AGRONEGÓCIO

Boom da celulose impulsiona valorização de terras em Mato Grosso do Sul, que chegam a subir até 62,7%

Publicado em

As terras agrícolas em Mato Grosso do Sul (MS) registram forte valorização, impulsionada pela entrada expressiva de capital estrangeiro, investimentos industriais, melhorias logísticas e alta nos preços das principais commodities agrícolas. O cenário evidencia o potencial econômico do estado, que se consolida como um polo atrativo para negócios rurais e industriais.

Valorização histórica dos preços das terras em MS

Segundo levantamento da Scot Consultoria, a valorização nas terras para pastagem no primeiro quadrimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior foi de até 62,7%, destacando Corumbá como o município com maior alta no estado. Outras cidades também registraram crescimento significativo nos preços das terras para pecuária: Três Lagoas (20,7%), Aquidauana (17,7%), Bodoquena (17,2%), Chapadão do Sul (15,8%) e Campo Grande (15,6%).

Para terras agrícolas destinadas à lavoura, o maior aumento foi registrado em Bodoquena (38,8%), seguido por Dourados (37,1%), Coxim (21,8%), Aquidauana (17,0%) e Corumbá (11,4%).

Fatores que influenciam a valorização das terras

Gustavo Duprat, engenheiro agrônomo da Scot Consultoria, explica que a valorização é determinada por uma combinação de fatores edafoclimáticos, infraestrutura regional e logística eficiente, especialmente em áreas com localização estratégica. “A baixa disponibilidade de áreas para compra e a valorização de propriedades com boa infraestrutura são os principais motores dos aumentos”, afirma.

Em Corumbá, o destaque está na posição geográfica próxima à fronteira com a Bolívia e o acesso ao rio Paraguai, facilitando o escoamento da produção e atraindo investimentos em infraestrutura e indústria.

Preços em alta superam rentabilidade de investimentos financeiros

De acordo com o corretor rural Pedro Travain, os preços médios do hectare em MS mais que quintuplicaram nos últimos 14 anos. As terras pecuaristas passaram de R$ 3,8 mil em 2010 para R$ 22 mil em 2024 — alta de 476%. No segmento agrícola, o valor médio saltou de R$ 7,3 mil para quase R$ 61 mil por hectare, o que representa crescimento de 730% no mesmo período.

Leia Também:  Plantio de milho no Paraná atinge 94% e desenvolvimento das lavouras é considerado positivo

Esses índices superam com folga a rentabilidade da poupança (156,86%), da taxa Selic (126,39%) e do índice Bovespa (73,55%) no mesmo intervalo.

Expansão da indústria de celulose em MS

Nos últimos cinco anos, MS tem se transformado em um polo de atração para investimentos estrangeiros em papel e celulose. Só em 2024, o estado captou quase R$ 50 bilhões em projetos no setor.

A Suzano Papel e Celulose anunciou R$ 22,2 bilhões para construir, em Ribas do Rio Pardo, a maior fábrica mundial da categoria, com uma base florestal de 599 mil hectares, incluindo 143 mil para conservação ambiental. Já a chilena Arauco investirá R$ 25 bilhões em uma unidade industrial em Inocência, com início previsto para 2027, e área florestal planejada de 400 mil hectares.

Atualmente, Mato Grosso do Sul possui cerca de 1,6 milhão de hectares cultivados com eucalipto — o equivalente ao dobro da área de Campo Grande — e projeta alcançar 2 milhões de hectares até 2030, assumindo a liderança nacional na produção.

Crescimento de outras culturas e impacto no mercado de terras

Além da celulose, o avanço na produção de proteínas animais e grãos também tem pressionado a valorização dos terrenos. A inauguração do corredor logístico da Rota Bioceânica e novos investimentos, como três usinas de etanol de milho, elevam o interesse por regiões estratégicas, como Porto Murtinho.

Leia Também:  Be8 Inicia Construção de Planta de Etanol em Passo Fundo com Operação Prevista para 2026

O amendoim, por exemplo, virou destaque ao superar o algodão na área plantada: de 21,2 mil hectares em 2023/2024 para 42,7 mil hectares na safra 2024/2025. A área cultivada de arroz cresceu 34%, totalizando 12,6 mil hectares, enquanto a do feijão de segunda safra subiu 22,3%.

Influência do capital estrangeiro e legislação vigente

Lucas Brenner, advogado especialista em direito agrário e sócio do escritório Brenner & Advogados Associados, destaca a crescente participação de investidores estrangeiros na aquisição de terras em MS, estimulada pela Lei do Agro (13.986/2020), que flexibilizou as regras para compra de imóveis rurais por estrangeiros.

Apesar dos limites legais que restringem a compra a 25% da área de cada município e 10% por nacionalidade, em municípios como Ribas do Rio Pardo, Inocência e Água Clara, a participação estrangeira já alcança entre 30% e 40% das terras agrícolas. Brenner alerta para a ausência de fiscalização rigorosa por parte dos órgãos competentes, que assumem a regularidade das operações.

Posicionamento do Incra sobre o controle das aquisições por estrangeiros

Paulo Lucca, responsável pelo cadastro rural do Incra em Mato Grosso do Sul, afirma que não há evidências de descontrole na compra de terras por estrangeiros no estado ou no país. Ele explica que o controle é realizado com base nas informações trimestrais enviadas por cartórios e nas declarações obrigatórias dos proprietários ao Cadastro Nacional de Imóveis Rurais (CNIR).

Segundo Lucca, a fiscalização depende da correta informação recebida. Caso ocorram aquisições ilegais sem registro, o órgão não teria como identificar esses casos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

Published

on

A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

Leia Também:  Bolsas globais oscilam com tecnologia em foco e expectativas sobre gargalo nos EUA
Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
Leia Também:  Quais os impactos da Brucelose e da Febre Aftosa na pecuária nacional?

O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA