mercosul, incluindo sucos, pescados, óleos vegetais e parte relevante dos produtos industrializados de base agropecuária. No conjunto, cerca de 77% dos itens agrícolas exportados ao bloco europeu terão tarifa zerada ao longo do período de transição.

Há, contudo, limites relevantes. Cadeias consideradas sensíveis pela Europa — como carne bovina, frango e suínos — permanecem sujeitas a cotas tarifárias. Isso significa que a redução de impostos está condicionada a volumes pré-definidos, refletindo a pressão de produtores europeus, que veem o avanço do agro sul-americano como concorrência direta.

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Mesmo com resistências políticas e questionamentos ambientais que ainda tramitam em instâncias europeias, a aplicação provisória já permite a ativação dos principais mecanismos comerciais. Para o Brasil, o movimento representa mais do que ganho tarifário imediato: sinaliza abertura de um dos mercados mais exigentes do mundo, com potencial de elevar padrões, atrair investimentos e consolidar cadeias de valor.

No curto prazo, o desafio será operacional. A ampliação do acesso exige adequação a requisitos técnicos, rastreabilidade e logística eficiente — fatores que, na prática, definem a capacidade de capturar esse novo mercado. No médio prazo, o acordo reposiciona o agro brasileiro em uma geografia comercial mais ampla, menos dependente de poucos destinos e com maior previsibilidade regulatória.

Em síntese, a entrada em vigor do tratado não altera apenas tarifas. Ela redesenha o ambiente de negócios do agro, ao inserir o Brasil de forma mais competitiva em um dos maiores e mais sofisticados mercados consumidores do planeta.

Fonte: Pensar Agro

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