AGRONEGÓCIO
Moagem de cana no Centro-Sul recua 6% na primeira quinzena de maio; produção de açúcar e etanol também cai
Publicado em
30 de maio de 2025por
Da Redação
Moagem de cana apresenta retração na primeira metade de maio
As unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 42,32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na primeira quinzena de maio da safra 2025/26, volume 6,09% inferior às 45,06 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra anterior.
No acumulado da atual safra até o dia 16 de maio, a moagem alcançou 76,71 milhões de toneladas, refletindo uma queda de 20,24% em comparação com as 96,18 milhões de toneladas processadas no mesmo intervalo do ciclo 2024/25.
Unidades em operação e perfil da produção
Nos primeiros 15 dias de maio, 21 unidades reiniciaram suas atividades, totalizando 242 usinas em operação no Centro-Sul. Desse total, 225 unidades processam cana-de-açúcar, dez produzem etanol a partir do milho e sete são usinas flex. Na safra passada, no mesmo período, estavam em atividade 248 unidades: 230 com cana, nove com etanol de milho e nove usinas flex.
Qualidade da cana tem leve queda
O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) na primeira metade de maio foi de 116,80 kg por tonelada de cana, uma redução de 6,37% em relação aos 124,75 kg registrados na safra anterior. No acumulado da safra 2025/26, o ATR médio é de 112,25 kg por tonelada, 5,07% abaixo do verificado no mesmo período do ciclo anterior.
Produção de açúcar recua quase 23% no acumulado da safra
Nos primeiros quinze dias de maio, a produção de açúcar somou 2,41 milhões de toneladas, queda de 6,80% frente às 2,58 milhões de toneladas do mesmo período da safra passada. Desde o início do ciclo até 16 de maio, a produção acumulada de açúcar chegou a 3,99 milhões de toneladas, retração de 22,68% em relação aos 5,16 milhões de toneladas produzidos no ciclo anterior.
Etanol: queda na produção, mas milho ganha espaço
Na primeira quinzena de maio, a fabricação de etanol pelas usinas do Centro-Sul totalizou 1,78 bilhão de litros. Desse volume, 1,16 bilhão de litros foram de etanol hidratado (queda de 8,11%) e 616,78 milhões de litros de etanol anidro (recuo de 16,72%).
No acumulado da safra até 16 de maio, a produção de etanol somou 3,68 bilhões de litros, redução de 15,39% frente ao mesmo período do ciclo anterior. Foram 2,60 bilhões de litros de hidratado (-14,72%) e 1,08 bilhão de litros de anidro (-16,98%).
Apesar da queda geral, o etanol de milho registrou aumento. Na primeira metade de maio, 359,90 milhões de litros foram produzidos a partir do grão, alta de 21,38% em relação ao mesmo período da safra anterior. No acumulado da safra, a produção alcançou 1,08 bilhão de litros, avanço de 27,79%.
Vendas de etanol caem mais de 5% no período
As vendas de etanol na primeira quinzena de maio somaram 1,34 bilhão de litros, queda de 5,13% frente ao mesmo período da safra passada. As vendas de etanol anidro subiram 3,94%, totalizando 491,52 milhões de litros, enquanto o etanol hidratado recuou 9,69%, com 848,91 milhões de litros vendidos.
No mercado interno, foram comercializados 828,22 milhões de litros de etanol hidratado, volume 10,37% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Já as vendas de etanol anidro chegaram a 483,31 milhões de litros, com crescimento de 2,21%.
Desde o início da safra até 16 de maio, a comercialização de etanol pelas unidades do Centro-Sul somou 4,11 bilhões de litros – retração de 4,01%. O volume de hidratado foi de 2,68 bilhões de litros (-7,48%), enquanto o anidro atingiu 1,44 bilhão de litros (+3,19%).
Mercado de CBios já atingiu 69% da meta de 2025
Segundo dados da B3 até 26 de maio, os produtores de biocombustíveis emitiram 17,56 milhões de créditos de descarbonização (CBios) em 2025. O total de CBios disponíveis para negociação, incluindo os detidos por partes obrigadas, não obrigadas e emissores, soma 27,79 milhões de unidades.
Somando os CBios disponíveis com os já aposentados para cumprimento da meta anual, o mercado já atingiu cerca de 69% da quantidade necessária para atender integralmente a exigência do RenovaBio até o fim de 2025.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
Published
9 horas agoon
3 de junho de 2026By
Da Redação
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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